Capítulo 15 - Revelações.

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25 de novembro. Sábado.

Meu celular tocava desesperadamente, Laura gritava comigo reclamando do barulho. Levantei e vi que já era quase uma da tarde, Laura estava fazendo o almoço, o cheiro entregava que ela fazia macarrão. Acho que desmaiei, não consigo me lembrar de ter deitado e dormido.

-Becca! - gritou Laura.

Meus olhos estavam cheios de remela, sentia meu corpo pesado e sujo, meus pés doíam muito, eu ainda usava o vestido da Leta, ele está completamente destruído.

-Sim? - Levantei da cama e meu celular caiu no chão fazendo som de tijolo.

Peguei-o do chão, ele estava reiniciando. Lembro que o celular estava no meu bolso, não encima da cama. Será que não foi um pesadelo? Fui até a cozinha, Laura estava manuseando as panelas e o forno, parecia bem concentrada e provava todos os ingredientes que via na frente. Ela estava de pijamas e quando me viu achei que ia cair para trás de susto.

Mas ela disse:

-Caramba, nem tirou o vestido. - Laura levou o dedo indicador a boca e o lambeu, depois molhou o dedo em um molho de tomate e repetiu o ato. – Vai tomar um banho.

Fiquei encarando ela por alguns segundos, minha cara estava inchada demais, achei que fosse explodir. Então fui tomar um banho gelado.

A sensação é muito boa, tomar um banho logo após acordar, a água escorria por meu corpo e eu me sentia purificada. Após o banho me enrolei em uma toalha e deixei o banheiro, me sentei em meu beliche e examinei meus pés. Estavam cheios de cortes terríveis, meus dedos passearam pelas feridas e cada uma me remetia a uma lembrança dessa madrugada.

O gato.

A casa.

O corpo.

A fuga.

A mensagem.

Abri a galeria do meu celular e vi as fotos. Estavam lá todas elas, o corpo, sangue, faca, tudo.

-Credo, que nojento. Não sabia que gostava de ver essas paradas meio gore - comentou Laura, ela estava ao meu lado segurando um prato de macarrão.

Puxei o celular para perto do peito, ela me olhou com estranheza e se sentou em seu beliche do outro lado, estava comendo o macarrão.

-Não vai comer?

Eu estava sem fome.

-Vou dar uma volta – falei e fui trocar de roupas.

-O que aconteceu com seus pés?

-Eu... machuquei jogando futebol. - Peguei minhas chaves, celular e documentos.

Tirei o vestido e joguei em um canto, vesti o uniforme da escola.

-Não tem aul...

Fechei a porta e deixei o residencial.

***

Disse para a enfermeira que eu tinha escorregado e machuquei meus pés nas pedras perto do riacho, ela me deu um enorme sermão enquanto passava uma pomada terrivelmente ardente em meus machucados. Depois enfaixou os dois e me deu um remédio para dor. Minha mão já estava melhor, o dedo continuava um pouco torto, mas eu não sentia dor. Apesar de insistir para ela não lançar no sistema ela o fez mesmo assim, pegou meu RA, digitou no sistema e depois imprimiu um formulário me fazendo assinar.

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