Capítulo 4

1K 180 17
                                        

Pisco várias vezes antes de realmente abrir os olhos.
A luz do sol que entra pela janela e inunda toda a cama, me faz fecha-los de novo  imediatamente. O gosto amargo na minha boca já é familiar, mas a dor que me atinge em cheio quando mexo a cabeça, me faz gemer e me remexer na cama. Nunca tive uma ressaca tão forte. Me viro lentamente para tentar sair do colchão, tirando a cortina de cabelo castanho que cai no meu rosto.

Com o canto do olho, vejo alguém sentado na poltrona amarelada em frente a minha cama. Fico imóvel. Estou tão entorpecida pelo álcool, que mal consigo focar o rosto da pessoa.

Pisco várias vezes para ter certeza de que não é uma alucinação.

Como alguém pode invadir o meu apartamento desta maneira?

A pessoa se movimenta na poltrona como se estivesse desconfortável.

- Achei que não iria acordar nunca. - dá para sentir a raiva contida na voz masculina.

Finalmente consigo me sentar no colchão, estupefata.

- Como você entrou aqui? - pergunto para Josh.

Minha voz sai forte apesar da tontura.

- Não sei. - as palavras são cheias de ironia. - Talvez você tenha deixado a porta destrancada ontem à noite, mas estava tão bêbada que nem percebeu.

Ele parecia irritado. A roupa estava amassada até certo ponto, mas eu sabia que havia um paletó preto jogado em algum lugar do quarto.

Minha cabeça começou a martelar novamente.

- Você invadiu o meu apartamento? Isso é crime, sabia? - tateei a cama á procura do meu telefone.

- Crime, é quebrar as regras do nosso contrato. - ele se levantou. - Tínhamos um acordo!

Eu quase não entendia o que ele falava por conta do zunido no meu ouvido. Quando olhei a hora do telefone, meu coração disparou. Levantei tão abruptamente que minha cabeça girou trezentos e sessenta graus e Josh também se ergueu assustado.

- Eu estou atrasada para o trabalho.
 
Josh me olhava hesitante, as sobrancelhas erguidas. Segundos depois percebi qual era o problema. Eu usava somente uma calcinha preta de algodão e a mesma blusa creme que usei para ir até o hospital. Quase surtei.

Peguei o lençol branco e me cobri rapidamente. Eu vi uma ponta de humor nos lábios de josh.

- Eu já mandei você ir embora, Josh.

Ele ficou sério novamente.

- Eu não vou embora antes de conversarmos.

Revirei os olhos e corri para o banheiro. Nem me dei ao trabalho de tomar banho. Prendi o cabelo num coque frouxo, pus uma calça jeans escura e a camisa preta do trabalho. Josh já estava na porta me esperando sair. Eu ainda me sentia tonta da bebedeira de ontem e minha barriga doía a cada passo.

- Vamos, eu te dou uma carona.- ele disse e fez cara de tédio.

Quase engasguei quando vi o carro. Uma Mercedes preta brilhante, invejávelmente linda.

E a pergunta era: por que o idiota veio aqui com um carro tão caro?
Mas não comentei nada com ele.

- Nós realmente precisamos conversar. - Josh falava no caminho para o Castle.

- Não vai dar, está bem? Eu não sou dona da minha própria empresa; tenho horário de chegada.

Ele me olhou com impaciência. Virou uma esquina errada e parou o carro perto de um homem. Este entrou no Mercedes rapidamente. Usava um casaco verde musgo com branco na gola e um boné suspeito.

A garota de aluguel.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora