13 | Abraço que envolve o mundo inteiro

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Max desligou seu carro em frente à minha casa e me mostrou aquela sua expressão que carregava toda a bondade do mundo. Eu sabia o que ele estava prestes a perguntar assim que o contato visual durou mais tempo do que o normal. Tudo ficou silencioso, e quase eu cheguei a ouvir minha própria respiração no carro. Nessas horas, eu odiava o silêncio.

— Você está bem mesmo? — perguntou exatamente o que eu esperava. — Você ficou tão solitário de repente...

Senti o canto dos olhos umedecerem.

Durante o jantar, dei o meu melhor para afastar a terrível feição tristonha no meu rosto — consequência de eu ter me menosprezado mais cedo na mente. Eu pensei ter fingido muito bem — a ponto de desviar Max —, todavia, levando em conta o que ele acabou de me falar, eu cheguei à conclusão de que fracassei. Acho que eu jamais seria capaz de enganá-lo com precisão.

— Foi alguma coisa que eu disse? — insistiu.

— Não, Max. — Minhas palavras pareciam cansadas demais. — Não tem nada a ver com você.

— Então, por favor, me conta. — Ele franziu a testa. — Eu não quero te ver triste e não saber do que houve para te deixar assim.

A voz doce dele acentuava minha vontade de chorar. Sua sinceridade visível em suas íris era tão intensa, tão presente que, qualquer que fosse minha tentativa de tentar me esconder dela, eu fracassaria miseravelmente. Era como encarar um tipo de deus que pedia para você abrir seus sentimentos com ele.

— Eu estava pensando... se eu sou bom o bastante para você — soltei, enfatizando essa pausa no meio da frase por uns três segundos. O arrependimento pareceu bem maior antes de soltar as palavras do que após anunciá-las. Ele queria a sinceridade, não era? Eu fui sincero.

Max abriu os lábios; provavelmente deve ter experimentado várias formas de rebater o que eu acabei de dizer, mas, no fim das contas, tudo que saiu foi um som baixo e incrédulo de:

— Como?!

Parei de fitá-lo e encarei o para-brisa, pois o objeto não me intimidaria como o garoto ao meu lado era capaz de fazer.

— Eu não sou a única pessoa que percebe isso — sussurrei, sentindo minha garganta se fechar diante de tanta dor ao expor a verdade. — Todo mundo no colégio comenta. Às vezes o povo nem comenta, só olha. De repente, eu passei do garoto invisível para o tipo de garoto que os outros estão passando a detestar só porque você me faz companhia. — Já era tarde demais para reprimir as lágrimas: em silêncio, eu já estava chorando. — É perceptível que não sou bom para você.

— Isso é loucura! — ele exclamou em um sussurro, pasmo.

Girei minha cabeça na sua direção, e foi doloroso ver sua reação abalada por mim. Eu detestava tanto esse meu lado sentimental; nem me dei conta de que, por causa de Max, eu estava pensando alto demais a respeito da minha conexão com ele, afinal, nos beijamos pela primeira vez hoje. Não era como se fôssemos namorados há semanas e só agora eu percebesse que eu jamais poderia satisfazê-lo.

O que deu em mim? Ele nem é meu namorado, não é? Por que estou agindo como se fosse?

— Ninguém naquele colégio me interessa mais do que você — acrescentou.

Eu não iria alimentar minhas lamentações no assunto que acabei de explorar. Ele não precisava escutar minhas condenações. Também não achei que fosse suportar ouvi-lo dizer que eu era incrível para ele, já que nem eu mesmo me achava incrível.

— Max, eu sinto muito. — Meio que com pressa, destravei meu cinto e limpei meu rosto úmido. — Esqueça o que eu falei. Eu sou um desesperado mesmo...

CONTE-ME MAIS UMA VEZHistórias para pegar e não largar. Descubra agora