Jackssonville não havia mudado nada, quase um mês havia se passado desde o começo das férias de verão, e os jovens que antes viajavam, agora estavam de volta a suas casas, em breve toda a rotina iria voltar.
Armin continuava a ir ao hospital todos os dias, sua mãe havia, por sorte, saído ilesa do incêndio. E para a sorte do loiro, seus dois melhores amigos estavam á seu lado, mesmo que ainda mal falassem um com o outro era bom simplesmente ter ambos ali.
- Água? - Eren estica um copo descartável de plástico branco com água dentro, Armin olha para o copo e em seguida para o amigo - Se você não aceitar eu faço você beber a força.
- Eu já iria aceitar de qualquer forma - Resmungou o loiro aceitando o copo branco e dando um gole leve no líquido transparente.
- Sabemos que você não iria beber Armin - Mikasa disse cruzando as pernas.
Armin observou a amiga enquanto segurava o copo com uma das mãos e o prendia entre os dentes, a morena raramente usava saia sem ser do uniforme da escola, mas ela estava usando naquele momento, a saia preta estava acompanhada por uma blusa sem mangá também preta e em seus pés o fiel Adidas preto, o loiro se perguntou quando a morena havia começado a gostar de coisas de marca.
Eren se sentou ao lado do amigo e começou a puxar as bordas de seu próprio copo plástico, fazendo tirinhas com as mesmas, o copo iria acabar parecendo um polvo plástico.
Mikasa começou a batucar seus pés, um contra o outro, o silêncio naquele corredor era definitivamente ensurdecedor, o único som emitido ali, eram os dentes de Eren rasgando o copo plástico em tiras.
O clima estava um tanto quanto pesado, Eren e Mikasa ainda não haviam conversado sobre os últimos seis meses e nem pretendiam fazer isso tão cedo, as únicas palavras que haviam trocado foram completamente educadas como um simples " Bom Dia " ou um cumprimento menos educado e isso estava deixando Armin ainda mais nervoso com tudo o que estava acontecendo a sua volta, ele queria que pelo menos naquele dia, seus amigos jamais tivessem conhecido o motivo pelo qual havia brigado, ou seja, desejou que Levi nunca tivesse ido morar com Mikasa, desejou que Eren nunca tivesse ido aquele dia na casa da amiga. Era um pensamento egoísta e o loiro sabia muito bem disso, mas era inevitável.
Levi estavam voltando de mais um trabalho bem sucedido, no banco passageiro poderia ser encontrado quatro rolos de dinheiro, completamente quase dois mil dólares, o que já pagava pela viagem que forneceu a si e ao jovem por quem estava tão apaixonado, parou em um farol vermelho e mudou de música no rádio e a voz do vocalista da banda Fall Out Boy começou a soar ao som de The Last Of The Real Ones.
Uma viatura cruzou a frente de Levi e outra atrás, fechando completamente seu veículo. O moreno tentou procurar por uma saída, mas o som de mais sirenes o fez desistir da ideia, se fossem atrás dele com certeza iria resultar em mais problemas e pelo horário, a cidade estava na hora do rush.
Encostou o carro próximo a calçada e saiu do mesmo ascendendo um cigarro e começando a traga-lo em seguida e agradeceu a Deus por não estar carregando sua arma naquele dia. Mais quatro viaturas chegaram, Elena saiu de uma delas acompanhada por Luke e mais uma garota, que Levi não se lembrava ter conhecido antes.
- Levi Ackerman? - Elena perguntou em um tom cansado e Levi percebeu que ela realmente parecia muito mais cansada do que da última vez que havia a visto.
- Sabe que sou eu - O moreno deu uma longa tragada em seu cigarro e soltou a fumaça - Vejo que o comboio está aqui.... - Deu de ombros e trancou seu carro com uma das mãos livres, já que a outra segurava o maço de cigarro - O que é desta vez?
- Você está preso! - A voz dela soou estranhamente alegre, e Levi estreitou os olhos novamente tragando seu cigarro, havia desistido de tentar parar, mas pelo menos havia diminuído a quantidade.
- Quais acusações? - Jogou o cigarro pela metade no chão e pisou no mesmo para apaga-lo, Elena se aproximou dele e colocou algemas prateadas em suas mãos, o algemando sem o mínimo cuidado.
- Transporte ilegal de drogas, tráfico humano, tráfico de drogas, assassinato, porte ilegal de armas, pedofilia - A cada palavra, a mulher parecia ainda mais animada em estar prendendo o moreno.
- Porte ilegal de armas? Eu não tenho arma alguma - Dois homens seguraram os braços do moreno. Levi mexeu os braços e se soltou dos homens - Eu sei andar - Bufou e começou a seguir Elena para uma das viaturas - E essas outras acusações, não sei de onde tirou essas ideias Elena.
- Vejo que se lembra do meu nome - A mulher abriu a porta da viatura e Levi entrou na mesma sem reclamar.
- Dificilmente eu vou esquecer nomes - Ele sorriu cínico e se acomodou no banco, Elena entrou em seguida juntamente com Luke e a outra garota se sentou no banco da frente - Que pena, te excluírem da festinha.
- A festa vai começar na delegacia - Luke disse de forma silenciosa, sabia que talvez aquele ato da amiga fosse certo, mas eles mal haviam provas contra o moreno e isso iria fazer com que ele fosse solto - Babaca.
- Ouch - Levi riu fingindo ter se ofendido com o xingamento - Eu vou querer ver as provas ao chegar na casinha de vocês, e depois uma carona de volta, sempre quis andar em uma viatura.
- Não vai ser a última - Elena alertou - De delegacia você vai direto para a prisão.
- Ei - Chamou a atenção do motorista, ignorando completamente Elena, que o olhou por alguns rápidos segundos pelo retrovisor - Pode ligar as sirenes por favor!
- Não - Luke disse para o motorista que deu de ombros decepcionado - E você, cale a boca.
- Direito ao silêncio, não obrigação - Levi retrucou enquanto entrelaçava uma de suas mãos com a outra, e tentava acalmar o coração disparado dentro de seu peito, estava morrendo de medo de que realmente houvessem o pegado, mas sabia que como uma peça branca, não duraria muito tempo até que um advogado de uma das gangues fosse até ele e o oferecesse um acordo milagroso que o tiraria da cadeia em menos de doze horas.
O pior que passava na mente do moreno, era se Eren descobrisse que havia sido preso, sabia aí o castanho estava ajudando um amigo necessitado e não queria intervir de forma alguma, querendo ou não teria que ligar para Carla - sua sogra - no final das contas, não queria dever nada para ela, já que ela já havia feito tanto por ele naqueles últimos dois meses, ou...
Ao longe, Levi pode observar e enorme delegacia de polícia de Jackssonville, a viatura parou em frente a mesma e todos desceram. Novamente, o moreno foi escoltado para dentro do lugar, os policiais que estavam em horário de trabalho o olhavam curiosos, mas quando viram Elena seus olhares mudaram para puro receio e pena, o estado decadente da polícia indicava aos amigos dias e mais dias de trabalha suado sem pausas.
Levi foi empurrado para dentro de uma sala fechada e sem janelas, apenas um vidro enorme em uma das paredes - Que mais se parecia com um espelho - e a porta por onde haviam entrado, Elena indicou uma das cadeiras e o moreno se sentou, ficando assim, apenas ela, ele e Luke.
- Por onde devo começar? - Elena bateu com força as mãos contra a mesa de alumínio da sala a frente de Levi.
- Não sei - O moreno se acomodou e colocou as mãos na mesa, cruzadas, uma agarrada a outra - Me diga você senhora.
- Se-Senhora!? - Os olhos de Elena ficaram vermelhos de raiva e Levi gargalhou.
- Isso - Luke jogou uma pasta em cima da mesa e fez um gesto para que o moreno a abrisse, e foi o que ele fez, dentro da pasta, havia um papel com todos os dados e uma foto do moreno, algumas fotos dele em meio a negócios tiradas por câmeras de segurança que ele jamais soube da existência, e mais papeladas com nomes e números.
- ... - Levi permaneceu em silêncio, não era hora de falar nada.
- Viu? Provas! Como vai se livrar desta vez? - Elena gargalhou.
- ... - Levi permaneceu em silêncio por mais alguns segundos, observando atentamente a mulher que mais parecia uma louca do que uma policia - Com o seu chefe - Disse.
- O que? - Luke perguntou - Como nosso chefe vai ajudar você?
- Traga ele aqui e vão ver - Um sorriso sínico surgiu no rosto do moreno. Luke puxou a amiga para fora da sala.
- Ele quer falar com Dot, o que faremos? - O homem perguntou para a amiga enquanto olhava para dentro da sala pelo vidro da porta.
- Este é meu caso, mesmo que ele queira falar com Dot eu não vou deixar - Ela argumentou irritada - Ele roubaria os crédito para si já que o criminoso quer falar com ele.
- Elena, são regras, mesmo que eu odeie tenho que admitir, aquele cara pode sair daqui em doze horas - Luke disse preocupado - Ele vai saber que as fotos foram falsificadas uma hora ou outra, e falsificadas por você!
- Não fale isso alto aqui dentro - Ela olhou em volta, ficando feliz ao perceber que ninguém estava próximo - Eu fui ao melhor falsificador, jamais iria perceber que são falsas Luke... Mas se ele quer falar com Dot....
- Eu também sou contra Elena, meu nome estaria assinado em baixo do seu quando fossemos dar o caso como encerrado - Explicou o homem dando de ombros e passando uma das mãos pelos cabelos - Mas aparentemente ele não vai falar, ele pode simplesmente ficar quieto e pedir pela ligação ou pelo advogado.
- Arg! - Bateu um dos pés com força no chão, como uma criança brava - Chame logo Dot Pixis.
O homem de quase meia idade entra na sala, Levi levanta finalmente o olhar para o homem e sorri, um sorriso sem qualquer tipo de felicidade ao ver aquele homem.
- A quanto tempo garoto - A voz rouca do homem soou, ao que parecia, anos e mais anos de cigarro realmente poderiam acabar com você.
- Se essas provas forem verdadeiras, quero fazer um acordo - O moreno deu de ombros e liberou suas mãos, que haviam permanecido fortes e juntas até o momento.
- Se forem verdadeiras? - Dot vira a pasta para si e observa as fotos - São verdadeiras.... Sinto muito garoto - Fez uma pausa fechando a pasta, mas a deixando em cima da mesa - Que acordo sugere?
- Sabe o que são peças brancas? - Perguntou o moreno dando de ombros, já prevendo que teria que explicar aquilo para o homem a sua frente.
- Por favor me conte.... - Dot retirou o óculos.
- Bem... Uma peça branca é uma pessoa que não participa de nada, mas se envolve com tudo - Fez uma breve pausa e percebeu que o velho a sua frente realmente prestava atenção - São aqueles que os traficantes não podem tocar, machucar, ou subordinar, caso algo ruim aconteça como a peça seja presa, ela ou ele podem contar tudo o que sabem para garantir liberdade.
- E depois, o que acontece com a peça?
- Expulsa de qualquer tipo de tráfico naquele condado, é como se simplesmente apagassem do mapa deles - Explicou.
- E o que acontece com aqueles que quebram as regras das peças brancas? - Perguntou o homem se ajeitando em sua cadeira, o moreno pode ouvir um leve som estranho sair da mesma.
- A caçada, eles são soltos em uma floresta e caçados até a morte - Colocou as mãos entre as penas - Seja chefe de tráfico ou qualquer outra coisa.
- E está disposto a negociar? - Dot deu de ombros desconfiado.
- Se meu advogado não conseguir me tirar daqui? Sim estou - Confirmou com a cabeça uma vez.
- Mesmo sabendo que pode perder sua fonte de renda? - Ainda desconfiado, o homem perguntou.
- Se garantirem me soltar, sim - O homem olhava para o jovem ainda desconfiado, como poderia alguém tão jovem negociar como um adulto?
Dot coçou a barba por fazer em sua face e se levantou, encarou seu próprio reflexo no espelho da sala e percebeu a seriedade que era o que o jovem havia falado, acabar com o crime organizado no condado com certeza lhe daria algumas medalhas de honra.
- Tic Toc delegado - Levi disse batucando um dedo na mesa imitando o som de um relógio - Diga agora ou cale-se para sempre.
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Born To Die
Fiksi PenggemarSua alma rebelde fez com que Levi fosse abandonado pelos pais com os tios que haviam tido uma filha a pouco tempo. Seus tios criaram ele e sua prima da melhor forma possível, mas isso não foi capaz de mudar o jeito que Levi via as coisas no mundo, m...
