Bastou que eu ouvisse alguém batendo à porta no domingo, um pouco depois de meio dia, para que eu desligasse a TV da sala e me colocasse rapidamente de pé. O conteúdo certamente não me interessava. Era uma maneira de fingir gastar meu tempo.
— Estou indo! — gritei para meus pais ao pegar minha mochila.
Eles já sabiam que Max estava aqui para me buscar.
— Cuidado, filho — disse meu pai da cozinha.
— Terei.
Eu sentia como se estivesse prestes a viajar para um lugar que eu sempre quis ir.
Abrindo a porta, eu o vi, todo sorridente, com um gorro — dessa vez azul — escondendo seu cabelo e seu antebraço apoiado na madeira que limitava a lateral da porta. A camisa era branca e sua calça, perfeitamente envolvida em seu corpo, era da um tom mais escuro que o do seu gorro. Era a primeira vez aqui em Santa Catarina que eu o via de chinelos.
Eu tentei, mas eu não conseguia parar de sorrir para Max.
— Olá — murmurou, como se a palavra tivesse um segredo tão grande que ele queria que ninguém mais escutasse.
— Oi. — Lutei contra a percepção de que nossos lábios estavam muito próximos um do outro. Tive suspeita de que ele percebeu isso, pois sorriu.
— Tudo certo para irmos?
— Hunhum. — Ajeitei minha mochila, mostrando que tudo o que eu precisava estava dentro dela.
— Okay. — Ele desencostou seu antebraço da parede, tirou a minha mochila dos ombros e deu alguns passos para trás. Seu cavalheirismo ainda me deixava pasmo. — Vamos?
Balancei a cabeça. Ah, Deus...
Demorou pouco tempo para que nós dois entrássemos na sua Hilux azul — nunca havia reparado antes no meu apreço por esse tipo de carro até então — e partíssemos dali. Eu tinha que admitir que eu estava nervoso. Não demonstrei estar durante a viagem até a casa de Max, porém, assim que chegamos lá, algo dentro de mim gelou. Talvez tenha sido meu estômago. Quando olhei para o garoto no volante, percebi que ele aparentava estar bem mais descontraído do que nunca.
— Você está bem animado — observei assim que saí do carro.
Ao acionar o alarme, Max me deu um sorriso curvado.
— Você também.
Dei de ombros. É... Isso não era uma mentira.
— Em todo caso, deveria se sentir culpado por eu estar animado. — Ele massageou minha nuca de leve. — Esse é o efeito que você...
— Tales! — Uma voz familiar veio do outro lado da rua. Era Tess (a amiga de Max que me cumprimentou quando ele me mostrou sua casa no dia em que me deixou na minha), e dessa vez seu irmão não estava presente. — Eu iria dizer "Que surpresa", mas acabei de me lembrar que você viria para cá hoje.
Eu assenti poucos segundos antes de ela me envolver num abraço rápido e generoso. Eu percebi que sua pele negra era ainda mais bonita à luz do sol. Além disso, pude ver que seus olhos eram um castanho tão claro que eram impossíveis de não ser admirados. Pela sua roupa legging, supus que estivesse numa caminhada.
— Oi, Tess. Como vai?
— Eu vou bem. — Em seguida, deu um beijo na bochecha de Max. — Oi, lindeza do meu coração.
— Tess, eu não sou hétero.
— Deixe eu me iludir um pouco.
O carinho entre os dois era realmente tangível.
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CONTE-ME MAIS UMA VEZ
RomanceMais surreal do que ter um namorado imaginário é descobrir que ele, na verdade, existe. Após passar por essa situação, Tales Johnson precisa descobrir como reconquistar a pessoa que um dia já amou - Max - e que agora nem sabe quem ele é. Por medo de...
