35. Voltando ao passado 2...
Kageyama on
Não sabia ao certo o que havia ocorrido. A admiração que Hinata mostrava por Asahi mexeu com algo dentro de mim. Quando percebi que ele foi atingido por ficar olhando e desejando ter as habilidades e o corpo do alfa, meu lobo rosnou irritado.
Não entendia aqueles sentimentos, mas a onda de raiva que tomou meu corpo estava incontrolável. Somente pude perceber duas fortes ondas de feromônios se chocando e reconhecendo-se, então, tudo escureceu...
Sentia meu corpo leve, como se flutuasse. Ao meu redor, imagens passavam como se fossem um filme, todas misturadas, mas era fácil separá-las. Eu reconhecia aqueles momentos, cada um deles. Era impossível não me lembrar dos pesadelos que me atormentavam. Tentei fechar meus olhos e tampar os ouvidos, não queria mergulhar naquele passado sombrio, mas era impossível, meu corpo não obedecia aos meus comandos. Tentei acordar mas não deu certo.
Sem ter outra opção, pude apenas esperar toda essa tortura psicológica passar. Implorando para que, dessa vez, o dano não fosse tão grande.
Lembranças on
Solidão. Apenas três sílabas. Com um impacto grandioso quando saía da boca de alguém. Com apenas nove anos, melhor dizendo, com seis anos, aprendi o que significava essa pequena palavra.
Minha infância foi roubada. A felicidade, posta de lado. Mesmo com aquela idade, não era burro á ponto de não perceber o que realmente importava para meus pais. Perdi meu lugar para uma pesquisa. Ela era grandiosa, ajudaria muitas famílias, mas para mim, nada disso importava. Queria aquilo que as outras crianças tinham, desejava aquela alegria, atenção, os momentos em família, mas nunca experimentei o gosto delas.
Permaneci o último na infinita lista deles. Mesmo sendo o primeiro em tudo, tentando mostrar o quanto era um bom garoto, não conseguia sua atenção, então, cansado de sofrer por algo que se mostrava inalcançável, desisti. Não correria atrás do impossível. Não mais! Aprendi, naquela tenra idade, a não precisar de ninguém. Não tinha amigos, colegas ou qualquer coisa do tipo. Era apenas eu...
Comecei a jogar vôlei por distração, mas com o tempo, fui me apegando ao esporte. Descobri-me um gênio do vôlei. Tornando-me titular no primeiro ano de prática. E, mesmo dizendo que não correria atrás deles, minha consciência ainda torcia por meus pais assistirem a uma das partidas, mostrando ser apenas um sonho distante e impossível.
Após fazer nove anos, algo inusitado aconteceu. Fiquei novamente até tarde no treino. Não era como se tivesse alguém para me receber em casa ou que se importasse com minha demora. Estava vindo despreocupado, quando percebi um movimento estranho em um dos becos da rua. Como qualquer criança curiosa, fui averiguar.
Meus olhos ficaram vidrados com a imagem repugnante que vi!
Três homens, alfas, estavam segurando uma criança, que aparentava ser um pouco mais velha que eu, suas roupas encontravam-se rasgadas, o rosto machucado, olhando-me em um desespero palpável. Aquela cena me irritou, despertando algo dentro de mim.
Lembrei-me das diárias reportagens falando como os alfas usavam seus feromônios para dominar os mais fracos, da imagem de meus pais assistindo-as com indignação, em como eles queriam, desesperadamente, arrumar uma forma de impedir aquilo, dedicando-se noite e dia em pesquisas e testes. O cansaço e a frustração eram sempre visíveis em seus rostos ao voltarem para casa tarde da noite. Essa mesma rotina seguia-se por anos, juntamente com minha raiva.
Foi como se despertasse de um sonho, não precisou de verdades ou explicações, tudo estava claro em minha mente. A culpa me corroeu, pois ali, olhando aquele garoto em agonia, percebi o quanto estava sendo egoísta.
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Amor Sem Limites
RomanceHinata tinha o desejo de ser como seu Ídolo, o Pequeno Gigante, mas no seu primeiro e ultimo jogo de vôlei seu time formado foi completamente massacrado, fazendo assim um grande rival, onde jurou o derrotar um dia. Quando descobriu ser um ômega iss...
