[05] Borboletas.

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Logo que chegamos, minha mãe recebeu uma ligação de Hyeri. A polícia entrou em contato com ela para esclarecer a situação em que seu marido havia se metido, e, como o transporte só partiria dali a um tempo, ela planejava vir a pé até Sunydale — felizmente, mamãe a fez repensar, era provável que a mulher tivesse uma insolação se tentasse algo do tipo.

Enfim. Acabei cedendo minha cama pro Siwon, e Yoongi e eu fomos dormir nos colchões que ficavam guardados no sótão aqui de casa. Era lá onde estava até então, apenas descansando do estresse de ontem.

— Hm — em determinado momento, senti um peso sobre mim. Ouvi a voz de Yoongi um pouco distante, mas decidi ignorar. — Jimin, tá acordado? — fiz uma careta, tentando acertar o foco dos meus olhos. — E aí?

Quando finalmente acostumei com a luz presente do ambiente e avistei aquilo que estava à frente, senti todo o meu corpo entrando em colapso. Yoongi estava acima de mim, o rosto próximo o suficiente para que uma de suas mechinhas estivesse a ponto de tocar a minha testa.

— Você tá bem? — acho que o fato de eu ter me engasgado com saliva denunciou que tive um pequeno surto. Yoongi, agora, estava sentado por cima dos próprios joelhos ao lado do meu colchão.

— Estou, sim. — Lhe observei mais atentamente, notando como minhas roupas caíam em si. Tínhamos a mesma altura, mas Yoongi era mais magro que eu. — E você? Eu espero que tenha conseguido dormir bem, acho que meus roncos estavam muito altos.

— Não, adormeci como um bebê. Inclusive, já fazia um tempo que não dormia tão bem... — Sorriu sereno, parecendo tranquilo. — Ah, sua mãe levou o Siwon pra fazer mais alguma coisa no hospital ali pelas 13:00, não tenho certeza. Então estamos sozinhos.

Olhei desesperado para o relógio que tinha levado até o cômodo, notando que eram quase duas da tarde. Acho que nunca tinha ficado na cama por tanto tempo.

— Entendi. — Suspirei, me colocando de pé e indo até as escadas. — Vem, vou cozinhar alguma coisa pra gente comer.

A passos lentos, Yoongi me seguiu.

Não pude deixar de esboçar um sorriso involuntário ao ver as expressões curiosas que Yoongi colocava no rosto enquanto andávamos pela casa. Pareceu encantado até com o banheiro, muito bonitinho.

— Que coisinhas gostosas irei ter a honra de provar hoje, Jimine? — perguntou quando chegamos à cozinha, sentando-se à ilha.

— Hm, pra falar a verdade eu não tenho certeza do que fazer. — Fui sincero. — Mas posso cozinhar qualquer coisa que você queira. Qual é a sua vontade?

Pode parecer bizarro, mas eu juro que vi os olhos escuros daquele garoto brilharem por um breve instante. Ele parecia estar nas nuvens, enquanto eu analisava a minha frase até de trás pra frente em pensamento pra tentar achar o que tinha de tão especial nela.

Havia algo nessa situação, de Yoongi sorrir tão facilmente com coisas tão simples, que me trazia aquela sensação estranha no estômago de novo. Como várias borboletas voando pra lá e pra cá, fazendo bagunça.

Tentei afastar esses pensamentos, mas observar as caretas que o Min estava fazendo enquanto tentava decidir o que comer não estava me ajudando.

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