9 | Estou melhor agora

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Se há poucos minutos eu não queria sair de sua casa, agora eu não queria sair de seu carro. Havia uma áurea ao redor de Max, eu percebi, que me fazia torcer para que o tempo se arrastasse tanto quanto eu o sentia se arrastar nas aulas das minhas matérias que eu mais detestava. Não era novidade nenhuma eu querê-lo por perto todo momento, mas eu sempre ficava surpreso por desejar isso um pouquinho mais todas as vezes que estávamos juntos.

— Quer que eu fale com sua mãe sobre o atraso? — Max indagou assim que desligou o carro, o rosto todo concentrado para mim.

— Ah, não precisa. — Eu não queria que ele percebesse que minha mãe não possuía o mesmo carisma que a sua. — Sei que ela vai acreditar em mim. Eu nunca apronto. — Mesmo se eu aprontasse, ela não chegaria a acreditar que uma pessoa como eu, com um histórico gigante de infelicidade, fosse ter a audácia de "sair da linha".

Max fez um gesto compreensivo com a cabeça. Depois, inspirou e suspirou fundo, e aquele traço de tristeza superficial apareceu de novo em suas íris.

— Gostei do dia de hoje — murmurou, cada sílaba soando sinfônica. — Se eu soubesse que seria tão bom, teria feito você perder sua parada no ônibus mais vezes.

Eu ri baixinho e não fiquei corado dessa vez como pensei que fosse ficar.

— Eu gostei muito também — falei, tentando imitar a doçura que ele inseria nas palavras. Para me distrair, comecei a brincar com a alça da minha mochila no meu colo. — Sua família é maravilhosa. Adorei sua irmã.

— Ah, tenho certeza que ela te adorou também.

Mostrei-lhe um sorrisinho. Eu queria aparentar ter domínio de qualquer conversa aleatória só para ficar dentro da Hilux, mas a verdade era que eu não tinha noção direito do que dialogar. Achei que ficaria estranho perguntar se ele gostava de beber água.

— Dezoito anos? — As duas palavras vieram na hora certa, como se minha mente tivesse mesmo encontrado uma carta na manga na última hora.

Max compreendeu muito rápido.

— Pois é — suspirou. — Minha mãe me colocou um ano atrasado no colégio. Não foi bem culpa dela. O lado bom é que, enquanto a maioria dos adolescentes não pode dirigir, eu posso. Provavelmente não poderia estar te deixando aqui hoje, por exemplo.

Eu não poderia colocar em palavras o quanto eu era grato por esse detalhe.

— Isso é desvantajoso também — eu constatei, sabendo perfeitamente que ele não entenderia, pois, em segredo, eu estava me referindo ao fato de que o carro tirava sua companhia de mim no ônibus. Sendo assim, era desvantajoso para mim. — Q-Quer dizer... a gasolina tá muito cara, né?

Ele concordou uma vez, meio relutante.

— Outras coisas compensam isso. — Ele olhou para meu cabelo, nariz, boca e terminou nos meus olhos de novo.

Senti minha garganta se fechando ao escutar isso. Eu queria que Max não percebesse que eu estava travando uma guerra interna em tentar não respirar — era um gesto que eu sempre buscava para tentar não ficar desconfortável. Costumava funcionar comigo boa parte das vezes. Nunca entendi ao certo por que a falta de ar me impedia de corar.

— Eu te deixo nervoso? — sussurrou, observando minha atitude.

A pergunta me fez soltar o ar de forma arrastada.

— Frequentemente.

— Eu não queria que se sentisse assim comigo. — Ele parecia culpado por me proporcionar tal efeito. — Queria que se sentisse confortável.

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