Mais surreal do que ter um namorado imaginário é descobrir que ele, na verdade, existe. Após passar por essa situação, Tales Johnson precisa descobrir como reconquistar a pessoa que um dia já amou - Max - e que agora nem sabe quem ele é.
Por medo de...
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Não fui para a escola depois que ele se foi. Mandei uma mensagem para Max dizendo que não estava me sentindo bem, o que não necessariamente queria dizer uma mentira. Ele perguntou se poderia me ver à noite — se não houvesse nenhum problema —, e, justo no momento em que eu automaticamente falaria que não, uma luz se acendeu no meu cérebro, instigando-me a aceitar sua visita. Eu me sentiria mal se ele não aparecesse, e tudo o que eu menos queria era que ele ficasse triste por mim. Então falei que sim, ele poderia me ver.
Eu também não queria estar triste, mas eu estava. Foi complicado me convencer mesmo que a minha despedida com Max significava uma coisa boa, pois isso implicaria em dizer que eu não precisava mais de sua companhia para minhas horas de solidão gradativa. Tudo bem, fiquei feliz por compreender essa parte. Só estava doendo porque, querendo ou não, ele me trouxe tanta coisa boa que ficava difícil me desapegar delas assim, tão rapidamente. Ele me deu vida; meus dias seriam um breu terrível sem sua presença lá em Mato Grosso.
— Filho? — Meu pai me trouxe de volta à Terra. Eu estava deitado no sofá há pelo menos uma hora, só encarando o teto. — Acho que Max chegou.
Virei a cabeça na direção do meu pai, que estava sentado na poltrona à minha esquerda.
— O quê?
— Não é ele quem está batendo na porta?
Quando escutei as tais batidas, levantei-me.
— É, obrigado.
Abrindo a porta, eu o vi. Usava uma jaqueta azul por cima de uma camisa branca e uma calça jeans mais clara do que aquela que ele havia usado na festa. E como eu jamais poderia deixar de destacar, estava muito cheiroso.
— Oi... — Deve ter sido a primeira vez que dei a iniciativa do beijo. Vi a surpresa atingi-lo. — Vem, entra.
Ele assentiu e, uma vez dentro de casa, fechei a porta. O vi cumprimentar meu pai com aquele seu charme maravilhoso de sempre; minha mãe encontrava-se na cozinha, então ela não participou do cumprimento.
Sem dizer nada, o levei para meu quarto, onde nos deitamos de lado na cama, um de frente para o outro. Na verdade, eu me deitei primeiro, mas tive atitude para puxar sua mão e convidá-lo para fazer o mesmo — suspeitei que ele fosse ficar parado, em pé, só me observando. A cama era pequena, isso era verdade, mas saber que teríamos que ficar colados me deixava bem mais à vontade. Deus sabia da paz que eu senti quando meu nariz me acomodou no seu peitoral perfumado.
Silêncio. Pude escutar as batidas de seu coração enquanto não falávamos nada. A voz suave da pessoa sob mim apareceu poucos segundos após:
— Você está bem?
Permiti-me ficar um período concentrado em seu cheiro antes de respondê-lo. Era tão bom. Era o mais perto que já cheguei da pureza.
— Eu não estava bem há muito tempo — sussurrei. — Mas eu acho que agora eu vou ficar.