14 | Max e... Max?

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O professor deu nota máxima para o nosso trabalho com o sorriso mais orgulhoso do mundo — e isso definitivamente era uma das coisas mais raras de se ver. A idade já deve ter sugado toda a sua energia para o bom humor básico diário, pois era muito comum vê-lo aborrecido com a vida. Mas, ainda assim, Max e eu recebemos os devidos elogios de sua parte (os únicos, inclusive, a ter a dádiva de ouvi-lo dizer "Parabéns"; o resto da sala, que por sorte não coincidiu com a ideia que tivemos, não pareceu dar tanta importância assim para o trabalho).

No fim da aula, Max me levou para casa e disse que, se eu não me importasse, me buscaria e me deixaria nela todos os dias. Dei minhas devidas preocupações quanto ao trabalho que ele teria em fazer isso, mas ele não deu ouvido a nenhuma delas. Então eu não neguei a carona.

No jantar, comi pensando, numa rara vez, no que eu faria amanhã. Acho que ter conhecido o Max real — o que todos enxergavam — estava me fazendo pensar um pouco mais no meu futuro, o que era bom. De tão desanimado que eu andava, nunca parava para fazer os planos do dia de amanhã. Meus pais, que jantavam comigo, notaram a mudança no meu rosto no instante em que cheguei em casa, mas não quiseram saber nada a respeito, pelo menos a princípio. Para quê iriam se dar ao trabalho de perguntar, né, se já estava tão na cara?

— Ele é um rapaz muito charmoso — minha mãe proferiu, sem conseguir manter a boca fechada. — Ele acordou cedo e me ajudou a preparar o café antes de ir para casa.

Okay, isso era novidade.

— Max? — Claro que ela estava falando dele, mas não deixei de ficar chocado.

— Sim. Conversamos muito pouco.

— Mas o suficiente para saber que eu torço muito para vocês continuem juntos — intrometeu-se meu pai, contente.

Deixei minha alegria de lado por um momento.

— Sobre o que vocês conversaram?

— Ele só... falou que adorou ter conhecido você — minha mãe respondeu. — Parece que ele morava em outro lugar. Disse que, quando chegou aqui, já te conheceu.

Eu sentia o canto da minha boca querendo sorrir.

— Ele está encantado por você, isso é um fato — continuou minha mãe, olhando-me com um ar admirado. — Fico feliz que esteja gostando dele.

A surpresa dela passou para mim. Até deixei meu café da manhã de lado para remoer o que ela tinha acabado de me dizer.

— Mesmo?

Ela sorriu para confirmar; eu espelhei o afeto.

— Ele me chamou para sair na sexta-feira agora à noite — avisei. — Eu posso ir?

— Não vejo por que não.

Olhei para meu pai, que parecia orgulhoso, e voltei a comer em silêncio. Claro que, diante de um "Não" da parte da minha mãe, ele viria com o seu "Sim" para salvar a pátria, então, para ser franco, eu não estava tão preocupado quanto devesse estar.

— Ah, eu queria perguntar uma coisa também — falei.

— O quê?

— Eu gostaria de visitar a vó nas férias, se for possível.

Minha mãe considerou as repostas que tinha por uns cinco segundos.

— Filho, eu não sei se teremos como pagar uma passagem... — Por algum milagre, houve lamentação em sua voz. — Já tivemos que gastar para te levar lá e te buscar...

— A gente dá um jeito — meu pai me salvou, lançando-me uma piscadela. — E eu sei que a velha quer muito te ver.

Eu ri. Minha mãe suspirou na direção do meu pai, divertindo-se, no fundo, com o comentário, e voltou sua atenção para mim.

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