30 de novembro. Quarta-feira.
As imagens giravam em minha cabeça formando um loop infinito. Saber que todas aquelas pessoas passaram por isso ao longo dos anos e permaneceram em silêncio, tendo de carregar esse segredo obscuro em seus corações, mas a pergunta que permanecia em minha cabeça era; O que falta? Eu já entendi, já me sinto pronta, quero saber a verdade. Estava tudo bem debaixo dos meus olhos, os sinais mais claros possíveis. Quando deitei para dormir aquela madrugada tive pesadelos terríveis, parecia que meu espirito tinha sido tocado por demônios, nesses pesadelos eu via Laura devorando o próprio bebê e Lucia enforcada ao lado de Arthur, Gohan, Roberta e Pedro. Eles riam de mim e eu não podia fazer nada.
Acorda.
Levantei subitamente, estava suava muito e sentia uma dor de cabeça muito incomoda. Salsicha veio ao meu encontro abanando o rabo. Peguei meu celular e vi que tinha perdido o dia de aula. Já eram quase três horas da tarde.
Vesti uma roupa mais relaxada. Fui até a barraca da Dona Zulinda que fica do lado de fora do internato. A barraca fica encostada no muro da escola para pegar a sombra, tem algumas mesas bem pequenas espalhadas e é tudo bem limpinho. Ela vende doces, salgados, sucos e um delicioso cachorro-quente, comprei um e me sentei de frente com o balcão. Ela puxou conversa comigo falando da situação política do Brasil e de como estava chovendo muito nos últimos dias, notei que ela tinha ainda algumas edições do jornal da escola, Arthur sempre deixa umas quatro com ela. Peguei o jornal para ler enquanto terminava de comer.
A notícia da capa era sobre o time de futebol do internato.
O Cachorrão da Primavera arrancou uma vitória emocionante do Estrela acadêmica. Os dois times se enfrentaram na tarde de domingo na escola Estrela do Sul, o embate foi violento contando com três expulsões, ao todo foram sete gols, quatro a favor do Cachorrão e 3 do Estrela acadêmica. Com essa vitória o Cachorrão avança para a final da Copa Regional e irá enfrentar seu arquirrival, o Porta-do-Sol. A partida final ainda não tem data definida. Por mais informações acesse nosso site.
Matéria escrita por: Luis Gonzalo.
Deixei o dinheiro encima do balcão e corri para o jornal.
***
Bati três vezes na porta do jornal, quem abriu foi um cara alto, meio gordinho, cabelos encaracolados e óculos.
-Luis? – perguntei.
-O próprio. E você é...?
Entrei na sala, ele resmungou fechando a porta e vindo em minha direção. Olhei ao redor e nada parecia diferente, os livros, cadernos e a bagunça. Luis tocou meu braço e disse:
-Você não tem autorização para entrar aqui, por favor saia antes que eu chame os inspetores. – A voz dele é bem aguda para um garoto desse porte.
Meu olhar foi intimidador, ele até deu uns passos para trás soltando meu braço.
-Cadê o Arthur? Ele nunca deixa de assinar o jornal.
Ele levantou a mão esquerda e coçou o braço direito.
-Ele saiu do jornal.
Tentei captar algum sinal de mentira em sua expressão, mas não conseguia enxergar nada além de medo.
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Fuja.
Mystery / ThrillerLucia Remis desapareceu nas imediações do Internato Primavera. Suas amigas estranharam, pois, todos seus pertences ainda estavam no quarto, elas ligaram para a polícia e o local virou um ninho de repórteres. Tudo indica se tratar de um sequestro. Re...
