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Cada farol. Cada rua. Cada pessoa. Cada carro. Cada respiração. Levi estava entrando em um ataque de pânico e não sabia como parar. Seus pais estavam atrás dele? Ele olhou pelo retrovisor, nada. Acelerou um pouco mais seu carro ganhando mais velocidade, quando seu sábado havia ficado tão ruim?
Seu celular ganha vida em um vibrar nada melodioso, olhou rapidamente o visor " Hange ", atendeu no mesmo segundo.
- Fala - Soltou enquanto virava em um rua, ele pode ouvir os pneus de seu carro derraparem no asfalto.
- Vamos para as docas hoje - Ela informou o amigo. As docas eram o segundo melhor lugar da cidade, durante o dia era uma doca como qualquer outra, mas durante a noite, jovens e alguns adultos as usavam para festas - Seria legal se você fosse.
- Eu vou - Ele respondeu enquanto parava seu carro próximo a um lugar que havia se tornado comum para ele naqueles dias, e somente quando o motor já não fez mais barulho algum Levi sentiu a dor imensa em seu braço e soltou um gemido silencioso de dor já que não queria que a amiga o questionasse naquele momento.
- Ótimo! - A amiga comemorou do outro lado da linha - Até mais tarde! E leve o garoto Levi, eu quero conhece-lo!
O garoto não respondeu nada e desligou o telefone soltou o celular em cima do banco do carona e colocou sua mão livre sobre o braço dolorido, soltou um palavrão e retirou a mão de forma rápida. Provavelmente uma torção, mas poderia ser muito pior e a última coisa que Levi gostaria de fazer naquele dia era ir a um hospital. Olhou para os lados algumas vezes antes de sair de seu carro e andar até a porta da casa de seu recente amigo, deu duas batidas na porta branca com o número 221 pregado de forma muito bem pensada, com o braço bom e para sua sorte, não demorou tanto para que o garoto atendesse a porta.
- Levi? - Perguntou Eren de forma assustada e surpresa. O jovem nunca imaginou que Levi seria capaz de ir até sua casa, e ainda por cima sem qualquer aviso prévio - O que faz aqui?
- Pirralho... - A voz de Levi foi embargada, mas ele se recusaria a chorar perante a Eren e parente a qualquer pessoa, ele poderia fazer isso quando se encontrasse sozinho de novo - Eu tô ferrado.
- Entra - Eren não o seu muita opção já que o puxou para dentro de sua casa e fechou a porta em seguida.
O jovem pegou as chaves que Levi carregava em uma de suas mãos e as jogou em cima da pequena mesinha de carvalho no centro da sala. Ambos se sentaram no sofá, Eren pegou o controle e mutou a maldita televisão que falava sobre o presidente Trump e suas ideias estúpidas. Levi permanecia com um olhar baixo e Eren não suportava o silêncio dele.
- Levi.... - O jovem segurou uma das mãos do mais velho, o mesmo soltou um gemido de dor, mas não afastou a mão - O que aconteceu? - Eren tentou usar a voz mais calma que conseguia, isso acalmou um pouco os ânimos de Levi e mais uma vez, ele quase cedeu as lágrimas.
- Eles voltaram - Disse em um fio de voz, não ousou olhar para Eren, apenas continuou a observar o chão de cor escura que a casa possuía e que contrastava com a cor da maioria dos móveis.
- Quem? - Entrelaçou seus dedos com os do mais velho, o incentivando a continuar falando e não parar por ali. O incentivo foi bem aceito por Levi, que após alguns segundos e longos suspiros resolveu falar.
- Eu... Meus pais... - Fez mais uma pausa, encarou as orbes verdes de Eren por alguns poucos segundos, antes de voltar a encarar o chão - Eles voltaram.
- O que? Como assim? Esquece.... - Falou Eren antes de formular uma pergunta melhor - Por que voltaram agora?
- Querem me levar.... E só Deus sabe pra onde - Deu de ombros e observou sua mão junto a do garoto, aquilo lhe transmitiu um sentimento de paz e tranquilidade e isso o assustava.
- Eles não vão levar você - A voz do garoto soou firme e até poderia ser considerada brava. Afinal, como alguém ousaria tirar Levi dele? Ainda mais em um momento tão calmo na vida de ambos - Não comigo aqui.
- Isso me acalma muito, obrigado - Ironizou o mais velho. Eren era só um jovem de dezessete anos, o que ele poderia fazer afinal de contas? Não havia nada para ser feito, o mais velho poderia apenas continuar a fugir de seus pais.
- Não fale assim - Eren fez com que Levi o olhasse e lhe deu um beijo demorado. Esses beijos já estavam ficando constantes na vida de ambos, e os dois já conheciam bem a boca um do outro, mas sempre que se beijavam parecia a primeira vez. Sempre - A muitas coisas que eu posso fazer por você.
- Com certeza - Levi soltou a mão do garoto e forçou seu corpo contra o dele, fazendo Eren cair de costas contra o estofado do sofá acinzentado, os olhou de Levi encaravam o jovem abaixo de si - Existem muitas coisas que você pode fazer por mim.
- Não estou falando só nesse sentido! - Exclamou Eren não conseguindo acreditar que Levi havia pensado em sexo no meio de uma conversa extremamente séria.
- Eu sei que não - Saiu de cima do garoto, que só se levantou novamente após alguns suspiros frustrados - Onde estão seus pais?
- Minha mãe está viajando, como sempre, e meu pai está no hospital ou com alguma amante dele - Respondeu de forma simples enquanto observava as tatuagens ao longo do braço exposto de Levi.
- Então temos a casa apenas para nós dois hm? - Eren sabia muito bem o que Levi queria, mas não era o momento para aquilo, o mais velho estava com problemas e nada de bom acontece quando se faz sexo enquanto tem problemas em sua mente, o jovem temia que poderia acabar machucado e que poderia acabar tendo que ver Levi fugir dali.
- Não vou fazer sexo hoje com você - O jovem afirmou.
- Eu não.... Esquece - Seu uma leve risada em desistência - Eu vou as docas hoje, quer ir comigo?
- Docas?
- Nunca ouviu falar das docas? - O jovem balançou a cabeça de forma negativa - São sempre as melhores festas, sempre as melhores músicas, as pessoas mais "descoladas" mesmo que eu não goste delas, tem muitas drogas rolando soltas também e bebidas de todos os tipos... É bem divertido, especialmente se a polícia chega, se isso acontece ninguém entrega ninguém.
- Parece divertido - Eren sorriu de canto - Claro que vou, mas só por que você está me chamando.
- Fico feliz em ouvir isso.

Born To DieOnde histórias criam vida. Descubra agora