Uma nova amiga...ou mais do que isso?

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¥Passado uma semana¥

-Agora eu me lembro de tudo. Como estão Hugo e Mariana? – Lúcio perguntou angustiado.

-Apesar de tudo eles estão bem. Não se preocupe. - Afirmou Kanna.

-Que bom. – Lúcio disse aliviado. Ele levantou e sentou em cima da cama em frente da princesa que estava sentada numa cadeira.

- O que aconteceu depois...como eles reagiram depois que eu fiquei inconsciente?

-Eles ficaram preocupados é claro mas por hora esta tudo bem. Eles tiveram as memórias daquele dia apagadas.

Lúcio perguntaria se isso era possível mas depois de tudo o que viu já não duvidava de nada. Assim até que era melhor, com as memórias apagadas, Hugo e Mariana viveriam uma vida normal e o segredo dos Magicalls estaria oculta de novo.

-Como conseguem fazer isso? – Ele perguntou intrigado com o fato de os Magicalls conseguirem apagar memorias e colocar outras no lugar delas.

-É um encantamento. Somente o ancião sabe fazê-lo.

A princesa percebeu que Lúcio continuou tenso.

- Não se preocupe, temos Magicalls de confiança de olhos nos seus amigos.

-Que ótimo - Lúcio disse meio desanimado enquanto levantava da cama para esticar as pernas. Ele deu voltas no quarto observando toda a decoração e os objetos, até parecia que escondia algo. Por alguns instantes, o silêncio reinou no quarto.

A Kanna tentou puxar assunto: Desculpe, o teu nome é Lúcio, não é? Não te apresentaste.

Parecia estranho, mas Lúcio não tinha percebido antes como a Kanna era linda. Talvez porque antes ele enxergava-a como uma inimiga. Seja como for, qualquer desconfiança que ele tinha acerca dela ficou no passado.

A Kanna tinha uma beleza angelical, os seus olhos castanhos combinavam harmoniosamente com a sua pele. Os lábios dela pareciam ter sido pintadas com tintas vermelhas chamativas porém era natural, assim como tudo nela. O penteado que ela usava realçava a sua beleza.

-Sim. – Lúcio respondeu hipnotizado pela beleza da princesa.

A Kanna ficou sem jeito quando viu o modo como o rapaz observava-a. Com certeza ele não sabia ocultar os seus sentimentos.

-És muito linda. - Ele disse aproximando mais da jovem e encarando-a. - Eu não tinha percebido.

A princesa agradeceu timidamente e desviou o olhar.

De repente alguém entrou no quarto acabando com o clima. Era o médico que cuidou do Lúcio, ele e a equipe dele tinham saído de lá momentos antes.

-Fico contente por ver-te de pé e com saúde meu rapaz. - Ele disse.

A princesa ficou aliviada depois que o medico chegou pois ela estava envergonhada. Na verdade, nenhum outro homem tinha dito-lhe que ela era linda. Ela não os dava intimidade e o fato era que tão pouco tinham a coragem de flertar com a filha do rei da Tunteia.

A princesa aproveita a oportunidade e sai do quarto prometendo voltar mais tarde para levar Lúcio à um visita guiada pela Tunteia e levá-lo para conhecer a sua família.

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Como ela tinha dito, voltou algumas horas depois mais não encontrou Lúcio no quarto dele. Ela perguntou aos criados que estavam limpando o quarto mais nenhum sabiam do rapaz. Ela saiu a sua procura, perguntando à todos que cruzavam com ela nos corredores. Até que alguém disse-lhe que viu o jovem na torre. A Kanna subiu às escadas até chegar à torre mais alta do castelo. Afinal era verdade, ela tinha pensado que Lúcio fugiu.

O jovem estava contemplando a paisagem. A Tunteia situava-se num vale, rodeada por altos montes. A cidade era cercada por altos murros. Porém de onde ele estava conseguia-se ver para além dos murros; a fauna e a flora que mantinham-se intato. Da torre do castelo Lúcio viu a cidade inteira e todas as regiões vizinhas. A cidade era pacífica, as pessoas pareciam felizes e despreocupados. As crianças brincavam ao longe enquanto os homens jogavam um jogo de tabuleiro. As mulheres quase não se viam nas ruas, talvez porque estavam tomando conta da casa. A quietude do lugar combinava com aquele final de tarde.

A Kanna aproximou-se na ponta dos pés. Lúcio detectou os passos delicados da princesa e virou-se. Essa era a segunda vez que ele não a via como inimiga. Que linda!

-O que achas do lugar? – A princesa perguntou aproximando da janela da torre.

- Do castelo ou da Tunteia?

-Dos dois?

-Tudo parece perfeito porém tem coisas das quais não entendo.

-Quais? – Ela fitou os olhos no Lúcio.

-Como existem lugares como Tunteia e Thoern sem que os Não-Magicalls descubram? – Ele perguntou intrigado.

-Terras Mágicas... Tunteia, Thoern e alguns outros lugares do planeta são Terras Mágicas. Nenhum Não-Magicall pode pisar nela. São quase inacessíveis. Existem uma imensidão de terras inexploradas por os que não podem usar a magia, não porque eles não queiram explorar mas porque não podem. Os poucos Não-Magicalls que encontraram uma Terra Magica tiverem as suas almas roubadas por demónios e criaturas místicas.

-Aqui existem demónios?

-Um demónio eu nunca vi mas já vi muitas criaturas místicas que vivem depois das montanhas sagradas.

-Isto tudo parece um sonho. - Lúcio disse olhando para a paisagem na sua frente. – Lugares intatos pelo tempo em que as pessoas tem poderes mágicos e usam espadas e clavas para se protegerem. Castelos e vilas dos séculos passados ainda perduram até hoje. Humanos usuários de magia que vivem entre os humanos normais mas que não são percebidos. Me pergunto o que aconteceria se tudo isso fosse descobridos pelos Não-Magicalls?

-Os Não-Magicalls são seres que não aceitam a diferença. – Kanna preceituou – O dia em que a nossa existência deixar de ser um segredo, este dia será o início do fim.

Por algum instante Lúcio fica serio. A Kanna observava-o com os olhos cintilantes. Nenhum outro homem conseguiu despertar nela tamanha curiosidade. O Lúcio era misterioso e ela gostava disso. Porém a desvantagem era que o jovem era calado então era ela que tinha de puxar conversa.

-E os teus pais? Como eles são? ... Digo, eles são Magicalls, não são? - A princesa quebrou o silêncio.

Falar dos seus pais deixava Lúcio triste, eles morreram quando ele era criança e o seu tio quase não lhe dizia nada sobre eles.

-Eu nem tive tempo de pensar se os meus pais eram Magicalls. Eles deviam ser mas se eram, o tio também é. Isto soa estranho porque o meu tio é um Não-Magicalls. – Lúcio replicou. - Falando nisso o meu tio deve estar preocupado comigo, afinal há uma semana que eu estou fora. Eu preciso voltar para casa.

A expressão facial da Kanna mudou. Ela sabia qualquer coisa acerca do tio dele mas não contou. O Lúcio não aguentaria saber o que estava por vir. O seu tio era a sua única família. Por enquanto a Kanna não pretendia dizer nada.

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