18 | Livro aberto

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No sábado — dia em que, por sinal, eu teria minha primeira conversa com Axel —, Max me convidou para ir à sua casa à tarde. Eu poderia ter sido sincero e dizer que não tinha nada para fazer o dia inteiro, o que significaria que ele poderia me levar pela manhã, mas não quis soar tão desesperado. Dessa forma, falei que sim, ele poderia me buscar depois das 12h. Eu falaria com seu pai à noite em seu escritório. Ele me disse que, se eu me sentisse confortável com a primeira sessão, poderia visitá-lo todos os sábados no mesmo horário. Nós nos falamos por telefone; ele, minha mãe e meu pai demonstraram orgulho mais uma vez por eu ter dado tal iniciativa.

À tarde, já no condomínio, assisti a mais um jogo de basquete do Max e seus amigos na quadra. Foi a primeira vez em que Ton o venceu, mas isso só aconteceu numa segunda partida, pois, na primeira, ele presenciou a derrota. Uma vez o jogo tendo acabado, Max retornou para casa e tomou um banho, enquanto que eu fiquei com os irmãos mais engraçados que já vi. Quando Max retornou, nós quatro caminhamos pelos outros lugares do condomínio, para que eu pudesse conhecer melhor o ambiente.

Depois de um tempo, só ficamos Max e eu sozinhos.

Estávamos sentados na calçada de sua casa até anoitecer. A rua era tão bem iluminada quanto nas outras vezes que me lembrava e muito calma. Devo ter visto umas cinco pessoas caminharem por ela em todo o momento que estive aqui. Acho que gente de classe alta gosta muito de ficar em casa.

— Está nervoso? — Max perguntou, as pernas esticadas para frente, uma sobre a outra, e os braços para trás, apoiando o corpo. O vento fresco da noite balançava seu cabelo para todos os lados.

— Pelo quê?

— Para conversar com meu pai.

— Ah... — Por um momento me esqueci de que estava ali para isso. — Não muito. — De repente, me assustei. — Espera, era para eu estar?

Ele riu.

— Não, não era. Pode ficar tranquilo.

Isso me relaxou de volta.

— Já foi a um psicólogo antes? — eu perguntei.

— Não. — Aquela curva de seus lábios para o canto foi formada. — Digamos que, quando seu pai é psicólogo, boa parte de seus problemas são facilmente solucionados. Ele sempre sabe como confortar a mim e a minha irmã. Às vezes eu evito falar sobre minhas emoções para ele, mas ele parece adivinhar quando algo não está indo bem. Como se lesse minha mente.

— Você puxou isso dele — observei. — Você sempre disse coisas que eu sempre quis ouvir. Coisas... necessárias.

Ele não respondeu sobre isso. Manteve seu olhar no meu por tempo suficiente para perceber que não diria nada. Bem, pelo menos eu pensava que não fosse dizer, até perceber que estava precipitado.

— Sempre? — repetiu, experimentando a palavra na boca de um jeito que me fez entender que estava comendo um prato novo. Sua voz era baixa e analítica ao extremo, ao passo de que seus olhos eram ternos. — Nós... já nos conhecemos antes?

Nesse mesmo instante, virei minha cabeça na direção da rua e encarei a casa à frente da de Max, sem necessariamente vê-la. Mesmo se não houvesse nada nessa região, era para lá que eu levaria minha visão. Eu nunca pensei que um dia eu fosse voltar a essa história, e só me lembrava de ter quase embarcado nela uma vez — foi quando Max me perguntou, no segundo dia em que nos conhecemos aqui, o que eu queria dizer quando lhe perguntei sobre como ele se tornou real. Imaginei que, depois desse dia, eu não fosse mais precisar dar uma explicação sobre o Max irreal para ele.

— Talvez. É... complicado. — Não tive coragem ainda para observá-lo. — Você não entenderia.

Vi suas pernas sendo descruzadas e os joelhos sendo dobrados para cima. Percebi também que Max os abraçou, ficando mais atento a mim.

CONTE-ME MAIS UMA VEZHistórias para pegar e não largar. Descubra agora