Morena

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Gabriel On

- Manda os vapor chegarem aqui, preciso passar as idéias neles - Digo e Diego me olha

- Tu já pediu o carregamento das droga? - pergunta olhando uma planilha

- Não tio, Felipe precisa trazer a contabilidade dos becos pra mim saber ue - Digo - Passo o rádio pra ele e pede isso - Peço e ele faz

Estamos jogando papo fora quando vejo tia Ju passar pela porta com os olhos vermelhos e uma cara de pavor

- Ow chefe, ela disse que é mãe do Diego - Um vapor diz ao lado da tia Ju

- Diego, teus tios Diego - Fala desesperada chorando enquanto vejo meu amigo a abraçar perdido

- O que quê tá pegando coroa? - Ele pergunta preocupado e eu dispenso o vapor com a cabeça

- Teus tios Diego - Diz desesperada - Assaltaram a mão armada no morro do alemão - O abraça desesperada e eu me levanto pegando o rádio

- Tô indo lá - Diego diz catando sua arma em cima da mesa e tia Ju vai atrás dele

- Ae muleque, chega aí - Digo no rádio e alguns segundos depois Samuel aparece segurando um fuzil

- Fala querido - zoa - manda o papo - senta na minha frente

- Preciso que tu fique aqui, vou dá uma força pro Diego - Falo pegando minha arma e minha carteira

- Jae patrão - Fala pegando o radinho

Monto na moto e saiu apressado pra casa de Diego. De fora já escuto o choro de tia Juliana e a movimentação de Diego. Entro sem bater pois já sou de casa.

- Que quê pego ze?! - Pergunto me sentando ao lado da tia

- Mataram meus tios - Ele diz com os olhos vermelhos - Eu quero eles morto Gabriel - Diz nervoso

- Calma rapaz,senta ai que eu resolvo pra você - Digo tentando o acalmar - Vou chamar os menino do corre pra descobrir quem foi - informo

(...)

1 mês depois

- Bora ranga porra, tô numa larica desgraçada - Diego diz terminando com o fininho que bolamos

- Tua cara nem queima, fumou minha maconha toda - Brinco e ele me mostra o dedo do meio

- Cê vai comer lá em casa de graça mano - Diego diz enquanto Felipe só rir

- Pau no seu cu filha da puta, vamo logo almoçar que agora eu que tô com fome - Falo pegando minha arma e o radinho.

Saímos da salinha e cada um sobe na sua moto. Descemos alguns becos até chegar na casa de Diego. No caminho alguns moradores me cumprimentam e eu aceno com a cabeça.

Descemos da moto sentindo um cheiro divino do lado de fora da casa.

- Porra, até bateu a larica agora - Felipe diz tirando a camisa

Solto uma risada pelo nariz caminhando até a entrada. Vejo as novas flores na janela da tia Ju e sorrio por sua coleção de plantinhas. Com a organização do morro, drogas e algumas invasões não tenho vindo aqui. Diego é como um irmão, consequentemente sua casa é uma segunda pra mim.

- Tá com cheiro bom mesmo - Diego comenta

Entramos em sua casa me fazendo perceber que nada mudou. Os sofás, a televisão, tudo no seu devido lugar. Entramos na cozinha onde Felipe já vai sentando. Sobre a pia a alguns legumes cortados e um tomate sem cortar por inteiro.

- Minha prima é deixa o fogo aceso - Diego diz desligando uma panela onde está o molho de algo

- Vou no banheiro rapidão - Comento sentindo vontade de mijar

Subo a pequena escada da casa de Diego e caminho pelo corredor. Estou distraído quando sinto alguém trombar em meu peito, com reflexo, seguro em ombros finos. Abaixo meu olhar e encontro uma morena de olhos castanhos claros porém vermelhos denunciando um choro recente. Ela me encara com certo pavor antes de se afastar segurando sua mão direita ontem vejo um corte escorrendo sangue.

- Vai com calma morena - Brinco dando um sorriso de lado - Cê tá bem? - Pergunto enquanto ela parece bastante assustada. Ela assente negando - Vem, vamo fazer um curativo na tua mão - Digo caminhando pra dentro do banheiro

Ela entra parecendo um animal com medo e se encosta na parede enquanto me agacho pra pegar a caixinha de remédio de dona Juliana.

- Tu é mina do Diego?! - Pergunto ainda fuçando o armário

- Não - Diz baixo, quase como um sussurro

- O que tu tá fazendo perdida por aqui? Tá sozinha no mundo invadindo casa garota? - Pergunto brincando me levantando com a caixa na mão

Me viro dando de cara com seus olhos claros brotando lágrimas que caiem sem parar sobre seu rosto pálido. A menina chora sem para me deixando num beco sem saída. Não sei como agir.

Me aproximo dela tocando sua mão machucada e tento ser o mais delicado possível ao passar o algodão molhado por ela.

Repentinamente seu choro cessa enquanto observa meu ato "carinhoso". Me afasto e pego um curativo colando sobre seu corte. Pego sua mão e levo até meus lábios dando um beijo olhando em seus olhos castanhos brilhando por conta do choro.

- Vai melhorar - digo baixo

- Obrigada - ela sussurra

A encaro de modo diferente. Quem é essa menina ?

- Ae GH, a comida vai esfriar cuzão - Diego grita do andar de baixo me trazendo de volta a realidade. Comida, eu vim almoçar.

- Já tô indo - Grito de volta - Fica bem bem morena - Digo antes de me afastar e sair do banheiro

A vontade de mijar até passou. Desço as escadas aéreo por esse "encontro" repentino.

- Que cara é essa? - Felipe pergunta quando entro na cozinha

- Que cara cuzão? - pergunto colocando minha arma sobre a mesa e tiro minha camisa, 40 ° do rio de janeiro não é mole não

- Cara de idiota - Felipe diz e mostro meu dedo do meio enquanto seguro o prato com outra mão

- Ae, talvez cês conhecem minha prima hoje, chamei ela pro baile, se pá ela aparece - Diego diz depois de dar uma golada em sua limonada

- Que prima? - Será a morena chorona?

- A mano, lembra daqueles caso dos meus tios, que assassinaram eles no assalto - Assinto - Eles tinham uma filha, ai ela ta morando ai, mais se isola real no quarto - Diz levando o garfo a boca com comida

- Entendi - me sento na mesa

Comemos trocando algumas idéias e assuntos sobre o morro.

- Patrão, os tiras tão aqui na entrada do morro, Carlos que falar com tu - João fala no radinho

- Jae, deixa só o grandão subir , tô marcando na boca - Informo - To subindo, Gonçalves veio pegar o dinheiro dele - Falo e Diego assente indo repetir a comida

A nova moradora do morro Onde histórias criam vida. Descubra agora