Rewrite the stars

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Tudo estava escuro e frio. Kara não conseguia respirar, não conseguia se mexer e, de repente, tudo o que ela conseguia escutar eram as batidas do seu coração desesperado. O sentimento de fraqueza, de solidão e de medo tomavam conta de si. Sua respiração começou a ficar descompassada, seu peito subindo e descendo cada vez mais rápido e a loira já não se lembrava de como manter a calma. Parecia que as paredes se fechavam ao seu redor, lentamente. O espaço ia diminuindo gradativamente, já não tinha como se mover ou para onde ir. Kara queria chorar, queria gritar, mas sua voz também parecia ter sumido, assim como toda a sua sanidade.

A menina ainda conseguia ouvir as últimas palavras de sua mãe, conseguia se lembrar dos brilhantes olhos azuis de seu pai e das explosões que tomavam conta do seu pequeno planeta. Tudo estava acabado, tudo tinha sido destruído. Havia agora apenas uma imensa escuridão ao seu redor e um pequeno espaço para respirar. Respirar. Kara já não sabia como fazer essa pequena tarefa. Tentou fechar os olhos e pensar em coisas boas. Tentou se lembrar de suas tardes com sua irmã Alex, tentou se lembrar de que nada daquilo era verdade e que ela estava sã e salva. Mas nada adiantava.

Claustrofobia. Uma palavra tão complicada para a kryptoniana pronunciar, porém ela a conhecia muito bem. Isso acontecia sempre dentro de elevadores, dentro da sala do interrogatório da DEO e até mesmo do seu próprio banheiro. Aquele sentimento de desespero, de prisão e de sufocamento. Parecia que seus pulmões entravam em curto. Alex havia a ensinado a respirar devagar e manter a calma, no entanto estava impossível. Kara conseguia ver algumas luzes passando ao seu redor, conseguia ver alguns meteoros colidirem com sua pequena cápsula e então... nada. Silêncio.

Vinte e quatro anos de silêncio.

— Kara... — Lena murmurou ao perceber que a amiga se mexia constantemente e murmurava coisas em uma língua estranha.

A garota soluçava e continuava a pronunciar palavras desconhecidas. Lena tentou agarrar uma das mãos dela, mas logo a loira se moveu e colocou ambas as mãos sobre o rosto em lágrimas.

— Kara, acorde — a morena sentou-se e puxou o corpo da outra para próximo do seu. Ela sabia muito bem como podia ser um pesadelo e o quão desesperador era — está tudo bem... você está a salva — passou uma das mãos pelos longos cabelos loiros enquanto a outra a pressionava mais perto do seu corpo. Lena a beijou na testa e a abraçou forte, tentando passar a segurança que sua amiga precisava.

— Eu estou sozinha... — Kara sussurrou ainda desacordada e afundou o rosto sobre o peito da outra.

— Shhhh — Lena pediu aos céus para que ela acordasse logo — você não está sozinha. Eu estou aqui e não vou a lugar algum. Está tudo bem, é apenas um pesadelo...

Aos poucos, a loira voltou a respirar normalmente e a morena não parou um segundo de mexer em seus cabelos. A sensação de perigo e fraqueza lentamente foi cedendo e Kara finalmente abriu os olhos, sentindo um corpo quente pressionado ao seu de forma protetiva e carinhosa. Ela conhecia aquele perfume, conhecia a maciez daquela pele e então se lembrou de onde estava. E de quem estava ao seu lado.

Lena Luthor. Sua melhor amiga.

Rapidamente, Kara se recompôs da melhor forma que conseguiu e tentou não surtar com aquela proximidade tão grande entre as duas. Não que fosse reclamar, mas ainda sim era estranho. Lena nunca fora a pessoa que iniciava qualquer contato físico com ninguém, até mesmo com os abraços delas no início. Depois, a morena começou a tomar iniciativa, a pedir e apenas Kara Danvers recebia qualquer contato físico da Luthor.

— Se sente melhor? — ela ouviu a voz da outra ecoar no quarto.

— Eu... er... me desculpe — falou envergonhada. Lena sorriu ternamente e limpou os resquícios de lágrimas do rosto de sua amiga.

Sing me to sleepHistórias para pegar e não largar. Descubra agora