Capítulo 9 - Cave sua própria cova

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16 de novembro. Quinta-feira.

O choque de Pedro ao ler o caderno da Lucia foi mais intenso do que eu esperava. Contei para ele toda história de como aquilo foi parar comigo, contei a verdade. Pedro estava chocado, levou as mãos aos cabelos e ficou um tempão encarando a mata ao redor do internato. Fomos para um lugar isolado de todos os outros, bem perto de onde encontrei a cova cheia de cadáveres, tinha mais coisa ainda para mostrar a ele.

-O que vamos fazer, Rebecca?

Estávamos no meio de uma mata lendo um livro bizarro juntos, eram quase uma da tarde e fazia frio. Um posto policial foi colocado dentro das instalações da escola, agora atenderiam qualquer ocorrência com mais pressa. O caso de Roberta foi engavetado, suicídio é caso fácil para a polícia, constatam que a culpa foi toda da pessoa e caso encerrado. Ninguém veio falar comigo sobre meu nome escrito com sangue na lousa, disseram que poderia ser qualquer Rebecca.

-Tenho que te mostrar outra coisa.

Guiei Pedro pela mata, estava menos densa do que naquela madrugada. Atravessamos uma trilha cheia de pedras pontiagudas e descemos por uma estradinha de terra até chegarmos no local destinado. Olhei para Pedro, ele estava pálido, os cabelos presos em um coque, a barba já estava crescendo novamente.

-Terça-feira eu acordei de madrugada, mas eu não acordei do nada, tinha alguém jogando pedras na janela do meu quarto. Então fiz a coisa mais sensata.

-Ligou para a polícia?

-Não. Fui atrás da pessoa sem nada para me defender.

Pedro me deu um olhar do tipo: Essa é a coisa mais estupida que alguém poderia fazer.

-É, eu sei disso. Mas eu tinha certeza de que seja lá o que for não queria me ferir, não naquele momento. Essa "coisa" me trouxe até aqui. - Apontei com o olhar para um campo aberto logo a frente, parecia um terreno baldio cheio de raízes e barris virados no gramado. – Tem uma cova cheia de gatos mortos bem ali no meio.

Um arrepio tomou conta do meu braço quando apontei para o local. Como eu já esperava, estava coberto de terra, mas o que mais me assustou foi uma cruz feita de madeira, pintada de branco e rachada no topo, estava cheia de pregos e no topo uma boneca de pano com um sorriso no rosto. Pedro se aproximou e examinou a cruz, ele estava agachado com os joelhos encostados na terra gelada. Olhou para mim e traduzi aquele olhar, do tipo que viu algo assustador.

-Estranho.

Me certifiquei de que não tinha ninguém por perto, nenhuma moita se movimentou, nenhum galho se partiu, estávamos apenas Pedro e eu. Então fui até a cruz e vi que estava escrito: Aqui estão seus amores.

Me afastei da cova e da cruz.

-Faz tempo que você está sendo ameaçada? - Ele perguntou tentando disfarçar o nervosismo.

-Desde o desaparecimento dela, logo após eu começar a fazer perguntas.

Ele assentiu, a mão apoiada no queixo e olhando para a cruz. Parecia projetar algo para poder falar. Veio em minha cabeça o rosto de Arthur, aquele olhar assassino, eu com certeza não teria chances contra dois assassinos.

-Eu estou com medo, Pedro.

-Eu também.

-Foi Arthur que fez isso, tenho certeza que foi

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