Corredores

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Aquele lugar era imenso. Os corredores que eu havia visto anteriormente não chegavam nem perto do tamanho real do lugar. Um dos homens andava comigo de um lado para outro, e acho que depois da quarta volta chegamos no meu quarto, pegando algumas coisas pra levar pro novo.

Acontece que o novo quarto era bem perto da sala principal. Será que não conseguiram me colocar em algum lugar mais longe da saída? Tento desviar o pensamento irônico da minha cabeça. Eles confiavam em mim agora. Eu acho.

Me concentro em apenas colocar minhas coisas no lugar e voltar para a central. Acho que os nomes que eu havia dito mais cedo tinham ajudado, então era bem provável que eles estivessem em cima disso.

Quando chego na sala, o barulho dos dedos digitando é alto. As pessoas se mantinham vidradas na frente dos computadores. Localizo Jack. Engulo em seco e caminho em sua direção. Ainda ficava um pouco incomodada com toda a atenção que eu recebia.

— Acharam alguma coisa? — pergunto casualmente.

Ele se vira para mim, meio confuso e surpreso. As pessoas sentadas nas outras cadeiras desviam seus olhares para mim também e eu me sinto ainda mais desconfortável. Jack me chama e todos voltam a trabalhar.

— Sim, sim. Chega perto, nova integrante. — diz com os olhos fixados na tela. — Ah, e esse aqui é o outro Jack.

— Já disse pra você não me chamar de outro, loira azeda. — o menino ao lado dele belisca o amigo. — Prazer, me chamo Jack Gilinsky. Mas acho que ficaria mais fácil para você nos chamar pelo sobrenome de cada um. Pode ser bem caótico tentar falar Jack cada vez que quiser nos contatar.

Rio com seu jeito fofo de falar.

— Ele fala assim mesmo. Nem me pergunte como seria ouvir um discurso dele. Acho que nem Einstein entenderia. — Johnson levanta as sobrancelhas.

— Bom, voltando ao assunto. Descobrimos que existem várias pessoas com o nome Noah aqui na nossa região. Mas somente vinte deles participam de alguma gangue ou tem o seu histórico sujo. Tentamos ver se algum desses pesquisou algo sobre Shawn e Matt nos últimos dias, mas não achamos nada. Ou estamos pesquisando errado ou eles possuem um sistema de defesa bem forte.

Ele fala a última frase com um suspiro. Observo os números surgirem freneticamente na tela de Jack quando me dou conta de algo.

— Lúcifer! — exclamo de olhos arregalados.

Ele dá uma risada.

— Olha, eu sei que é meio complicado mas não é tão demoníaco assim ...

— Não, não. Noah citou outro nome enquanto estávamos lá. Lúcifer.

— Cara, a mãe dele devia amá-lo demais. — Gilinsky exclama.

Os dois começam a digitar ainda mais nos teclados, mas Johnson para subitamente.

— Espera. Nós estamos fazendo a coisa errada. Você acabou de nos dar duas informações importantes. Não estou duvidando de você, mas pode ser que tenha acontecido outras coisas importantes também e ainda não te ouvimos.

Ele vai para uma grande mesa redonda e tira todos os papéis de cima, colocando um notebook em sua frente.

— Pessoal, quero todo mundo aqui na frente. Ouçam, anotem, até gravem se preciso. Rachel vai nos contar tudo que aconteceu no sequestro. Pode ser útil.

As pessoas se reuniram na mesa e eu logo comecei a contar. Tentei ser o mais detalhista possível, ficando com a garganta seca de tanto falar. Minhas mãos já estavam suando quando terminei, por estar totalmente envolvida com a situação. Gilinsky levantou a mão logo em seguida e chamou Jack, que foi correndo olhar a tela do notebook.

Lose ItWhere stories live. Discover now