Acordei em uma maca, olhei para os lados e percebi que estava na enfermaria ao lado dos dormitórios, havia algo pretendo meu pescoço oque fazia a dor cessar um pouco, era como um colar cervical; eu ainda estava com a mesma roupa que havia saído então eu não estava ali há muito tempo, enquanto tentava lembrar do que havia acontecido, Cabelos vermelhos entraram na sala, junto com eles um par de olhos azuis e um corpo perfeitamente simétrico, Brooke.
-Até que enfim você acordou, não aguentava mais ficar aqui.-ela estava com um copo de café na mão.
-o-oque...-tentei falar porém minha voz não saiu, e minha garganta parecia em chamas.
-é melhor nem tentar falar, suas cordas vocais estão só os cacos, pelo que os médicos falaram.-ela se sentou na cadeira que havia ao lado da maca.-disseram que um garoto tentou te enforcar, mas sabemos que não foi só isso que aconteceu.-ela deu uma piscadinha.-Eu ainda não vi o garoto, espero que seja bonitinho pelo menos.-ela fez uma pausa e ficou me olhando, me analisando na verdade, parecia estar pensando no que dizer e hesitando o tempo todo.-Eu...eu...sinto muito pela sua mãe...
Naquele momento eu me lembrei, do hospital, da minha mãe, que agora eu estava completamente sozinha no mundo; ninguém mais ligava pra mim, lembrei de tudo que havia acontecido, de todos os momentos bons com ela e como aquilo não voltaria nunca mais; eu havia perdido ela, pra sempre. Aquela dor imensa no peito voltou e eu não consegui conter as lágrimas.
-Shhh-Brooke se sentou na maca ao meu lado, me abraçando.-Vai ficar tudo bem Alyce, toda dor é passageira; não se preocupe viu, você tem a nós.
eu não queria ser grossa com Brooke, não ali nem agora, por que ela estava tentando me ajudar, mas eu não considerava eles da família, tinhamos poucas histórias juntos e eu nunca havia tido amigos antes, só conhecidos ou ficantes; não era fácil eu me aproximar das pessoas. só que tudo aquilo, o mundo estava desabando, eu enterrei a cabeça no abraço da Brooke em busca de algum conforto.
Aquela Fora a semana mais difícil da minha vida, passei dois dias naquela enfermaria, Brooke e Dylan trocavam de horário pra ficar de olho em mim, mas eu nem ligava não fazia diferença eu nem percebia, os médicos falaram que precisavam "estabilizar" minha garganta antes de me deixarem ir; também não fazia a menor diferença pra mim. Eu vivia os dias só por viver, sabia que meu piloto automático estava ligado, quando voltei pro meu quarto, depois daqueles dois dias na enfermaria, tudo parecia mais cinza, sem diversão; minha voz tinha voltado ao quase normal, eu só não poderia gritar.
todo dia alguém me falava que tudo ia ficar bem, que aquilo era passageiro; porém só Brooke sabia da minha mãe, os outros achavam que era depressão ou algo assim. sempre que me falavam isso eu sorria, só que por dentro eu estava morrendo aos poucos; toda noite eu chorava antes de dormir, baixinho, pra ninguém escutar minha dor. eu não contava mais os dias, apenas vivia eles, por que nada mais fazia sentido.
Eu estava na minha cama, olhando para a cama acima da minha do Dylan, meus pensamentos estavam há milhão, eu não conseguia mais dormir sem ter pesadelos, sempre que eu fechava os olhos pensava em Jessie. só que hoje eu estava cansada disso, não queria pensar em nada, apenas existir; eu queria encher a cara, por que bebida era a única coisa que nublada minha mente.
então me lembrei, de que tinha dinheiro, aquele que Brooke havia me dado, lembrei também que o namorado de Brooke ou seja lá oque eles sejam, vendia bebidas já que tinham muitas em seu quarto na festa.
me levantei, coloquei um casaco por cima do pijama e sai do quarto; aqueles passeios noturnos pela CAUS eram sempre os melhores, era agradavel ali de noite com os corredores aquecidos e as luzes azuis; me coloquei a andar pelos corredores em busca do quarto do DJ. Lembrei-me de que quando o achamos da primeira vez haviam pessoas fumando mas agora não havia festa, pensei que seria algum quarto bem no meio dos dormitórios. então tentei uma porta, no puro chute.
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Dystopia
AksiEm um mundo onde a tecnologia e os avanços dominam também há suas partes ruins, mortes, doenças, um governo autoritário com classes sociais oprimidas que são o cúmulo da sociedade. nesse cenário desordeiro uma empresa luta em causa das crianças e ad...
