Existem pessoas usuárias de magia que vivem entre nós desde os primórdios da humanidade - os Magicalls, porém aqueles que não usam magia desconhecem a existência destas. A descoberta deste fato poderá causar uma Guerra entre Magicalls e os Não-Magic...
Lúcio abriu os olhos e a primeira visão que teve foi o teto. Tudo estava claro denunciando que tinha amanhecido. Ele virou-se na cama, levantou-se e olhou ao redor com um olhar enigmático, tudo por causa do sonho que tivera na noite passada. Aquele sonho, não parecia ser um sonho mas sim algo real. É normal um sonho parecer real mas aquele era tão real. A ideia deste ser real não parava de o perturbar. Ele passou a mão pelo rosto e nesse momento ele percebe que as suas mãos estavam negras, as veias tornaram-se negras e as unhas tinham crescidos ficando como enormes garras.
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Ao ver tal fato, ele assustou-se e assaltou-se para fora da cama. O seu coração batia rapidamente. Ele posicionou as mãos em frente do seu rosto para confirmar se o que via e na esperança que tal visão desaparecesse mas não aconteceu, aquilo era real. Com os olhos arregalados e trémulos ele observou-as e depois de meia hora nada mudou. E porquê mudaria? Com certeza essa é o primeiro estágio da metamorfose que transformaria ele num monstro. – Lúcio pensou. Mesmo depois de ter passado muitos dias depois daqueles pesadelos ele ainda lembrava e sentia medo de tornar-se uma aberração.
Ele apercebeu que alguém tinha deixado um par de luvas em cima da cómoda. Isto não devia ser coincidência. Sem pensar muito ele pegou-as e pareciam que cabiam perfeitamente na mão mesmo com as garras. Ele confirmou que o fato da luva estar ali no momento em que ele precisava ocultar as anormais transformações não era coincidência pois havia gravado nele um nome que ele conhecera: Beutanie. O sonho não era um sonho. As transformações, a luva com o nome Beutanie gravado nele provou que de alguma forma o contato com o Lúcifer realmente aconteceu.
Lúcio lembrou de algo que o fez procurar algo na gaveta. Ele vasculhou mas não encontrou o que procurara. De seguida, ele procurou no quarto inteiro mas também não encontrou. Nesse momento ele lembrou-se de procurar na casa de banho e correu em disparada, abriu a porta e encontrou um espelho atrás desta, era o que ele procurara. Ele pôs-se na frente do objeto que revelou-lhe o seu reflexo. Ao ver a Marca na sua testa, Lúcio sentiu medo e ao mesmo tempo feliz. Era como o Lúcifer disse, ele já podia ver a Marca. Daquele dia em diante ele poderia usar magias e lutar na causa contra os thoernes. A ideia de usar magias, era algo espantoso e com isso ele conseguiria libertar o tio do cativeiro. Naquele momento ele sentiu-se que podia ser útil.
Lúcio colocou as luvas para esconder as suas mãos que estavam com aspeto monstruos. Quando ele abriu a porta para sair do quarto, deu de caras com a Kanna que estava prestes a bater na porta. Os seus olhos cruzam-se. Kanna pensou que ainda Lúcio estava zangado com ela, ela abaixou o olhar porque sentia muito pelo fato de não ter contado ao Lúcio que o seu fora raptado. Mal ela sabia que Lúcio já a tinha perdoado.
Embora ele estivesse zangado com o tio, Lúcio ainda queria muito salva-lo das mãos imundas de Granus e Sai, pois ele ainda era a sua única família. Mesmo o tio tendo escondido dele coisas importantes.
Lúcio tranquilizou o coração de Kanna dizendo:
- Não te preocupes Kanna, eu já não estou zangado sobre ontem.
As palavras saídas da boca do Lúcio fez com que Kanna deixasse escapar um sorriso lindo.
- Vim convidar-te para tomar parte no café da manha, todos estão a tua espera. – Kanna afirmou.
Os dois dirigiram-se até a sala onde a família de Kanna encontrava-se à mesa. O Nerith, recebeu Lúcio carinhosamente, como sempre, assim como a senhora Yvis, sua amada mulher. Apesar de Nerith ter assuntos importantes para conversar com Lúcio, ele não o fez na mesa. Terminado de tomar o café da manha, Nerith levou Kanna e Lúcio para conversarem na sala do trono. Uma coisa intrigava Lúcio e ele não hesitou em perguntar na primeira oportunidade que teve.
- Desculpe senhor, eu não entendo esse medo dos Thoerns pois pelo que constatei a Tunteia tem mais pessoas e consequentemente mais soldados que a Thoern, tudo o que existe na Thoern é apenas um castelo e nada mais. Eles não tem números suficientes para fazerem frente à Tunteia.
-Que ingenuidade! – Uma voz masculina vinda da entrada da sala soou pelo recinto. Um homem caminhou em direçao ao Lúcio. Ele trajava uma armadura e uma capa, os seus olhos arregalados fitou nos olhos do Lúcio que tinha virado para olhar tal figura. Ele não era um qualquer. Os seus cabelos longos faziam-se à brisa enquanto ele caminhava.
- Desculpe, o meu nome é Dungo, o chefe do exercito tunteiano e garanto-te que a Thoern tem três grandes cidades situadas ao sul e sudeste do castelo de Goia, além dos pequenos vilarejos da região montanhosa de Recigio, concluindo, a Thoern possui pessoas suficientes que podem ingressar no exercito e fazer frente ao nosso exercito. – O homem disse com ar de superioridade.
- O que ele disse é verdade Lúcio. – Confirmou Nerith.
Lúcio desviou o seu olhar de Dungo e naquele momento reparou num jovem mais ou menos da idade dele que olhava para ele.
- Tivemos a informação de que os Thoernes estão atrás do Livro Negro, estamos aqui para discutirmos a jornada em busca desse artefato tão poderoso que poderá ajudar muito o lado que a tiver. - Nerith citou.
-É melhor mandar no máximo três pessoas atrás do livro para na dar nas vistas, tudo cuidado é pouco, os Thoerns não podem saber do jeito nenhum que estamos atrás do livro. – Dungo opinou.
- Como iremos encontrar o Livro se este encontra-se desaparecido e o seu paradeiro é um mistério? – Kanna indagou.
Nesse ínterim apareceu o Ancião, um velho sábio, diziam que os deuses falavam através dele. Se a velhice significa experiencia e sabedoria, com certeza o Ancião era o homem mais experiente e sábio da Tunteia, julgando pela sua aparência, pode-se dizer que ele tem mil anos. A sua pele desgastada e cheias de rugas, o seu cabelo e a sua barba muito compridas como se nunca os tinham cortado, tão brancas como a neve e os seus olhos acinzentados revelavam que este sofria de algum problema de visão. Tão velho como ele era, com certeza falta de visão não era o seu único problema. A sua voz saia da boca com muito esforço e mesmo assim era baixo.
- Em toda a minha vida, eu dediquei a pesquisar livros que me dissessem aonde é que estaria escondido o maior livro de magias de todos e até que em fim eu encontrei as coordenadas para o local. É uma terra mágica que fica longe de tudo e de todos e, é protegido por criaturas sombrias. A jornada não será fácil e o caminho perigoso.
- Eu peço a permissão, senhor, para deixar Yuti, um dos meus melhores, ir nessa viagem. Eu tenho a plena confiança nele.
O jovem revela-se saindo de trás do seu chefe. Era um jovem forte, de aparência física, demonstrava confiança na sua postura.
A equipe para a jornada foi formada em segredo: Kanna, Lúcio e Yuti. Todos demonstravam confiança no sucesso da missão. Entretanto, Ancião pediu que tirassem Lúcio da equipe tendo em conta que ele era fraco e não sabia se defender. Mas vendo que Lúcio queria muito ir nessa jornada o Ancião propõe que Nerith lhe desse uma semana para que treinasse Lúcio e os outros antes da jornada.