Nos dias que se seguiram Gabrielle evitou o quanto pôde os convidados do avô. Durante o dia era mais fácil, pois ficava na companhia de Rollo e da Senhora Blackmore, enquanto as conversações prosseguiam no grande salão.
A dama de companhia a incentivava a bordar, a caminhar com uma pilha de livros na cabeça e outras tarefas que competiam a uma lady e eram consideradas como inutilidades por Gabrielle. Ela queria ser uma lady, mas achava todas essas tarefas chatas e sem sentido. Afinal, porque ser uma lady implicaria em saber bordar e andar de forma regrada e pouco confortável?
As tardes eram reservadas para atividades prazerosas ao lado de Rollo. Eles cavalgavam pela propriedade e, quando estavam bem longe do ouvido de todos, praticavam tiro com as pistolas. Às vezes, pescavam. Ela lamentou o avô ter proibido o acesso à sala de esgrima até a partida dos convidados, porque ela adoraria praticar com as espadas.
As noites eram constrangedoras. Gabrielle era obrigada a vestir-se e a agir como anfitriã. Se intimidava na presença de Talleyrand e Fouché, nomes que a haviam aterrorizado durante a Revolução, em seus tempos mais sombrios.
Podia jurar que o duque inglês não gostava dela e não entendia o motivo. Afinal, nem mesmo se conheciam e, por sentir a aversão naqueles olhos verdes, ela não ficava à vontade na sua presença. Para piorar tudo, em atenção aos convidados, usava-se quase exclusivamente o idioma inglês, ao qual Gabrielle não estava acostumada.
Em condições normais, falar inglês não teria sido o problema mais grave. Nos tempos difíceis, em que viviam como fugitivos, Mascaron não perdia a esperança de que poderiam abrigar-se na Inglaterra e, por isso, sempre ministrava aulas para a neta sobre esse idioma, que ela aprendia com facilidade.
Além disso, a convivência com a Senhora Blackmore melhorou a conversação. Mas a fluência se esvaía quando ela olhava para o duque inglês de olhos verdes intensos. Se tentasse falar, gaguejaria até o silêncio. Por isso Gabrielle não largava de sua dama de companhia, que adorava tagarelar, em cada minuto em que ele estava perto.
___Senhora Blackmore fala por nós duas___Gabrielle explicou para Rollo, que estranhou os silêncios da amiga e se manifestou sobre isso nessa tarde de lazer.
Ao responder, da beira do talude, Gabrielle fitou as águas do Sena e a fortaleza arruinada de Gaillard.
Rollo, deitado sobre uma pedra grande, mastigava uma folha seca de grama. Os cavalos estavam amarrados em árvores mais afastadas da margem perigosa.
___Eu que o diga!___Rollo diz___ninguém consegue pronunciar uma só palavra quando ela abre a boca___continua e ri, ainda mascando a folha seca e se levantando da pedra___se ela mencionar outra vez aquele lugar onde nasceu...
___Bath___Gabrielle diz, segurando o riso.
___Isso mesmo!___Rollo diz, alto___se ela tocar novamente nesse nome, sou capaz de estrangulá-la. Ainda bem que ela voltará logo para...Bath___se deita de novo na pedra.
___Sim, quando eu for com vovô para Paris___Gabrielle diz e se entristece ao pensar que eles teriam de tomar rumos diferentes. Rollo iria para a academia militar e ela teria de assumir sua posição na nova sociedade francesa.
___Isso se dará mais cedo do que está pensando___Rollo diz.
___Como é?___Gabrielle pergunta, se lembrando da promessa do avô de deixa-la mais algum tempo em Vigronde.
___Pelo que se comenta, a paz poderá ser rompida em breve, algo a ver com Malta___Rollo diz e dá de ombros___é apenas uma questão de tempo e nossos países estarão novamente em conflito. A Senhora Blackmore não vai querer ser apanhada atrás das linhas inimigas.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Angel [Harry Styles Fanfic]
FanficCornualha, Inglaterra, 1803 Ele estava em busca de vingança. E acabou encontrando o amor... No passado Harry Styles presenciou, em uma prisão francesa, um espetáculo de horror cometido pelo povo histérico. Testemunhou sua madrasta e sua meia irmã se...