Cap. 24 - Bailes e Jaulas
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O vento gelado não incomodou as costas nuas do caçador, no entanto ao se virar para olhar para o sombrio homem de cabelos prateados sentiu os pêlos dos braços se arrepiarem, podia ser do frio ou da sinistra visão de ter um vampiro encostado próximo a sua janela, ficando contra a luz da lua, fazendo os olhos dourados se destacarem por um momento na escuridão.
- Eu tenho meus motivos para reaparecer, não que eu tenha de fato partido algum dia. - Respondeu o vampiro, Vikhail.
- O que você quer? - Indagou Arleon meio ríspido.
- Dá última vez que nos encontramos você era mais simpático. - Observou Vikhail de braços cruzados e encostando-se próximo a janela.
- Quando ia me dizer que você veio de um reino? Ah! E claro, que você ajudou a destruir um reino de elfos inteiro?! - Perguntava Arleon em tom sarcástico e um tanto irritado.
- E por que eu lhe contaria isso? - Sem mudar a expressão neutra no rosto, exceto pelo que pareceu um resquício de sorriso em um dos cantos da boca.
- Eu pensei que você fosse uma criatura única, sei lá... Um sobrevivente de guerras passadas. - Disse o caçador gesticulando com as mãos.
- Desculpe desapontá-lo. - Deu um meio sorriso o pálido vampiro.
- E outra, pensei que você não machucava as pessoas, eu me lembro de você me dizendo que não gostava de sangue humano, mas você matou pessoas aqui. As pessoas que Lady Galeonor mencionou terem desaparecido foi você, não foi?
- Não todas. E eu disse que não gostava, mas não disse que não bebia o sangue humano.
Arleon bufou um riso de nervoso e não sabia exatamente como reagir àquela situação.
- Isso deveria me deixar aliviado? Você matou pessoas inocentes!
- Se há algo que aquelas pessoas não eram é inocente. Não me trate como se eu fosse um monstro, Ardriel. Olhe para você mesmo antes de me julgar.
- Eu não sou como você.
- Não? - Vikhail começou a andar pelo quarto a passos leves e lançou um olhar de canto interrogativo ao caçador. - Eu me lembro quando a notícia de que dois homens foram brutalmente assassinados, dois senhores na verdade, havia tanto ódio no modo como foram mortos que as pessoas até se perguntavam se aquilo não teria sido obra de alguma entidade maligna. Coincidentemente ambos trabalharam em um orfanato que tinha sido incendiado anos atrás. Isso refresca sua memória pequeno Ardriel? - Arleon foi até a janela fingir olhar a vista, mas sua mente se perturbou, ele escorregou uma das mãos no rosto - Eu sempre quis saber, você se arrependeu?
- O que você quer? Só me diga e vá embora. - Disse o caçador sem olhar para o vampiro, parecendo um tanto perturbado.
- Eu preciso da sua ajuda, da mesma forma como você um dia precisou da minha.
- Com o que? - Perguntou Arleon virando-se para ele, sem esconder a irritação na voz.
- Seu amigo mago está atrás de algo muito interessante e eu quero ajudar a encontrar. Convença-os a me deixar ajudar.
- Isto é uma piada? - Arleon soltou um expurgo de riso forçado. - Nem que eu fosse um Deus alado de córneos prateados isso seria possível. Está louco?
- Eu presumo que saiba do dragão de Vanglória. - Disse Vikhail, Arleon apenas fez um sinal positivo com a cabeça, querendo só ver aonde é que ele queria chegar. - Presumo também que você não o quer aqui.
- Isto é uma ameaça?
- Não, é um aviso. Se nós não levarmos esse objeto para ele, ele virá e colocará esse reino abaixo para encontrá-lo. - Vikhail não parecia estar mentindo, mas ele não seria a primeira pessoa com a qual o caçador se enganou. Arleon não sabia se deveria acreditar nele. - Estou tentando ajudar, meu amigo. Se aquele artefato não deixar esse reino a história se repetirá. Ele virá.
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O Artefato
AventuraOllef Galgalin é um jovem mago aprendiz, ele foi mandado ao reino de Greenish para investigar boatos sobre um objeto que caiu do céu, no entanto, as coisas podem ser mais complicadas do que ele imaginou, quando ele percebe que não será o único inter...
