Como combinamos, fui para o quarto principal a pedido de Isaac, tomei meu banho e fui para cama e fiquei lá olhando para o teto pensando como em tão poucos dias minha vida havia mudado tanto, de tal maneira que ao olhar para trás, nem lembrava direito como era. O amor que eu tinha pelas minhas filhas agora, renovara tantas coisas em mim.
Olhei para a porta semiaberta esperando ouvir algum barulho. O quarto das meninas ficava entre o meu e onde Isaac estava e eu poderia ouvir qualquer chorinho que elas fizessem com minha porta assim. Mas naquele momento eu só ouvia alguns movimentos que Isaac fazia em seu outro quarto que também estava com a porta semiaberta, a luz estava acesa e eu vi um pequeno pedaço dele quando ele passou do banheiro para a cama, desligou a luz e deitou.
Olhei ao redor e tentei lembrar um só segundo dos momentos que tive ali. Todas as lembranças que eu tinha daquele quarto, era só minha e de Isaac. Priscila, poderia ter morado ali, mas não lembrava nada a ela. Eles moraram naquela casa apenas quando ela ficou grávida e nos seus últimos dias ela preferiu ficar no quarto de hóspedes e agora me pergunto, se ela sabia. Se ela sabia que se eu voltasse a ficar ali, naquele quarto, não lembraria dela ali. Olhei os lençóis limpos e novos. Algumas coisas haviam mudado, outras não. Sem sono, liguei umas das luzes do abajur me levantei devagar e abri o closet. As roupas de Priscila eram perfeitas e bem costuradas e ainda permaneciam ali, fiquei pensando o que eu iria fazer com elas. Tirei um de seus vestidos e fiquei olhando o quanto ele era bonito, devolvi e fui olhando cada um deles, até parar e ver um saco preto com algum vestido dentro, tirei devagar, pois era meio pesado e coloquei na cama, abri o zíper e de cara vi seu vestido de noiva.
- Uau! - Tirei do saco e o estendi de frente para mim. Ele era lindo. Perfeito. Moderno. Deveria ter custado horrores de dinheiro. Priscila como sempre tinha um bom gosto e fiquei me perguntando como é que na casa não haviam nenhuma foto deles, do casamento. Sorri imaginando a diferença do meu vestido de casamento para o de Priscila, o meu havia sido um vestido de florzinha que minha mãe havia comprado em algum Wal-Mart por aí e esse era perfeito. Devolvi para o plástico e guardei. Olhei os sapatos e todas aquelas joias. Eu precisava saber o que fazer com eles, com certeza daria um bom dinheiro. Eu poderia simplesmente vendê-las e fazer uma poupança para as meninas, eu poderia fazer um bazar para a Casa das Crianças. Ah, tem também a ONG que ela trabalhava. Voltei para cama colocando em mente que conversaria com Isaac logo pela manhã sobre esse assunto.
Acordamos juntos com o choro de uma delas, nos esbarramos no corredor e entramos no quarto. Dessa vez quem acordou primeiro foi Anne, mas logo Giulia se declarou acordada. Tomaram seus leites e voltaram a dormir, voltei para o quarto, cai dura na cama e só acordei com mais um choro as seis horas da manhã.
Estávamos tentando tomar café, quando Isaac falou:
- Será que daria para você ficar umas horinhas com elas, sozinha? Preciso ir ao escritório resolver algumas coisas, mas volto antes do almoço.
- Sim, claro.
- Se quiser à tarde, você pode ir resolver suas coisas.
- Tudo bem!
- Você parece cansada! - Ele falou me olhando do outro lado da mesa.
- Você não está muito diferente! - Olhei suas olheiras mais nítidas agora pela manhã.
- Filhos dão trabalho, gêmeos o dobro.
- Pois é! - Concordei pegando as xícaras e colocando na pia, comecei a lavar os pratos, quando ele segurou minha mão.
- Não lave esses pratos - Ele segurou a xícara que comecei a ensaboar - Acho que precisamos de alguém para nos ajudar. Você não pode ficar aqui sozinha com as duas e fazer os serviços de casa. Você trabalha em seu escritório também.
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Diversas formas do Amor
RomanceAssim que coloquei os olhos nele, me apaixonei. Eu tinha apenas dez anos, mas Isaac se tornou tudo o que eu mais desejava. Quatro anos depois, compartilhamos nosso primeiro beijo. Aos dezessete, descobrimos que seríamos pais. Nos casamos, cheios de...
