Capítulo 3 Jogada

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ERAM OITO HORAS DA MANHÃ, quando a princesa Juliet já vestida em um leve vestido azul se virou e observou a face de Maria em vez do seu reflexo no espelho.

— Como estão os preparativos do início do Festival?

— Está tudo perfeito e por sorte dentro do cronograma.

— Excelente.

Juliet colocou os brincos e o colar que sua mãe tinha lhe dado, enquanto caminhava até a porta. Maria a seguiu conferindo suas anotações na agenda. Perguntou: — Há algo aí para mim?

— Sim. O que acha de um encontro com o príncipe muíço no jardim?

— Encontro? — Deu uma parada na sua caminhada, fazendo com que a secretária, distraída, lhe desse uma trombada. — O que foi que disse? Está louca?

— Devo recusar então? — Perguntou sua secretária em seu tom mais inocente, as sobrancelhas erguidas.

— Sim — veio à resposta rápido.

— Será que detectei um pouquinho de antipatia?

— Detectou uma tonelada de antipatia. Eu teria que alugar um quarto no Delles para conter minha antipatia extra por Liam.

— Humm... E os preços dos aluguéis estão pela hora da morte devido ao festival.

— O que aumenta minha aversão por ele — caminhou diretamente para a sala de jantar e examinou a mesa.

Havia pratos de madeira envernizada dispostos sobre uma toalha de mesa, na versão patriota azul-escuro. No centro, um jarro de barro repleto de ramos de cornisos e narcisos silvestres. Uma olhada ao cenário, aos grossos cachos de uvas, aos pães variados, manteiga, queijos, bolos, presunto, leite, café, chocolate quente, rosca de polvilho, biscoitos e mel; assegurou-a de que receberiam um batalhão de pessoas para o café da manhã.

— Pelo visto alguns convidados ficaram no palácio esta noite.

Juliet resistiu ao intenso desejo de imergir um dedo em uma tigela de flan gelado, no instante em que a empregada voltava para a cozinha. Ela suspirou e disse:

— Terei que almoçar algo mais leve.

Sentou na cadeira ao lado da cabeceira oposta a deu seu pai, reservando a costumeira distância necessária, e esperou que os convidados chegassem à mesa, o que não demorou mais que cinco minutos.

Primeiro entraram o tio e conde João Mário, com os dois filhos gêmeos, Augusto e Gustavo. Ele era o irmão bonzinho do seu pai, como gostava de pensar a respeito dele. Possuía o mesmo tipo físico robusto do rei, mas sua cabeça era calva e rala, com barba aparada e o mesmo nariz marcante. Os seus primos gêmeos não mudavam muito em aparência, tinha a altura dos Gilberts, com os cabelos levemente ruivos.

Logo atrás vinha Iago Laurence, duque de Robin, título nobiliárquico em uso na Abele desde o primeiro bajulador rico do Conselho do avô, pai do seu pai.

Com as mãos no bolso, veio caminhando Airon Genevieve Menezes, um primo por parte de sua mãe em Bósnia, mas que negociava assuntos da família em Abele. Desde que sua mãe, uma bosniana convicta, e seu pai, um abelês tradicional, se uniram, ambas as famílias, os Gilberts e os Genevieves, fizeram grandes negociações. Airon mediava tudo.

Com o príncipe muíço vieram duas moças, engatados em uma conversação. Ignorou completamente o príncipe, se obrigando a esquecer da forma que se sentiu nos braços dele ontem à noite.

Para seu desgosto, Jeniffer estava presente também, e ainda teve a audácia de sentar-se na sua frente. Ela era uma mulher de beleza etérea, com cabelos cacheados negros emoldurando o rosto de boneca, e um corpo magro, com as curvas nos lugares certos. Jeniffer sempre vestia cores claras, como seu vestido azul royal nessa manhã. Nunca na vida, Juliet tinha lhe visto portar preto ou qualquer tom escuro. O que fazia um contraste estranho com o príncipe muíço ali a seu lado, sempre de negro pelo visto.

O designo de JulietHistórias para pegar e não largar. Descubra agora