Capítulo 12 ☘

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Eu tinha feito um acordo com meu pai: ele podia dispensar a moça que vem duas vezes na semana para fazer faxina na casa, pois eu faria seu trabalho, em troca, ele deixaria eu curtir meu último verão antes de resolver o que farei da vida. Charles, como sempre foi muito compreensivo, concordou de imediato, o que foi bom porque assim aproveito o tempo com minhas amigas e Harry.

Tessa: pensei que não fosse vir — lhe dou um abraço.

Caroline: minha mãe me fez escolher quais roupas vou doar para caridade quando for para faculdade. E a Lindsay?

Tessa: está sendo interrogada pela mãe, ela não dormiu em casa, mas tem um álibi.

Caroline: qual?

Tessa: eu. Passou a noite aqui em casa, como estava chovendo, viemos para cá porque era mais perto — sorrio.

Caroline: não foi isso que aconteceu, foi? — deixa sua bolsa na cadeira ao lado da sauna.

Tessa: claro que não, mas ninguém vai provar o contrário, já que Christian e meu pai também passaram a noite fora — começo a limpar a piscina.

Caroline: seu pai está namorando? — solta um riso.

Tessa: a mãe da Lindy, acredita?

Caroline: sim, eles ficam fofos juntos — senta no gramado.

Tessa: Lindsay pode ser minha irmã postiça, vai ficar com ciúmes? — prendo o riso.

Caroline: tenho duas irmãs e um irmão, vou ficar bem.

Jogo as folhas recolhidas no lixo de fora e volto com a peneira para tirar a pouca sujeira que há no fundo.

Tessa: quando você vai? — entro no assunto.

Caroline: em dois meses, preciso ajeitar as coisas na república e conhecer meus colegas — sorrio triste. Vai ser difícil passar o resto do verão sem ela, sei que tenho a Lindsay, mas somos três, não duas.

Caroline: pensando no quanto vai sentir minha falta? — me olha sorrindo.

Tessa: exatamente. Só não se ache tanto, ruiva.

Caroline: tarde demais — rimos.

[...]

Lindsay: ... aí ele disse que quando chegou em casa me viu saindo! — conta, falando de Charles.

Tessa: por que ele mentiria? Meu pai odeia isso.

Caroline: vai ver ele quer te conquistar como padrasto — ri, dando um gole na cerveja que acabara de pegar no freezer.

Lindsay: ele me conhece desde pequena, Carol, não faz sentido.

Tessa: ou ele te viu saindo de outro lugar e preferiu evitar constrangimento — ergo uma sobrancelha.

Lindsay: não teria como, saí do hotel antes do amanhecer.

Tessa: com quem transou, Lindsay? — fui direta, ela deu de ombros.

Lindsay: um tal de Joey, muito legal, mas não merecia que eu tomasse café com ele — mergulha brevemente, molhando os cabelos.

Caroline: e você e o Harry? — me olha.

Tessa: dormimos juntos esta noite — sorrio.

Lindsay: dessa vez você lembra? — reviro os olhos.

Tessa: não bebi quase nada — saio da água e vou até área de lazer, pegando outra latinha.

Lindsay: ontem ou hoje?

Tessa: os dois — digo, dando um gole na bebida após ter aberto.

Caroline: você é louca — solta um riso.

Tessa: por quê?

Caroline: logo ele vai voltar para casa, o que vai acontecer? — suspiro e desvio o olhar, sem resposta.

Lindsay: assunto sério agora não, né, por favor.

Por mais que Lindsay fosse a melhor em fazer momentos constrangedores sumir, eu não ia conseguir parar de pensar no que vai ser de Harry e eu quando ele for. Tudo que eu queria é ter uma resposta.

[...]

Harry Dawson

Há dois dias que Tessa me evita, não atende o celular e nem está trabalhando no restaurante, começo a achar que ela se cansou do clichê "amor de verão" ou alguém colocou algo em sua cabeça teimosa. Não é difícil saber quem foi.

Harry: vai falar ou vou precisar te pressionar? — cruzo os braços, o encarando.

Oliver: do que está falando?

Harry: quero saber se falou com a Tessa depois da festa — meu amigo franze o cenho.

Oliver: não, nem a vi direito naquela noite. Por que está desconfiando de mim?

Harry: ela disse que me ligaria terça, mas não o fez.

Oliver: hoje é quinta, relaxa, cara, até parece que estão namorando — se joga na cama, mantenho-me calado, Oliver logo ergue o corpo —  pediu ela em namoro?! — grita.

Harry: não, ficou louco? Só estou preocupado.

Oliver: parece mais um namorado ciumento — liga a televisão e sintoniza em um jogo de basquete.

Sabia bem onde essa conversa ia parar e não quero, e nem vou, brigar com meu melhor amigo, então apenas saí do quarto. Estava mais do que incomodado pela ausência de Tessa nos meus dias, aquele sorriso realmente fazia falta...
Suspiro, refletindo sobre meus pensamentos.

Se ela já me causa tamanha abstinência com apenas dois dias que não nos vimos, imagina quando eu voltar para Califórnia? Manter um relacionamento a uma distância considerável já é difícil, imagina ter uma namorada com o oceano pacífico entre nós?

Coloco as mãos no bolso, pensando na possibilidade de uma visita à sua casa, sabia onde ela morava, minha memória é boa, mas se Tessa não quis fazer contato, provavelmente tem um bom motivo, ao qual eu estava determinado a saber.

Respiro fundo e começo a andar pelas ruas calorosas, com a cabeça mais quente por dentro que por fora.

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