Oliver Booth
Segunda, 10:53AM
Sentados em uma sala de espera, Harry e eu estávamos conversando sobre assuntos aleatórios, tentando fazer o tempo passar mais rápido.
Chegamos às oito da manhã, fizemos conexão em São Francisco, ficamos lá por quase cinco horas, por isso demorou.
Kylie está fazendo uma série de exames desde que colocamos os pés no hospital, não tivemos notícias desde então.
Harry: será que ela ouviu o recado? — muda drasticamente o assunto.
Suspiro.
Oliver: não sei, mas é bem provável.
Harry: eu deveria ter esperado mais um pouco — nega com a cabeça.
Oliver: mas não sabe se a Kylie conseguiria esperar. Por que ninguém fala nada? — levantei, cansado de ficar na mesma posição.
Harry: parece que te ouviram — faz o mesmo assim que o doutor se aproxima.
Dr. Johnson: são os acompanhantes de Kylie Foster? — assentimos — acompanhem-me.
O homem, que parecia ter por volta de cinquenta anos, segue por um corredor comprido até o elevador. Entramos e ele aperta o terceiro andar.
Dr. Johnson: ela está muito abalada, sugiro que fiquem ao seu lado — diz de repente.
Harry: o que Kylie tem?
As portas se abrem e o senhor avança por mais um corredor sem nos dar uma resposta.
Dr. Johnson: não façam perguntas sobre uma possível cura, falsas esperanças não irão ajudar em nada — abre a porta e permite nossa entrada. Harry quase corre até ela, dando-lhe um abraço apertado.
Suspiro. Estou sobrando.
Harry: o que você tem, gatinha?
Kylie: podem sentar? É muito difícil dizer isso.
Harry se acomoda ao seu lado na cama e eu deixo meu corpo na pequena poltrona que alí havia.
Oliver: diz logo — senti meus olhos arderem.
Kylie: eu já suspeitava, mas agora tive certeza... — abaixa o olhar.
Harry: o que é? — pressiona.
Kylie: câncer.
[...]
Eu morri, tenho certeza que o avião caiu durante o vôo e estou no meu inferno pessoal.
Foi doloroso demais ver o Harry chorando ainda abraçado com ela, não por estarem mais próximos, mas porque minha presença alí era completamente dispensável. Eles eram amigos de verdade, e eu só estou aqui por conhecer aquele magrelo desde o jardim de infância.
Kylie tem câncer de estômago, é maligno, sem cura, sem saída. Há metástase nos rins e fígado, causando ainda mais complicações em sua saúde. Ela tinha consciência sobre estar mal, mas não sabia que era algo tão grave.
Harry: eles vão começar com a quimioterapia ou vão operar?
Kylie: não vão fazer nada, isso só vai piorar minha qualidade de vida. Esquece, Harry — respira fundo, tentando parar de chorar.
Harry: não pode desistir! Me ajuda, Oliver — finalmente percebe que ainda estou no quarto.
Oliver: o que quer que eu diga?
Harry: alguma coisa — grita.
Kylie: parem com isso, vão acabar chamando a segurança.
Oliver: sinto muito, Kylie.
Kylie: só não quero que discutam — suspiro.
Oliver: não... Sinto por você estar doente — engulo o choro mais uma vez.
Harry: nós dois sentimos — reviro os olhos. Sempre querendo chamar mais atenção, típico de Harry Dawson.
Kylie: agora que tenho os dias contados...
Harry: não fala assim — interrompe.
Kylie: o médico encarregado disse que eu posso chegar a um ano se me cuidar. Um ano! Só um ano — fita o teto.
Oliver: então faça esse tempo valer a pena, tanto pra você quanto para as pessoas que te amam.
Harry: como você? — me olha.
Fecho os olhos e respiro fundo.
Oliver: Harry, você é meu melhor amigo, mas tem hora que só fala merda — levanto.
Kylie: onde vai?
Oliver: embora.
Dawson se manteve em silêncio, então realmente deixei o quarto.
Em um momento tão delicado ele decide lavar roupa suja?
Oliver: idiota — murmuro, saindo do hospital.
Tessa Steele
O tempo que meu pai me deu expirou, se passaram mais de oito meses desde que recebi a mensagem de Harry dizendo que as coisas ficaram difíceis, mas não especificou o motivo.
Tentei me manter forte, não só por mim, mas por todos ao meu redor, seria horrível que me vissem chorar antes de dormir. O que posso dizer do tempo que passou?
Lindsay chorou como um bebê faminto quando Christian voltou para Seattle, ela disse que não iria, mas sofreu muito, e ainda sofre. Meu contato com Kylie diminuiu para zero, ela até conversou comigo durante algumas semanas, mas depois simplesmente sumiu. Ainda falo com Oliver, apenas para perguntar do Harry, soube que os dois brigaram, mas não perguntei o porquê.
Eu comecei um curso de fotografia assim que o verão chegou ao fim, sempre gostei de registrar os melhores momentos e sinto que achei o meu caminho. Só não sabia que ficaria tão perdida.
Charles: filha? — entra no quarto.
Fecho o livro e giro a cadeira — está ocupada?
Tessa: estudando, mas posso fazer uma pausa. O que foi?
Meu pai senta na minha cama e tira uma caixinha de veludo vermelho do bolso. Dentro desta, havia um lindo anel de noivado.
Charles: acha que a Claire vai gostar? — sorri.
Meu coração acelerou rapidamente, tive vontade de chorar, fazia isso com frequência, mas apenas assenti com um enorme sorriso no rosto.
Tessa: ela seria burra se não aceitasse — o abracei.
Charles: Lindsay disse vai vir aqui mais tarde, quero fazer o pedido no jantar.
Tessa: fico feliz por você, pai — meus olhos enchem.
Charles: Harry ainda não ligou? — respiro fundo e nego.
Tessa: já perdi as esperanças. Vou seguir seu conselho.
Charles: se serve de consolo, eu nunca gostei dele — solto uma risada fraca.
Tessa: obrigada, ajudou — ironizo.
Charles: sempre que precisar estarei aqui — beija minha testa e sai.
É, Harry, parece que me enganei à seu respeito.
[•••]
Gente, o Oliver não é apaixonado pela Kylie, já foi, mas se afastou por ela ser namorada do Harry na época.
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Sunrise
Teen FictionEscritora: Maria • Responsável pela história: Anny +14 • Na véspera do meu aniversário de dezoito anos, minha melhor amiga só tinha três coisas em mente: me fazer perder a virgindade com o garoto mais gato da festa, beber até cair e, claro, ver o na...
