Enquanto isso, longe dali, em Thoerns havia um clima estranho, não era somente o tempo que parecia triste, na masmorra do castelo de Góia, lugar onde Grande Sai vivia, havia um rei mantido em cativeiro. Este estava triste assim como a expressão do tempo e ele tinha como companheiro de cela Luiz, tio de Lúcio, que por sinal não era uma presença agradável, porque será?
Ele passou uma semana naquela cela pequena, escura e húmida, mas nunca se desesperou, sempre manteve o seu sorriso de canto da boca, pois ele sempre sabia que não ficaria muito tempo naquele lugar imundo. A sua estadia naquele lugar acabaria em breve, muito breve.
Os dias passaram rápido para ele e nem tanto para o seu companheiro de cela. Naquele pequeno espaço pairava ódio no ar, tudo porque o rei conhecia o Luiz de longa data.
- Confesso que até ainda não acredito que um rei não tem segurança no próprio reino, - Luiz disse sorrindo - espero tornar-me um rei melhor que você, Nerith.
- Pode acreditar Luiz que eu estou mais surpreso que tu pois eu jurava pelo meu governo que tinhas morrido.
***
Há alguns dias atrás, na noite em que Lúcio jantou com a família real de Tunteia e depois recebeu a notícia que o tio fora sequestrado, depois do jantar aconteceu o seguinte:
Três misteriosos homens, conseguiram infiltrar-se no castelo de Tunteia com ajudas de Magicalls traidores da pátria. Dois desses homens tinham uma aparência forte e o outro era mais novo e franzino, porem esperto e eles o chamavam de Yuti. Eles entraram com uma certa facilidade, pois eram habilidosos, usavam uma magia desconhecida que era invocada com palavras difíceis de pronunciar. Logo no pátio haviam três guardas reais, isso era tudo o que precisavam, disfarces.
- "OKU MAFU" - pronunciando essas palavras, os três homens ficaram invisíveis aos olhos dos guardas e os atacaram.
- Com seria bom se essa magia de invisibilidade não fosse temporária. - Disse Yuti enquanto vestia o uniforme de guarda.
- Assim não teria nenhuma piada infiltrar-se aqui nessa chafurda. - Disse o outro.
- KARTO NEMO SANZA- essas palavras fizeram aparecer um portal mágico onde eles arremessaram o corpo dos guardas através dela. Depois disto, eles passaram sem receio por outros guardas. Eles haviam copiado as faces dos guardas e usado para não serem descobertos. Se não tivessem feito isso seriam facilmente descobertos pois um dos homens era conhecido em Tunteia, ele era Granus. Isso mesmo, o desgraçado entrou na ativa de novo, executando mais um plano malvado, ele comandava aquela missão.
Caminhavam ao longo dum corredor quando apareceu-lhes Dungo, o chefe do exército tunteiano. Esse era veterano nas batalhas e percebeu que aqueles três tinham um comportamento diferente e dos outros guardas e só o fato deles estarem naquela área restrita era motivo para desconfiança. Porem antes que este tivera oportunidade de agir, os três indivíduos caíram sobre ele e o mataram. Wers, um dos três, copiou a sua face e eles prosseguiram.
Entraram no aposento real e encontraram Nerith sozinho.
- O que está acontecendo aqui? Granus como...? - Nerith ficou surpreso em ver Dungo junto com o traidor Granus.
- Sentiu saudades majestade?
- Dungo, o que significa isso?
Mal ele sabia que o homem que estava na sua frente não era Dungo mas sim, Wers disfarçado. Granus invocou a dimensão espelho e isso só podia significar uma coisa - uma batalha seria travada ali. Os três invasores pareciam confiantes mesmo sabendo que estavam prestes a enfrentar um dos melhores guerreiros que Tunteia já teve. Mas Granus , Wers e Yuti formavam uma bela equipe, eles eram grandes guerreiros e conheciam os ataques um dos outros e assim eram sincronizados.
A dimensão espelho que Granus invocou era muito forte para poder aguentar a energia deles porque senão este desintegraria ao fim de certo tempo de batalha. O ar pairava gélido.
- Deixem ele comigo. - Granus afirmou.
Granus parecia confiar demasiado nas suas habilidades magicas porque anos atrás ele não ousaria fazer frente ao Nerith. Algo parecia ter mudado nele, aquela postura, aquela confiança. Granus conjurou a clave e posicionou para atacar e nisso Nerith conjurou uma espada imponente e poderosa. Uma aura poderosa envolvia a espada conjurada. Uma energia poderosa encheu a dimensão.
- Essa espada parece ser uma boa arma mas, será que consegues vencer-me? - Granus indagou.
- De onde vêm essa confiança toda, Granus? - Nerith replicou.
- Já vais ver! - Granus exclamou.
Granus investiu um ataque forte contra Nerit, mas este defendeu com a sua espada. E, de seguida foi a vez de Nerith de atacar o inimigo mas este também defendeu com facilidade. Os dois lutavam sem cessar e Nerith parecia levar a melhor pois ele nem usava a sua força total enquanto Granus parecia estar esgotado. As duas lâminas chocavam uma na outra causando um barulho estrondoso no lugar.
Nerith levantou a sua espada e fez um corte pouco profundo no braço de Granus. Por incrível que parecia esta não era uma luta com os níveis ao máximo visto que ainda não tinham usado nenhuma das técnicas especiais. Os dois companheiros de Granus que assistiam atentamente ao confronto comentavam:
- Eles não estão usando suas técnicas especiais.
-Sim. Eles estão testando um ao outro. A verdadeira luta ainda não começou.
- Porquê Granus parece esgotado?
De súbito Nerith ficou ainda mais rápido e os seus golpes ficaram mais fortes. Ele conseguiu ferir Granus outra vez e...outra vez. Mesmo assim Granus não parecera preocupado. Ele continuou lutando. No ato ele invocou um escudo e assim defendia-se melhor. A ideia foi ótima e por isso Nertih invocou também um escudo. A luta continuava intensa e havia uma grande quantidade de energia envolvendo os dois lutadores. Uma energia magica.
Nerith lançou Granus para longe com uma poderosa energia que armazenara na sua espada. Granus foi pelo ar e caiu uns 15 metros de distância. Ele pôs-se de pé novamente e gargalhou.
- O que foi? - Nerith não intendia o motivo do riso mas, Granus continuava rindo sem cessar.
Wers olhou para Yuti e disse-lhe:
-Já era sem tempo!
O companheiro compreendeu bem o que Wers queria expressar e replicou:
- Acho melhor mantermos distancia.
Terminando de rir Granus pronunciou:
- HORUS TECUS.
Uma coisa extraordinária aconteceu. O chão ficou trémulo como agua e de repente ficou com o aspeto deste. Nerith afundou-se no chão mas Granus conseguia andar livremente como se o chão estivesse normal. Era difícil de crer mas Nerith estava afogando no chão de cimento. Granus usava magia proibida, essas técnicas foram banidas da sociedade magica, os livros que continham as informações de como usar essas magias foram todos queimados, ou pelo menos era o que se pensava.
Nerith continuava debatendo, tentando escapar da magia de Granus. Entretanto Granus congelou novamente o chão e Nerith ficou, tendo somente a cabeça de fora e o restante partes do corpo preso ao chão.
Nesse dia, Nerith foi sequestrado sem que ninguém soubesse, provando assim o poder do Granus e dos seus companheiros. Desde então ele ficou preso na masmorra do castelo de Goia juntamente com Luiz, e Granus disfarçado dele tomara o seu lugar em Tunteia.
***
- Só de olhar para te eu fiquei doente, és a pior espécie de pessoa que conheço! - Nerith exclamou olhando seco nos olhos de Luiz.
- Tu não vais continuar tendo o privilégio de ver a minha face, - Luiz disse com um sorriso no canto da boca - logo estarei longe desta pocilga e tu serás o meu prisioneiro.
- Como assim? - Nerith indagou, duvidando da palavra do homem.
- Tudo esta indo conforme o planejado. Espere e verás como eu vou pegar o trono de Thoern.
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Magicalls
FantasyExistem pessoas usuárias de magia que vivem entre nós desde os primórdios da humanidade - os Magicalls, porém aqueles que não usam magia desconhecem a existência destas. A descoberta deste fato poderá causar uma Guerra entre Magicalls e os Não-Magic...
