Fale-me sobre o amor.

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A rotina de Louis na casa não era mais desagradável para os empregados, mesmo que alguns ainda torcessem o nariz para ele e ainda o chamassem de Edgar as vezes após um mês a maioria deles já se afeiçoara ao pequeno rapaz gentil e educado que sempre agradecia mesmo por um copo de água e nunca era desagradável ou arrogante. Realmente sua gentileza e bondade eram sentidas antes de serem percebidas por palavras.

-Vovó? O que acha disso? Mostrou Louis sorrindo, se referindo a forma com biscoitos de estrelas que ele fez.

A bela senhora sorriu ao ver que a farinha espalhada pela mesa também estava nos cabelos e no rosto de Louis, mas isso era o menos importante, ele estava feliz, parecia mais corado e suas bochechas adquiriam um pouco mais de volume, isso era saudável e reconfortante e claro que tinha a ver com o fato de que seu neto agora tratava Louis com atenção e nunca mais foi rude com ele.

Ela notava que seu neto já nutria sentimentos novos, diferentes da possessão de antes, completamente diferentes daquele amor doentio e perverso, agora ele olhava para Louis com carinho, as vezes até algo além disso...Amor? Ela não sabia, mas desconfiava.

-Harry vai adorar estes biscoitos, ele era louco por eles quando era criança, faz anos que não me aventuro na cozinha, mas estou gostando de faze-los de novo...E acho que alguém pretende agradar o marido afinal de contas...Certo?

Louis corou e negou envergonhado, mas verdade seja dita ele achava Harry muito bonito, lindo para ser honesto consigo mesmo, mas não entendia isso, afinal se eram casados mesmo sem memória ele devia entender isso, ou não? Perguntas demais, resposta nenhuma.

-Só quero ser útil em alguma coisa, nunca faço nada! Passo meus dias rodando pra lá e pra cá e esperando notícias que nunca vem, ainda não lembro de nada, a casa me parece totalmente estranha, nada é familiar, as sessões de fisioterapia são cansativas a exaustão e os médicos não tem me dado nada de novo...sempre me pedem paciência...

Vovó riu e levou a travessa de biscoitos ao forno, depois pegou um pano e limpou a farinha do rosto de Louis como fazia com Harry quando ele era criança.

-Bem, fizemos muitas bonecas e eu já tinha tantas outras guardadas, que tal levarmos elas para o orfanato? Também comprei bolas e carrinhos para os meninos, podemos passar uma agradável tarde por lá, conheço as irmãs e são todas muito gentis, lhe faria bem pegar um pouco de ar fresco e sol.

Louis sentiu que seria ótimo sair um pouco, mas precisava pedir a Harry, não era como se sentisse ser um prisioneiro na casa, mas sim como se devesse muito ao marido de quem não se lembrava e não quisesse causar mais dor e sofrimento a ele.

-Vou pedir a Harry, se ele deixar podemos ir amanhã.

A mulher negou.

-Louis...Você não é um prisioneiro nesta casa, é o dono também, sabia? Sei que se sente em dívida com meu neto, mas não exagere meu querido, você está comigo e eu desejo sair com você agora.

Louis pensou um pouco e concordou, ela tinha razão é claro e depois eles estariam com o motorista e ainda por cima perto de casa, no orfanato onde ele supostamente cresceu antes de ter se enredado em toda a trama que o trouxe a este momento em sua vida e depois os médicos sempre lhe diziam para observar locais e coisas que antes lhe pertenciam para tentar reavivar a memória, porque na maioria das vezes era preciso um gatilho para despertar as lembranças guardadas profundamente em sua mente devido ao trauma.

-Certo...Mas ao menos ligue para Harry e informe nosso paradeiro.

Vovó sorriu e concordou, deixaria uma mensagem com a secretária de Harry, isso seria do agrado do neto e do jovem Louis. Eles se arrumaram e os empregados colocaram todas as coisas no porta malas do carro, uma vez acomodados o motorista os levou pela longa estrada que seguia serpenteando pelo vale até a casa antiga construída ainda durante a metade da década de 40 naquele local para abrigar crianças que ficaram sem os pais durante a segunda guerra mundial. A construção era um pouco sombria e lembrava muito os antigos casarões assombrados dos filmes de terror.

Doce criatura.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora