Eu estava vagando pela noite pensativo no que deveria fazer. Os caçadores estão se aventurando mais adentro da floresta do quê o costume. Poderá se tornar perigoso para nosso povo.
Meu pai, pelo menos acha isso. E quem sou eu para não obedecer às ordens dele? Com certeza eu seria dilacerado e teria todos os pelos de meu corpo arrancados. Então, aqui estou, patrulhando a floresta com meu amado pai. Sem sarcásmo nenhum, realmente eu o idolatro, ele nos salvou de muitos problemas.
Solto pequenos resmungos mentalmente, mas acho que ele foi capaz de me ouvir, pois me repreendeu.
-"Não acha que está reclamando demais para uma simples tarefa, Héctor?" - Rosna o lobo de pelagem castanha com alguns fios grisalhos.
-"Tem razão, me perdoe." - Peço desculpas e continuo caminhando ao seu lado, mas agora de cabeça baixa. - "Meu pai, qual o motivo dessas desavenças com os humanos? Por que os odeia tanto?" - Pergunto calmo, eu realmente gostaria de saber o motivo.
-"Não é óbvio?! Eles não são confiáveis! Ele matam por prazer e não respeitam nem um pouco à natureza! Alguns dos incêndios ocorrem por culpa deles! Quantas vidas não foram tiradas por homens assim?!" - Meu pai rosna alto parando à minha frente. Sou forçado a recuar para trás e abaixar o olhar. Ele se mostrava cada vez maior impondo sua presença para mim. Não tenho medo, sério, mas não gostaria de brigar com ele, não agora.
Não digo nada, pois quando me ergui para questiona-lo, recebi seu olhar de reprovação. Olhei para o lado.
-"Perdoe-me mais uma vez, meu pai. Não o questionarei mais." - Me sinto mal agora, meu pai é um lobo antigo, ele já viveu mais do quê eu. Deve ter motivos para odiar tanto os humanos assim.
-"Não se preocupe, filho. Entendo que tenha suas dúvidas." - Meu pai se aproxima e cheira meu focinho, estava se demostrando preocupado comigo.
Algumas vezes ele pode parecer duro, mas no fundo, é bom e se importa com todos. Voltamos a caminhar. Ao chegar em um campo aberto, entramos nele em silêncio e sempre atentos a qualquer ruído.
Claro, existem muitos campos menos perigosos e mais distante dos humanos, mas esse era nosso preferido, apenas por um motivo... Trocamos olhares significativos. Quando percebi, aquele velhote havia disparado em direção a grama alta, não me segurei e fui junto.
Os vaga-lumes começaram a voar à nossa volta com suas luzes brilhantes. Pareciam estrelas que haviam caído. Quando filhote, gostava de imaginar que elas vinham brilhar na Terra, para se mostrarem as estrelas do céu.
Eu e meu velho brincávamos como dois filhotes. Estávamos de patrulha? Sim, mas não é como se algum membro da alcatéia fosse repreender o alfa, né? Bem, só minha amada mãe... Mas é um caso aparte. E um pouco de diversão não mataria ninguém.
Rolamos naquela grama, até pararmos de barriga para cima um ao lado do outro, olhando os vaga-lumes acima de nós voando e se misturando com as estrelas. Solto um suspiro pensando se eu seria tão bom para a alcatéia quanto meu pai.
-"Filho, por que está tão abatido?" - Meu pai pergunta mentalmente olhando para mim, obviamente preocupado. Suspiro e abro o jogo.
-"Pai, não serei bom para a alcatéia. Eles precisam de alguém como o senhor. Não faço nem metade do quê você faz!" - Me viro de costas para ele, sinto ele se erguer e me encarar.
- "Filho, se está preocupado em ser um bom sucessor, não encare isso como um bicho de sete cabeças. Eu lhe ensinei as pequenas decisões que deve tomar para cuidar de nossa alcatéia, mas você terá de fazer sozinho as grandes. É um jogo de tentativa e erro." - Meu pai responde calmo.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Domando o Lobo Mau
WerewolfNo meio da noite, quando a lua brilhava ao céu noturno, dava-se para ouvir perfeitamente o barulho de uma respiração ofegante. Ela vinha de um jovem, que corria por sua vida sempre adentro à floresta. Ele corria por sua vida, pois desejava viver. Fu...