Capítulo 4 Cega

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- JULIET - chamou Jeniffer, quando a princesa tinha se retirado da mesa após o término da refeição. Estava no meio do corredor e podia ver o belíssimo detalhe das costas do vestido da princesa. - Juliet - a chamou mais uma vez.

O som do salto dela parou fazendo por sua vez, Jeniffer parar também. Juliet girou de imediato e fitou a mulher que dizia ser sua amiga há muito tempo atrás. Suas mãos estavam estiradas ao seu lado fechadas em punho. Seu olhar contemplativo era frio como uma lâmina. Nenhuma palavra saiu dela.

Se for para falar, que ela fale, pensou Juliet.

Jeniffer a estudou com cuidado antes de começar.

- Eu posso explicar - ela começou, sacudiu a cabeça, procurando as palavras certas. - Não aguento mais ter que esconder algo assim de você.

- Esconder o que? Que me traiu com o meu noivo? - A amargura permeava as palavras de Juliet. A luz da manhã, os olhos claros cintilavam de raiva. - Conte-me algo novo, querida.

Jeniffer estacou quando quis se aproximar, paralisada pela glacialidade daquele olhar.

- Nós nunca tivemos nada, o Caio e eu. - Jeniffer conhecia Juliet a tempo o suficiente para saber que, a futura rainha de Abele, não era o tipo de mulher facilmente convencida. -Foi tudo uma armação, do conselho real. Meu pai me convenceu que estava fazendo um favor para o reino. O futuro da Pangéia poderia ser destruído, se a princesa de Abele se casasse com um homem destituído de títulos, como Caio.

Juliet franziu o cenho. Jeniffer não era burra a ponto de mentir uma coisa dessas. Uma mentira que poderia ser facilmente descoberta, a um corredor de distância de onde estava. O conselho real de Abele costumava se reunir lá.

Outra questão a se averiguar, é que apesar de sua família materna ser a mais alta de Bósnia, o seu poder só se abrangia propriamente em seu país, seu reino por direito hereditário dos Gilberts.

O que eu tenho a ver com toda Pangéia? Perguntou-se.

O secretário do rei estava lhe escondendo algo.

- O que isso quer dizer? - Questionou indecisa. Fitou-a detidamente com olhos entre abertos. - Caio não negou quando o acusei de traição.

- Você o deixou se explicar? - Rebateu.

- Não - veio à resposta.

- Você deveria perguntar a ele sobre isso. Eu não poderei mais carregar esse peso. - Ela a olhou com apreensão. - Me perdoe por ter feito parte disso, mas o meu pai é secretário de seu pai, você sabe. Não pude sair do plano dele.

Ainda desconfiada, Juliet não disse nada. Jeniffer suspirou pesadamente compreendendo seu conflito.

- Pergunte a Caio. Fale com ele.

Juliet se retirou como só uma verdadeira rainha poderia fazer, cabeça erguida e corpo ereto. Transmitindo tranquilidade para cada servo que trabalhava no palácio.

Segurou a tremedeira, a mente em turbilhão e o coração em frangalhos na mão. As palavras de sua mãe infiltravam-se entre os seus pensamentos confusos.

Uma rainha nunca se mostra fraca e descontrolada, mesmo para seus súditos, lembrou-se.

Já estava próxima a escada do terceiro andar destinado a sua família, percebeu com alívio. Juliet ia começar a subi-la quando foi alcançada.

- Princesa Juliet!

Virou o rosto na direção da voz e fitou o duque Iago a somente alguns passos de distância dela. Ele se apressou, fechou a mão sob o seu braço antes mesmo que Juliet pudesse responder qualquer coisa.

O designo de JulietOnde histórias criam vida. Descubra agora