A maresia estava flutuando sobre as cabeças. Crianças corriam pela areia, espalhando a poeira que voava de suas solas. Na beira da calçada, a fumaça do churrasco não era suficiente para apagar o azul do céu. Mesmo com toda a felicidade e conforto da praia de Haeundae, Minseok ainda estava sentado na areia, achando tudo aquilo inútil.
Nunca conseguiu entender o que de tão atraente as pessoas que ele amava viam naquele clima. A areia quente, o sol que queimava o seu rosto se fosse descuidado (o que sempre era), o cheiro da água salgada que invadia suas narinas e o fazia sentir sujo a todo momento. Não tinha nada de realmente atraente. Isso o irritava.
Encolheu suas pernas quando viu a silhueta de Yixing se aproximando. Tinha ligado para o amigo há poucos minutos simplesmente porque não queria ficar sozinho naquele dia. Yixing acomodou-se ao lado dele na canga, o abraçando de lado e beijando o topo de sua cabeça. Ele sabia exatamente como Minseok se sentia.
Essa era a maior qualidade do Zhang. Ele nunca perguntava; apenas demonstrava que estava ali e nada mais. Passava todos os sentimentos que queria sem dizer sequer uma palavra.
— Eu deveria estar no trabalho agora. – Minseok começou, finalmente quebrando o silêncio.
Os dois corriam os olhos pela beira do mar, vendo as ondas se formando em ordem. Tudo perfeitamente cronometrado pela natureza.
— Mas não está.
— Não estou.
Essa conversa fática, tão óbvia quanto confortável, não trazia surpresa. O conforto era o que os dois gostavam.
— Acho que eu não quero mais essa vida.
— Que vida?
— Essa. – Apertou-se mais dentro do abraço de Yixing, tentando formular o que dizer sem que parecesse que estava sendo dramático. Ele odiava, mais que tudo, ser dramático. — Sabe, o meu emprego, o lugar que eu moro, minhas escolhas da vida... Nada disso foi pelo meu querer. Sempre foi por outra pessoa... E eu acho injusto pensar no Jongdae só como uma pessoa que foi, acho injusto reduzir ele a uma memória, a um corpo morto. Ele é mais que isso. Entende?
— Sim. Você quer mudar a sua vida e encontrar a si mesmo, mas não quer que o Jongdae desapareça ou vire só passado.
— Exato. Você está completamente certo. E isso me mata. Céus, como isso me mata. – Soltou-se do outro, colocando as mãos na cabeça. — Eu só tenho uma chance, Yixing. Eu percebi que em todo esse tempo, eu só tinha uma chance de viver. Eu condenei a única chance que eu tinha de viver pra ser a vida de outra pessoa.
Yixing apenas olhava para ele, mesmo que Minseok não retornasse. Queria sentir algo, qualquer coisa que denunciasse o que ele realmente estava sentindo.
— E quer saber? Eu não me arrependo de ter sido a vida do Jongdae. Mesmo que ele tenha vivido tanto tempo a mais, mesmo que tenha pegado todos os anos que ele esteve respirando de mim, como se sugasse a minha própria vitalidade, eu não dou a mínima. Porque eu vou viver o que me sobrou da melhor forma.
— Então você entendeu exatamente o que eu quis dizer com renascer.
— Você nunca torna as coisas fáceis para mim. Poderia apenas ter me dito desde o início.
— Se eu tivesse dito, você não acreditaria. – Riu com o nariz, e Minseok fez o mesmo.
— Você me conhece bem.
O mais velho brincava com seus pés, enquanto Yixing analisava a paisagem. Minseok estalou a língua no céu da boca, prendendo a atenção do Zhang.
— Eu vou abrir um café.
— Oi?
— Vou vender o meu carro, largar o escritório e abrir a porra de uma cafeteria. Foda-se, Yixing. Vou seguir o meu sonho de verdade.
— E então?
— Então que não importa. Chega de planejar. Eu vou fazer o que sempre sonhei em fazer, porque se teve uma coisa que Jongdae me ensinou, foi que a gente sempre tem que seguir os nossos sonhos.
— Você tem razão.
— Eu nunca estive tão certo e errado ao mesmo tempo. Céus, eu vou fazer isso agora mesmo. – Levantou-se da canga, estendendo a mão para Yixing, que fez o mesmo. — Amigo, você se importa se eu não te der uma carona de volta pra casa? Eu meio que vou vender meu carro.
— Eu pego um Uber.
— É por isso que eu te amo. – O abraçou e ficou na ponta dos pés para dá-lo um beijo estalado na bochecha. — Prometo que vou orgulhar você, seu chinês genial.
— Chinês genial? Esse é novo. Gostei. – Sorriu, sentindo seu celular vibrar no seu bolso. — Tchau, me ligue antes de fazer qualquer loucura.
E Minseok piscou para ele, denunciando que seus créditos acabariam caso ele fizesse isso. Eles tinham desenvolvido esse tipo de conversa em silêncio, sabiam exatamente o que queriam dizer antes mesmo de dizer.
Yixing esperou Minseok se afastar um pouco e atendeu seu telefone, sorrindo ao ver o nome do contato. Mordeu os lábios, ansioso, e colocou o aparelho em sua orelha, admirando a voz baixa e suave que soou do outro lado.
— O-Oi, professor-- Yixing... – A voz de Junmyeon estava ofegante, com um pouco de vergonha em seu tom. O Zhang achou isso adorável.
— Oi, Jun. Aconteceu algo?
— Não, eu só... Eu queria te ver... Você está muito ocupado hoje?
— Não realmente. – Pôs a mão livre no bolso, com os olhos grudados nas ondas do mar. Jun suspirou aliviado. — Você quer sair comigo, é isso?
— Sim...
— Então peça.
— O-Oi? – Travou por um momento, sentindo o peso na voz de Yixing.
Ele queria que Myeon realmente demonstrasse interesse, e fosse mais aberto consigo. A partir de hoje, deixaria de ser a pessoa que sempre está correndo atrás de Junmyeon. Depois de ter sido negado, aprendeu que não deve ser influenciado pela situação do coreano, e que deve pensar em si mesmo também, e não só nos outros.
Isso foi um grande crescimento individual para Yixing. Estar no meio de toda essa situação, mesmo que não estivesse diretamente relacionado à ela, o fez crescer como pessoa. Perdendo duas pessoas próximas pelo mesmo motivo, aprendeu que a vida é curta demais para não se amar em primeiro lugar, antes de amar outra pessoa.
— Peça para sair comigo. Eu quero ouvir um pedido, Junmyeon.
— Ah... – Respirou fundo, sentindo seu rosto queimar. Jun havia passado por um momento difícil para conseguir coragem até que ligasse para Yixing, e o chinês fazia questão de dificultar. Bem, era justo. — Você quer sair num encontro comigo? O mesmo restaurante que nós fomos no dia que nos conhecemos, quero dizer... Eu vou te buscar e... Você não precisa ir se não quiser... Eu só estava esperando te ver...
— Eu vou. – Cortou o longo discurso de Jun, fazendo a linha ficar em silêncio por um instante. – Tá tudo bem?
— Sim! Eu só fiquei com um pouco de receio de você negar... – Sorriu, se coçando de nervosismo e brincando com os nós dos dedos. — Eu não saberia como agir.
— Sei bem como é essa sensação. – Respondeu indiretamente. — Preciso ir. Até mais tarde. Eu te mando meu endereço.
— Tchau! Até mais!
Junmyeon estava esperançoso, sem conseguir parar de olhar para o seu celular, prendendo o lençol da cama entre os dedos. Ele havia machucado o Zhang, de fato, porém estava disposto a recompensar tudo isso. Não deixaria mais as coisas felizes escaparem pelos seus dedos.
Precisava estar forte e ser alguém melhor porque, dessa forma, iria ser alguém melhor para as duas únicas pessoas que tinha: Minseok e Yixing.
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seu modo de andar [ sulay ]
FanfictionKim Junmyeon era um nadador profissional apaixonado pela água. Nela, encontrava seu refúgio e os problemas eram levados pelo azul da piscina. Até que, depois de uma lesão séria em uma competição e uma infecção oportunista, ele teve que ter uma das p...
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