De volta ao lar

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Para minha felicidade, o caso do padrasto maldito da Megan finalmente estava com data marcada no tribunal. Poderíamos voltar para o lugar que não queríamos ter saído. A morena estava animada para voltar, sorri com ao pensar na surpresa que tinha para ela.

— Careca não careca, você já terminou de guardar as coisas da Anastasia? - falou fechando mais uma caixa. Revirei os olhos.

— Sim, terminei de guardar todos os brinquedos e roupas. - a morena me olhou e olhou em volta. — Eu não acredito que 5 caixas grandes foram necessárias para apenas os brinquedos desta criança.

— Coloque ali as caixas das roupas para adoção. - apontou para um canto vazio da sala. — Só falta isso. - saiu andando pela casa a procura do que fazer.

As malas já estavam prontas e perto da porta de entrada. Para a nossa sorte, Annie estava no último dia da creche. Se ela estivesse ali, demoraríamos duzentos anos para terminar.

— Sério que você vai me fazer carregar tudo isso, Anã? - olhei o quarto da pequena e da mãe que estava cheio de caixas.

— Ué, não se acha o machão? Carrega sem reclamar, homem.- a baixinha de cabelo preto cruzou os braços.

Revirei os olhos e fiz careta. Prendi o cabelo longo em um rabo, ele finalmente estava grande de novo, peguei uma das caixas pesadas e comecei o meu trabalho. Assim que terminei, Megan se aproximou e olhou as caixas.

— Precisamos achar um lugar pra ficar lá, né? Você vendeu tudo e eu não tinha nada. - me aproximei e apoiei meu queixo na cabeça da outra.

— Não se preocupe com isso, depois resolvemos. Vamos buscar a pequena, ela ainda tem que jantar, tomar banho e se arrumar. - a outra fez careta e me olhou.

— Você é mais mãe do que eu, credo. - ergueu as mãos e foi atrás da bolsa. Revirei os olhos e estalei a língua no céu da boca.

Saímos de bicicleta para buscar o mini furacão ruivo. Vinte minutos depois, chegamos ao nosso destino. Uma massa de crianças estavam amontoadas na porta esperando os responsáveis chegarem. Olhei por alguns segundos e avistei a cabeça laranja entre os outros correndo em uma velocidade absurda. Olhei para a Megan e ela começou a rir. Assim que a professora nos avistou, começou a gritar para a pequena. Anastasia assim nos viu, abriu um sorriso maior do que o pequeno rosto.

— Papá! Mamá! - gritou em holandês.

— Fale comigo em russo, menina! - falei em russo e fiz uma falsa carranca. Gostávamos de falar com ela em nossa língua materna.

— Oi meu amor! - Megan falou também em holandês e me mostrou a língua, pegando a menina no colo. — Não ligue para seu Papá, ele está com saudades do Beka!

— Saudade do Beka! - a menina sorriu, fez biquinho e repetiu o que a mãe disse.

— Fiquem quietas, anã um e anã número dois! - peguei Annie no colo e a ajeitei na cadeirinha da minha bicicleta. — Vamos para casa, teremos de viajar hoje!

Megan começou a gargalhar e Annie foi no mesmo ritmo, não pude me conter e sorri também. Enquanto pedalamos para casa, a ruivinha contou todo o dia dela com detalhes mínimos, como a cor da colher que almoçou. Megan respondia tudo a altura, enquanto eu me perdia na conversa e apenas concordava. Pelo menos comigo ela conversava em russo. Chegamos ao nosso apartamento e assim que a mais nova viu tudo empacotado, se assustou.

— Cadê meu brinquedo? - voltou do quarto com um bico prestes a chorar. Olhei Megan que me respondeu assustada.

— Ah meu amor, eles estão guardados. Vamos fazer uma viagem, lembra? Quando chegarmos na Rússia você pode brincar com eles. - a menor olhou para as caixas e abriu o berreiro.

One more night - HIATOSOnde histórias criam vida. Descubra agora