Prólogo

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ELE ESTAVA APOIADO NO CORRIMÃO esculpido de mármore, com a metade do corpo na sombra, imóvel, o rosto de menino bronzeado pelo sol. A luz do cenário se refletia no fino aro em forma de coroa que levava na testa e brincava com os ângulos patrícios de seu rosto. Uma fita recolhia sua longa cabeleira negra.

— Alteza? — Sussurrou alguém a sua direita.

Sem retirar o olhar aborrecido da festa que se desenrolava abaixo, o príncipe herdeiro Liam III Marshall ergueu um dedo, indicando a pessoa para que falasse.

— Alteza — disse efusivamente o empregado mais uma vez. — O rei deseja vê-lo.

Ele assentiu com o olhar para frente, caminhou com as mãos nos bolsos até um dos tronos de alabastro no primeira andar, fingindo não ver às pessoas que se alinhavam para vê-lo, sorridentes.

No caminho que fazia até o rei, sua prima sorriu por ali, de mãos dadas a duas amigas. Ela era tão jovem quanto ele, agradavelmente bonita e encantadora em seus cachos loiros.

Ela era um ótimo brinquedo quando queria.

— Eliza. — Liam suspirou, sorrindo pela primeira vez em toda noite, enquanto se despedia dela preguiçosamente. Ela lhe dava sorrisinhos conforme passava.

Quando conseguiu ver o pai, Liam percebeu que ele o observava. O menino levantou os olhos, impenitente, e sorriu a contragosto para o pai. O rei devolveu o olhar com desaprovação.

— Onde estava? — Questionou.

Olhou com aborrecimento o pai.

— Por aí.

— Por aí? — Sibilou o rei de volta. — Então suponho que não sabe o que acaba de acontecer aqui no salão.

— Não, senhor — murmurou o príncipe.

O rei Liam II exalou um suspiro de impaciência para o filho, Liam III.

— Pergunte-me o que aconteceu — ordenou.

— O que... — começou o menino.

—Cale-se — grunhiu. — Quando você irá aprender? Quantas vezes eu devo lhe dizer que deve prestar atenção em tudo?

Liam olhou-o fixamente um momento, com seu ligeiro e artificial sorriso no lugar, seus olhos verde mármore petulantes.

— É só uma festa, pai. Só tem pessoas mesquinhas e os nobres de outros lugares.

O rei respondeu com o cenho franzido.

— É isso que vê? — Perguntou com a voz rouca. — Isso aqui pode ser uma festa também, mas é um jogo. O jogo de poder. Veja o chanceler Gustavo, por exemplo.

E o rei apontou discretamente para onde jazia um homem de terno e uma mulher loira de corpo escultural.

— Que tem eles?

— Ele está traindo a esposa — o rei afirmou, com um sorrisinho sínico no rosto. — Com a ministra dos esportes.

— E o que nós temos a ver com isso?

— Tudo, Liam. Conhecimento é poder. Eu poderia conseguir a tal fortaleza de Bijun que seu avô tanto queria, se eu só chegar até ele com essa informação. Eu poderia dizer a ele que sei sobre o seu caso extraconjugal, e ameaçar a sua carreira impecável com isso.

O príncipe pigarreou com compreensão.

— Entendo.

O rei olhou o príncipe com sagacidade.

— Agora, observe os convidados e me diga quem é a pessoa mais poderosa dessa festa.

O menino manteve os olhos no pai.

— O senhor— disse em voz baixa, com todo o estoicismo de que era capaz.

O pai sorriu, adulado, mas abanou a cabeça.

— Não, você está errado. Eu posso ser um rei, mas isso não significa que eu seja o homem mais poderoso. Não ainda. Existe uma pessoa em especial que gostaria que você a notasse.

Nesse momento, o príncipe deixou cair seus olhos, obedientes e aborrecidos, na multidão. Havia ao menos, cinco reis de territórios diferentes naquela festa, isso se pudesse contar o chanceler de Zebulom. Os nobres mais ricos rodeavam seus monarcas, a maioria jovens senhores soberbamente vestidos. Atrás de alguns reis, havia rainhas e seus filhos. Com pouco interesse, se fixou naqueles círculos, pois obviamente que deveria se tratar de um deles.

Depois de uma eternidade mais ou menos, o príncipe decidiu por um deles.

— O rei de Norta? Ele é nosso inimigo.

— Errado.

Estava certo de que só poderia ser ele, assim seu rosto se iluminou com uma expressão de audácia.

— Então quem é?

— Olhe na direção da sua mãe — o rei disse.

Liam olhou. Sua mãe, a rainha da Muíça, estava ao lado da rainha de Abele, com sua irmã no outro braço, a duquesa de Malan.

— Mais para baixo — instruiu o rei.

Liam olhou mais para baixo e encontrou uma garotinha com uma pequena coroa de lado para ele, só podia ver seu perfil de mãos dadas com a rainha de Abele e com a rainha da Bósnia, enquanto o próprio rei da Bósnia estava ajoelhado diante dela, sussurrando uma brincadeira enquanto apertava o seu nariz.

Uma cascata de cachos castanhos caiam por seus ombros infantis. Seus lábios estavam retorcidos em um sorriso de canto para o rei bosniano, como se ele fosse um bobo da corte e ela uma monarca.

— Sobre quem o senhor está falando? Essa menina? — O príncipe perguntou, incrédulo.

O rei olhou-o com frieza, cheio de censura. Podia sentir a desaprovação de sua opinião em seu rosto.

— Essa menina — o rei repetiu a contra gosto —, é a pessoa mais influente e poderosa dessa festa.

Liam franziu o cenho.

— Ela?

— Sim. Você sabe quem é ela?

Liam negou e o rei desviou os olhos dos dele.

— Ela é a única filha do rei Thiago Gilbert e Elizabeth Genevieve, a princesa herdeira de Abele. Ela também é neta do rei da Bósnia e a sua família materna é muito, muito rica, tanto quanto nós. Ela frequenta o Internato de Dom Louis e dizem que ela já é amiga íntima da princesa de Gates.

Ele esperou o rei continuar seu discurso, mas ele parecia tão satisfeito com sua resposta que demorou um pouco a continuar.

O rei se inclinou para ele.

— Agora você entende o que eu disse?

Liam afastou os olhos da menina, apreensivos com o entusiasmo do pai.

— Sim, entendo. — Ele notou uma luz de cobiça nos olhos do rei, e quase podia ver notas de lírios dançando em suas íris.

— Segue observando-a, Liam. Com sorte, pode ser que se case com ela um dia. Com a influência dela e o seu destino... — ele suspirou, feliz. —Você meu filho, pode se tornar o homem mais poderoso do continente.

Liam prendeu a respiração. Era como se tivesse ficado grudado ao chão que pisava, incapaz de mover um só músculo.

— Mas eu não preciso de uma mulher para isso, pai — disse, saindo de seu ensimesmamento.

— Você não quer ter poder? O homem com mais poder do mundo? — Argumentou o pai. — Então seja um homem inteligente, Liam. Só assim poderá ter poder também.

O designo de JulietHistórias para pegar e não largar. Descubra agora