Dolorido... Foi assim que Finn despertou de mais de um dos seus constantes pesadelos, a cabeça e o corpo todo doíam, e tudo o que ele queria é que aquilo parasse de uma vez por todas, ele sentou-se na cama com as mãos sob a cabeça e lágrimas nos olhos pela sexta vez naquela madrugada, ele só queria ter uma única noite de sono calma, sem problemas, sem pesadelos, sem se sentir sozinho. Finn estava cansado de estar sozinho, por mais que ele tentasse de tudo para não ser. Seu peito batia fortemente e a respiração lhe faltava, Finn não tinha muitos ataques de asma, mas aquele foi certeiro em si, muito mais pela dor psicológica do que realmente a que ele sentia no peito, elas se contrastavam e ele queria estar acostumado com tal, como sempre aparentou. Ele riu amargo limpando o rosto com o punho da camiseta de manga longa que usava, a mesma estava ensopada de suor, mesmo que do lado de fora fizesse frio.
Finn queria acreditar que a própria mente lhe pregava peças e ele estava certo, porque quando sua mãe entrou pela porta do cômodo, ele jurou ser Jack, ele quase até mesmo sorriu, mas tudo ruiu assim que ele piscou os olhos, Jack não estava ali e ele também não queria estar. Quando sua mãe sentou-se ao lado da cama, Finn trancou a respiração, ainda com o inalador na mão e lágrimas nos olhos, ela segurou a mão dele, ela queria dizer que estava tudo bem naquele ato, mas ele sabia que não estava e ela não queria ver o que estava acontecendo, porque era mais fácil culpar a escola ou ao pai dele, mas não a si mesmo, sim para a mãe de Finn, aquilo era tudo culpa do marido, e sempre seria, porque ela era uma mãe incrível que faria tudo por ele sem pestanejar, mas ela nem mesmo preocupou-se em abrir os olhos, e ele entendia isso, por mais doloroso que soasse, Finn entendia, que era melhor acreditar que não havia nada do que forçar a ter.
Ela viu o colar, o pingente sendo uma aliança de prata, ela não questionou, ela sorriu e disse que alguém tinha sorte por o ter, Finn sorriu e acenou com a cabeça, como se realmente aquela esperança fosse a única coisa que o mantivesse de pé, e era inacreditável como ele se apegava a essa sensação, ele não percebia, mas estava ali, era como estar se segurando pelas beiradas, porque escorregou, sim Finn havia escorregado, foi sem intenções e sem querer, mas ele escorregou e Jack não via, porque ele estava afastado da borda, e Finn acreditava que isso era bom pra um dos lados, mesmo que ele não soubesse que Jack tinha criado um próprio desfiladeiro de emoções e que se quisesse já teria caído muito antes de Finn, eles disputavam por uma vitória trágica e não sabiam disso, Finn se prendia a uma esperança, Jack à algo existencial.
Quando ela saiu do quarto, Finn respirou profundamente ainda sentindo o suave beijo que ela deixou em seus fios depois de tê-lo abraçado. Ele deixou-se cair na cama, olhando para o teto escuro do quarto, tentou pensar em algo que não fosse aquilo, mas tudo voltava para aquele momento, aquela sensação que ele não tinha a muito tempo, o braço coçava, as pernas ardiam e tudo lhe chamava para tal momento, a sensação era horrível e Finn não tinha voz para gritar, ele não se importou em erguer-se da cama com o pijama que usava e descer pela janela em um pulo, ele tinha que ficar longe do banheiro, tinha que ficar longe de si mesmo.
Ele corria pelas ruas escuras, não sabia quais horas eram, mas chutava algo como cinco e quarenta da manhã, ele só precisava fazer com que aquilo parasse, ele correu até não perceber para onde ia, mas ele riu nervosamente quando percebeu onde estava, Finn não acreditava em coisas que as pessoas diziam como destino ou almas gêmeas, mas ele acreditava naquele magnetismo que o levava até Jack, ele sentia e também sabia que o outro sentia, porque quando ele chegou no quintal de trás da casa, ele o viu na janela, Jack tinha o cenho franzido como se imaginasse coisas e Finn puxava o ar com força tentando normalizar a respiração, Jack abriu a janela, ele teria rido pela imaginação conseguir produzir uma imagem tão perfeita do mais velho, mas ele percebeu que era real quando o outro lhe acenou.
Finn tinha a respiração pesada e um pouco de folhas sob o cabelo, e ele acenou para Jack e agradeceu pelo mesmo não ter grades em volta do quintal, seria um problema ter que passar pelos seguranças das portas da frente, mas ele riu da incompetência dos mesmo de não vigiar a parte de trás, mas ele estava feliz por isso, e não esperou o próprio barulho chamar a atenção indevida, ele subiu pela árvore e entrou no quarto do outro. Finn parou de pé no quarto em silêncio, ele via Jack, Jack o via e isso já era bom, surreal de mais, porque não tinha ninguém lhe impedindo de olha-lo e isso já era maravilhoso, não tinha ninguém o mandando se afastar quando ele não queria.
Já estavam perto um do outro mais do que o suficiente, Jack tinha medo de toca-lo, Finn poderia desaparecer em um simples passe de mágica e não queria arriscar, mas ele sentiu Finn puxar-lhe com as mãos e lhe abraçar, ele conseguia escutar o som do coração do mais velho, ele sentia o tremor no corpo do outro e sentia o próprio tremor, como as lágrimas, foram semanas, meses, sem toca-lo, dias fingindo que ele era apenas alguém normal, minutos pensando nele e imaginando o por perto, segundos sentindo falta do toque, Jack agarrava a camiseta de Finn como se sua vida dependesse disso e realmente dependia. Eles vieram ao chão, abraçados e cercados pelos soluços e respirações doloridas. Finn foi o primeiro a se afastar e segurar o rosto do mais novo com as mãos, antes de lhe beijar os lábios.
Sentiram falta disso, como Finn sentiu falta daquele toque, da maciez, da sensação de liberdade, de Jack. Jack o agarrou pela camiseta o trazendo para mais perto, se isso era possível, eles estavam no chão do quarto dele, o cenário de sempre praticamente, eles gostavam de ficar ali, o chão de ambos quartos sempre eram a estabilização do pico, não tinha como cair dali, não tinha como sentir o tremor naquela posição, não tinha ninguém se segurando pelas beiradas, porque Jack havia puxado Finn e Finn havia lhe aberto os olhos, porque eles precisavam disso e era muito mais do que notas altas ou curativos da Hello Kitty, era muito mais do que isso. Finn deitou Jack no chão e deitou-se sob ele, olhando-lhe nos olhos.
— Eu te amo.
— É por isso que não posso ter você. — Sussurrou, levando os lábios até junta-los com o do outro.
— Você me tem Finn, e sempre vai ter. — Jack respondeu findando o beijo, ele acariciava os fios de Finn com a mão e olhava nos olhos dele.
— Eu te amo, e nada pode mudar isso. — Disse baixinho começando um novo beijo.
Jack não se importava com o que viria pela manhã, ele só se importava com Finn e com o agora.
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Save me
Fanfiction➳ fack Onde Finn Wolfhard quer ser salvo e Jack Grazer não acredita em seu próprio potencial;; - concluída - de minha autoria
