tiffany

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Minseok batia o pé no chão. Detrás da mesa da sua sala de consulta, brincava com o martelo ortopédico e mexia hora ou outra nas luvas, as deixando perfeitamente alinhadas. Essa andava sendo sua vida por anos e anos, uma mesa em um emprego que ele sequer gostava, mas agora qual era o motivo?

Poderia ser um pássaro livre para voar, largar tudo e recomeçar a vida. Mas não, Minseok sempre foi uma pessoa muito pé no chão e aprendeu a amar a rotina. Qualquer mudança grande o assustava a ponto de se esconder no pacato e no racional. Olhou para o relógio mais uma vez, era ainda de manhã. Tinha pegado um hábito de fazer horas extras e agora sequer sabia qual era a carga horária de um funcionário normal. Não procurava saber, pois já era tarde demais para mudar seus hábitos.

Seu celular começou a tocar, o despertando do silêncio e das viagens traiçoeiras de sua mente. Ele o tirou da bolsa, curioso. Quem estava ligando? De fato, não era comum que recebesse qualquer ligação. Não tinha amigos e seus familiares: mesmo que tivesse conhecido os biológicos, não eram presentes, afinal. Claro, por que iriam querer saber dele depois de o abandonarem em um orfanato? Isso não era algo que realmente o incomodava.

Viu o contato no display e surpreendeu-se. Não ouvia esse nome há três meses. Um sorriso se formou em seu rosto, involuntariamente.

— Professor Zhang, alô. – Seus dedos batucaram a mesa. Conversar com ele era estranho, pois havia sido acidentalmente envolvido em toda a confusão. Além de que, quando estava conversando com alguém que tinha carinho por Jongdae, sabia que esse assunto ou o clima estranho viria a tona.

Minseok também sempre achou Yixing estranho e agora soltava um riso interno, pensando no quanto ele era estranho até por telefone.

— Bom dia, Kim Minseok. Faz um tempo. – Uma respiração pesada e metalizada por parte do Kim foi ouvida.

— Sim, faz um tempinho. Acho que a vida só seguiu o seu curso.

— Como um rio?

— Não acho que seja. – Yixing, da sua casa, torceu a sobrancelha. — Nossas vidas nunca correram em um sentido só. Estão sempre mudando e chega em um momento que se separam. Não é exatamente como um rio.

— Então você diria um mar?

A voz pelo telefone do Zhang intensificou a rouquidão e vacilação dele ao dizer isso. Minseok não ficou ofendido, apenas concordou com ele com um resmungo.

— Igualmente cruel. – O mais velho balbuciou. — Posso ajudar você ou ligou apenas para conversar?

— Nós ainda somos amigos, eu acho. O dia que nos conhecemos foi importuno, porém eu te considero bastante, Minseok.

— Isso é uma declaração de amor?

— Sim, Minseok. Eu te amo, desculpe por não conseguir segurar isso. – Falou, tão sério que até saiu engraçado, e os dois riram juntos no final.

Surpreendentemente, estava sendo confortável conversar um com o outro. Eles haviam criado um laço que só uma tragédia poderia criar, tão bom quanto inacreditável.

— Está aproveitando para trocar de amores por não ter concorrência?

— Junmyeon só me trás uma concorrência, e é ele mesmo. – Falar esse nome de novo, para Yixing, o causava algo no peito. Um aperto que o fazia bater desesperado.

— Vocês se falaram depois do acontecido? – Ele ficou com um pouquinho de receio de perguntar, e se arrependeu quando ouviu o Zhang puxar o ar com força e trocou de posição.

— Não. Vocês se falaram?

— Uma vez. Semana passada ele me chamou no meu horário de almoço e me explicou tudo que aconteceu.

seu modo de andar  [ sulay ]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora