21. Idas e Vindas...

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21. Idas e Vindas

Asahi on

Eu sabia que deveria ter deixado o serviço mais cedo. Mas o senhor Takahashi é tão gentil e me pagava um bom dinheiro pelas horas extras. E era sempre bem vindo qualquer dinheiro extra! Então por isso, que com apenas 11 anos estava trabalhando até às nove da noite. Mas, não imaginava que ao recusar a carona de meu bondoso chefe e andar apenas uma quadra fosse dar de cara com aquilo!

Estava caminhando calmamente quando avistei um beco escuro mais á frente e então ouvi. Risadas grossas de pelo menos três homens diferentes. Apressei meus passos querendo afastar-me o mais rápido possível daquele local. A voz de minha mãe dizendo que não deveria passar por lugares escuros ou desertos á noite ecoava em minha mente, como um lembrete de seus constantes avisos. Tinha acabado de passar pelo beco quando ouvi um berro rouco e senti meu braço ser agarrado.

PLIM PLOM... PLIIM PLOOM....

O som da campainha ecoando pela sala o acordou de seu terrível pesadelo. Há quanto tempo não tinha sonhos assim? Uns quatro anos talvez? Levantou-se do sofá limpando a testa coberta de suor, tentando ao máximo controlar o pânico e o medo. Arrumou suas roupas amassadas e foi atender á porta.

A última pessoa que esperava encontrar era Noya-san. Fazia quanto tempo que não se viam ou falavam? Dois meses desde aquele fatídico dia! Ficou olhando o ômega á sua frente, não saiu ou o convidou para entrar, queria apenas acabar logo com aquilo. Sua cabeça doía. Por que tivera aquele sonho? Fazia tanto tempo que pensou ter superado seu passado... Mas é claro que não, é exatamente por causa dele que ainda estou vivo!

_Que diabos esta acontecendo com você? -Quis saber o mais baixo, indo direto ao ponto, não aguentando mais o silêncio do outro. Olhando-o diretamente nos olhos, como se assim pudesse ver os recônditos mais obscuros de sua alma.

Asahi fechou os olhos brevemente, apenas para tentar aliviar a dor de cabeça que o incomodava nesta tarde e tentar não se perder na intensidade do olhar de Nishinoya. Não queria conversar seus infortúnios com ninguém, principalmente com ele! Não queria lhe contar nem mesmo o que havia dito há mãe, para que assim, ela pudesse resolver a questão da saída do clube. Ele não soube de onde saiu à coragem para encarar o ômega, mas endireitou seu corpo e forçou sua voz a sair firme e mordaz.

_O que você quer que eu diga?

_A verdade! Porque saiu do clube? E não me venha dizer que era por causa do último jogo, pois aquilo não foi sua culpa! Diga-me Asahi-san o que aconteceu? –Perguntou numa voz muito ameaçadora para um ômega tão pequeno e de aparência tão delicada. Qualquer um se assustaria com esse tom vindo de alguém considerado frágil por seu status, mas não Asahi, pois conhecia melhor que ninguém a personalidade de Yuu.

_Eu já falei que depois de ser constantemente bloqueado não consigo mais jogar. Essa é a única verdade que existe. Você veio aqui sozinho? –Indagou, ignorando o tom de voz dele, tentando a todo custo mudar de assunto. Sentia-se tão mal por ter que mentir... Mas, era necessário!

_Sim, não quis chamar Daichi ou Suga-san para virem comigo, eles já tem muitos problemas para resolver. –Ele quase suspirou em alivio, mesmo tendo ficado preocupado com quais seriam esses 'problemas' que seus amigos estavam passando. –Não fuja da pergunta! Não quer voltar porque eu disse que estava apaixonado por você? É isso, não é? Não precisa sair se este for o caso, eu entendo que não pode retribuir meus sentimentos, mas, por favor, volte a jogar. Minha suspensão acabou esta semana, mas não voltarei se você não estiver lá. Deixe-me jogar com você mais uma vez! –Completou com a voz falha não dando tempo de o alfa falar alguma coisa, virando-se e saindo rapidamente do local.

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