Tessa Steele
Sinto dores por todo o corpo assim que desperto. Foi uma experiência interessante, não diria boa por ter sido minha primeira vez, mas com certeza me sinto diferente. Sorte que o garoto não notou minha falta de experiência, devo agradecer o amigo dele por encher seu copo a cada dois minutos, nós dois estávamos tão bêbados que mal sei como transamos.
Solto um grunhido, espreguiçando-me, esfrego os olhos, para que estes se acostumem com a claridade e logo percebo com nitidez o quarto onde estou.
Tessa: sou. uma. garota. morta — digo, pausadamente.
A loirinha ao meu lado não se mexe, então bato com força em sua bunda, fazendo-a soltar um grito fino.
Tessa: como acabamos aqui?
Lindsay: minha mãe foi nos buscar, sei que seu pai teria um surto psicótico se te visse vomitando em uma lata de lixo — diz, com os olhos fixos na tela do celular.
Tessa: ele vai arrancar minhas tripas — suspiro. — Sabe que horas são?
Lindsay: já passa do meio dia.
Minha cabeça latejava e o amargo que sentia na boca só deixava tudo pior.
Tessa: preciso voltar ou a aventura de ontem terá sido em vão — levanto, mas sou puxada de volta.
Lindsay: não me contou como foi! — distribuí tapas em meus braços.
A empurro e me afasto.
Tessa: não me lembro direito, 'tá'? Só sei que foi bom.
Lindsay: só bom? — revira os olhos.
Tessa: e você com o amigo dele?
Lindsay: fui buscar bebida depois que vocês saíram, quando voltei, ele estava quase engolindo uma peituda — bufa.
Ouvi tudo atentamente enquanto vestia a roupa da festa, não podia voltar com outras ou meu pai desconfiaria.
Tessa: veja pelo lado positivo; não transou com um desconhecido — passo a blusa pela cabeça e a encaro.
Lindsay: de nada!
Solto um riso e saio do quarto, indo até o banheiro do corredor apenas para lavar o rosto e "escovar os dentes", utilizando o famoso truque do dedo.
Meu pai não é do tipo careta, sempre fui livre e nesse quesito não posso reclamar. A única regra é a proibição de bebida alcoólica e drogas.
Lindsay: já vai? — questiona, assim que volto ao quarto.
Tessa: sim, ainda preciso trabalhar — reviro os olhos e saio antes que ela me prenda ainda mais.
[...]
Com todo cuidado do mundo, mesmo sabendo que meu pai já estaria no restaurante, entrei em casa, com as sandálias na mão e prendendo o ar que circulava em meus pulmões.
Tranco a porta e agradeço por não ter feito barulho, mas não antes de me assustar com Charles parado a meio metro atrás de mim, fazendo-me soltar um grito estético.
Tessa: caramba, pai, quase me matou do coração — coloco a mão no peito.
Charles: assim sente na pele o que eu passei durante as horas que não atendeu o celular.
Suspiro, indo até o final do corredor e jogando minha bolsa na cama e as sandálias no chão.
Tessa: vou me arrumar e te encontro lá, tudo bem?
Charles: vai ficar fora da cozinha hoje.
Faço careta, mas reconheço que não ter ligado para avisar que dormiria na casa de Lindsay foi besteira. Então apenas assinto, pouco antes dele fechar a porta e deixar que eu tente curar a ressaca.
[...]
Após um banho gelado e um café forte, eu estava nova em folha.
Vesti uma saia jeans e uma camiseta preta, que servia como uniforme, e calço um par de tênis brancos.
Meu pai tem um restaurante perto da praia muito conhecido na região, que atrai turistas o ano todo, fora seus clientes rotineiros. Minha função é ajudar Tori, a cozinheira, mas como forma de castigo, Charles me coloca para servir as mesas de vez em quando.
Tessa: cheguei — deixo minha bolsa no armário dos funcionários e pego o avental, amarrando-o dobrado em minha cintura.
Charles: demorou — coloca o bloco de pedidos em minha mão.
Tessa: ainda precisei comer alguma coisa.
Ele beija minha testa e indica que comece logo o trabalho.
Caminho até uma mesa ao canto e vejo três rapazes entretidos com os cardápios.
Tessa: bem-vindos ao Bella'S, o que desejam? — fui gentil.
Um deles me olha rapidamente, causando-me um arrepio em toda espinha.
X: Tessa?!
A saliva trava em minha garganta, fazendo-me engasgar.
[...]
Meu coração batia tão rápido quanto o de um beija-flor, parecia uma banda local tocando dentro do meu peito.
Respiro fundo e disfarço minha expressão de surpresa com um sorriso.
Tessa: acho que se enganou.
X: não, é você mesma. Reconheceria esses olhos em qualquer lugar — levanta, ficando a centímetros de mim.
Tessa: está sendo incoveniente, senhor, vou pedir outra pessoa que cuide de sua mesa — me retiro.
Charles: o que faz aqui?
Tessa: não me sinto bem — coloco as mãos na barriga.
Charles: isso é para aprender a não beber feito maluca — toma o bloquinho da minha mão e volta para fora.
Sento perto do banheiro dos fundos e tento me controlar.
Tessa, foi só uma noite, por que está desse jeito? — me repreendo.
Tori: tudo bem?
Tessa: não, acho que vou vomitar.
Tori: posso te preparar uma vitamina. Sempre faço para meu filho quando o moleque bebe demais — sorri, tocando meu ombro.
Tessa: quero sim, obrigada.
Na verdade, o enjôo não é pela ressaca, e sim por ver o garoto do luau novamente.
Sem saber o que fazer, pego o celular e disco o número da Lindsay em menos de cinco segundos, a adrenalina estava fazendo meus músculos vibrarem.
Lindsay: não foi trabalhar? — atende no terceiro toque.
Tessa: sim, estou aqui.
Lindsay: então por que me ligou?
Tessa: Lindy, eu quero morrer! — sussurro.
Lindsay: o que seu pai fez?
Tessa: não é ele. Sabe o garoto da noite passada?
Lindsay: o seu ou o idiota que me rejeitou? — tenho certeza que revirou os olhos.
Tessa: o meu. Ele está aqui no restaurante, quase atendi sua mesa, mas saí correndo — disse rápido.
Lindsay: será que ele é local?
Tessa: não, seu jeito de falar é diferente.
Lindsay: então qual o motivo dessa crise de pânico?
Tessa: eu não sei, mas não consegui encará-lo depois do que aconteceu — confesso.
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Sunrise
Novela JuvenilEscritora: Maria • Responsável pela história: Anny +14 • Na véspera do meu aniversário de dezoito anos, minha melhor amiga só tinha três coisas em mente: me fazer perder a virgindade com o garoto mais gato da festa, beber até cair e, claro, ver o na...
