5 | Além dos limites majestosos

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Eu nunca detestei tanto um final de semana quanto o da segunda semana de abril. Era estranho pensar que há certo tempo eu amava, pois assim o contato com as outras pessoas seria evitado, mas, se eu raciocinasse direito, não era tão estranho assim eu estar incomodado hoje — era até óbvio. Eu prometi a mim mesmo que, caso Max estivesse online em uma das vezes em que eu averiguava meu celular, eu conversaria com ele para — fingir — discutir sobre o trabalho de Português. Isso pouco me interessava, mas ter qualquer tipo de contato com ele me animava.

Só que ele não estava online, então eu arranjei outra maneira de perder meu tempo. Meus pais quiseram sair para fazer compras no domingo pelo shopping por volta do fim da tarde, e eu, por estar sufocado em fazer nada, fui com eles. Estar em ambiente diferente da minha casa ou colégio era algo estranhamento... raro para mim. Eu era caseiro demais, quase nunca saía às ruas. Isso nem era culpa da depressão: eu só tinha preguiça mesmo de sair do meu lar. Neste domingo, porém, por não estar aguentando mais competir com uma preguiça para ver qual de nós dois seria capaz de ficar mais tempo sem se mexer, quis sair.

E detalhe: nem levei meu celular com os meus fones para me distrair com músicas melancólicas. Quis mesmo aproveitar o ambiente.

Meus pais compraram três calças para mim e algumas camisas cleans. Quando retornamos para casa, experimentei todas as peças de novo e decidi que amanhã eu optaria pela calça preta ao ir para o colégio. Achei-me bonito diante do espelho. Eu até corei para mim mesmo. Mesmo quando guardei todas as roupas no meu guarda-roupa, consumi uns segundos observando-as — era uma das minhas manias ao ganhar vestimentas novas.

Depois disso, verifiquei meu Whats mais uma vez a fim de encontrar Max online. Como ele não estava, deitei-me na cama e fiquei uns cinco minutos encarando a sua foto de perfil. Ele sorria para a câmera enquanto tirava a própria foto, e, a julgar pelo ângulo, talvez estivesse deitado em sua cama, mas não de bruços, obviamente, como eu me encontrava agora. Seus dentes eram tão brancos que faria qualquer pessoa baixar os olhos rapidamente para eles, para só depois constatar que, na realidade, não era somente sua arcada dentária que era bela. De verdade, eu compreendia por que todas as pessoas o encaravam no colégio e no ônibus. Até mesmo eu, que geralmente sou desligado com o mundo à minha volta, faria exatamente igual.

Suspirei baixinho e pensei em quantos garotos e garotas já se pegaram fitando sua foto de perfil bem como eu estava fazendo nesse exato momento. Muitos deles, eu concluí, sem sequer lutar contra a veracidade das minhas palavras. Deixei meu aparelho de lado após perceber que encarar Max me intimidava tanto quanto no caso de ele estar presente. Dormi mais cedo no domingo, ansioso demais para que a segunda-feira chegasse.

 Dormi mais cedo no domingo, ansioso demais para que a segunda-feira chegasse

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Não adiantou muita coisa, pois ele não foi para a aula.

Eu pensei que eu fosse estender meu recorde de passar algumas horas sem o uso dos fones e das músicas tristes por mais de dois dias, mas, quando o segundo tempo de aula havia começado, meu interior entendeu que ele não viria mesmo. Eu tinha esperanças do contrário até o minuto final do primeiro tempo, uma vez que os alunos que chegavam atrasados demais para o primeiro tempo teriam que esperar a próxima aula para entrarem na sala. Max não entrou.

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