Capítulo 6 Instinto

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CAIO SE VIROU PARA LÚCIA, em seu olhar havia uma luta de sentimentos explícitos.

- Lúcia, você poderia nos dar um momento?

Lúcia não precisava nem ter olhado na direção do rosto da princesa para saber sua resposta. A amiga tinha fincado as unhas nas mãos dela a beira de machucá-la.

Lúcia o fitou, seus olhos amarelos estavam tristes.

- Sinto muito, mas não posso - sussurrou ela.

Incomodado com a expressão de Lúcia, Caio mirou Juliet pensando se seria um incidente diplomático arrastar a princesa de Abele pelos jardins, até um local privado. Olhou para os lados só para ter certeza.

Juliet se firmou em Lúcia ciente do olhar conspiratório dele.

- Nem pense nisso - advertiu, observando distante, a face do homem cujo seu coração batia ainda acelerado. - Nada mudou. Nem pense em fazer uma cena diante dos convidados. Tem fotógrafos aqui. Sabe que este festival é importante para o rei.

- O rei só não, seu pai - corrigiu com desgosto.

Lúcia olhava avidamente para qualquer ponto dali, fingindo que era surda a troca de farpas deles.

Caio se aproximou mais dela, verdadeiramente abalado para a atitude passiva da mulher. Não era essa princesa que tinha encarado generais, reis e até o imperador de Zebulom? O que será que está havendo com ela? Pensou Caio.

- Aceitará isso? Nem ao menos fará nada? Permitirá que ele brinque com a sua vida, como se fosse uma marionete?

A princesa se soltou de Lúcia, e ergueu o dedo indicativo apontando no peito dele, como se fosse um revólver.

- Você! Logo você, deveria saber mais que ninguém em que posição me encontro. Eu sou a futura rainha de Abele, tenho que pensar no meu país!

Caio segurou o dedo dela.

- E ser tratada como uma idiota a faz ser uma rainha melhor? - Murmurou, com raiva.

- Não, mas me casar com a pessoa certa sim - se arrependeu do que disse no momento em que as palavras saíram de seus lábios, mas não voltou atrás.

Nunca voltava atrás. Só pessoas fracas faziam isso.

Caio a fitava chocado. Soltou o dedo dela lentamente. Até Lúcia, que tentava parecer invisível, parecia chocada.

Ele engoliu em seco.

- Casar? Então o rei nos separou para um casamento político?

- Vou me casar sim - sua voz saiu um tanto ácida, mas manteve-a polida e baixa. - Os boatos não chegaram ao Porto?

- Não - negou Caio.

Ele respirou fundo uma vez, depois outra. Furioso, com ela e consigo mesmo, por se sentir traído. Até mesmo a paciência de Caio, que tinha esperado quase um ano para que Juliet descobrisse a cobra venenosa que era seu pai, não esperava por isso.

- Quem?- Sua voz saiu rouca.

Juliet desviou o olhar.

- Quem o que? - Ela perguntou.

- Quem é o homem com quem vai se casar? - Insistiu. Viu-a suspirar, com um o semblante um tanto abatido.

- Acredite ou não, mas também gostaria de saber. Todavia pressinto que saberei muito em breve.

Lúcia observou que chamavam um pouco de atenção, inclusive dos guardas de olhos atentos à segurança da princesa. Precisando intervir se colocou entre os dois e apontou para a entrada do rei com seus conselheiros.

O designo de JulietHistórias para pegar e não largar. Descubra agora