[13 DE JULHO DE 2019]
Hoje, sexta-feira, foi o último dia de aula antes das férias.
Amanhã, no sábado, eu estaria indo para o aeroporto com Max.
E, no domingo, nós dois chegaríamos à casa da minha avó.
Passaram-se um pouco mais de dois meses desde a primeira vez que nós dizemos "Eu te amo" um para o outro. Desde então, tudo correu muito rapidamente. Minha saúde mental melhorou bastante com as constantes idas ao escritório de Axel, a intimidade com os meus pais cresceu em mesma proporção, o meu namoro com Max parecia ser lapidado gradativamente e a felicidade parecia dominar meu interior conforme o tempo andava.
A solidão se despedia cada vez mais do meu interior.
Eu sorria tanto agora e tomava iniciativas que antes eu cogitaria cinco vezes só para, no fim das contas, não fazer nenhuma delas. Na escola, as pessoas que ainda me encaravam com um ponto de interrogação na cabeça por eu estar acompanhado de Max — esses olhares até se tornaram esporádicos — foram ignoradas pelo meu cérebro. Passei a sorrir delas. No fundo, torci para que cada uma dessas pessoas pudesse encontrar um Max também, talvez assim elas pudessem se importar menos com a vida do próximo.
O mundo seria mais feliz desse jeito.
— Nos mande mensagens assim que chegar lá, por favor. — Minha mãe me deu um beijo na bochecha e me abraçou carinhosamente. — Tudo bem? Promete que vai fazer isso?
Já era noite; eu estava indo para a casa do Max, pois eu dormiria lá. Seu pai nos levaria ao aeroporto com o carro do filho ao anoitecer. Achei que fosse mais fácil eu já estar em sua casa e partimos de lá para o aeroporto do que sair da minha para irmos.
— Eu vou mandar, mãe. Falando assim, está me fazendo pensar que o avião vai cair.
— Não fale uma coisa dessas nem brincando.
Lancei um olhar de pedido de socorro para meu pai.
— Hã... Está bem, Karla. — Ele tentou soltá-la de mim para repetir o gesto. — Filho, faça uma boa viagem. Mande um beijo para sua vó por mim, está bem?
— Eu irei, pai. Obrigado.
Já havia chegado a um ponto em que os abraços dos dois traziam o mesmo significado amoroso para mim. Comecei a me acostumar com os afetos da minha mãe mais depressa do que pensava — isso era realmente uma coisa boa. Antes, somente meu pai me proporcionava a sensação de estar sendo verdadeiramente amado. Claramente essa impressão mudou.
Soltando-me, meu pai assentiu.
— Tá certo — falou. Podia jurar que estava emocionado. — Eu te amo. Tenho muito orgulho de você.
— Eu também, pai. — Olhei para minha mãe, segurando minhas duas malas mais firmemente. — Vocês dois.
Era só que sentia uma tristeza enorme antes de viajar? Parecia que eu nunca mais ia voltar.
Ouvi uma batida na porta em seguida.
— Ah, é ele — suspirei. Tive consciência de que deveria deixar minha família para trás agora. — Tchau, pai. Tchau, mãe.
— Tchau, filho — disseram em uníssono.
Capturei os rostos alegres e preocupados de ambos uma última vez. Senti saudade antes mesmo de deixar minha simples moradia para trás. Depois, abri a porta e sorri para Max ao vê-lo em pé com uma mão no bolso e a outra percorrendo os fios do cabelo. Ele arquitetou aquele seu sorriso de boas-vindas.
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CONTE-ME MAIS UMA VEZ
RomanceMais surreal do que ter um namorado imaginário é descobrir que ele, na verdade, existe. Após passar por essa situação, Tales Johnson precisa descobrir como reconquistar a pessoa que um dia já amou - Max - e que agora nem sabe quem ele é. Por medo de...
