Capítulo XIII

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Eu e Dríope saímos da aula de constelação e seguimos em direção ao portão da universidade, aonde fomos paradas por dois sátiros que estavam entregando panfletos de uma festa que teria no domingo.

- Vamos? – ela virou para mim, apesar de usar um óculos escuro dava para perceber o seu brilho no olhar. Acho que depois de tanta tragédia, nós deveríamos nos divertir.

- Então vamos comprar roupas de tarde de depois vamos para lá? – sugeri. Por estar mais calor do que normal, eu decidi usar um dos meus vestidos de alcinha florido. Algo bem leve para, já Dríope estava usando a roupa mais fresca dela, mas que fosse profissional o suficiente: uma saia plissada azul anil longa e uma blusinha branca não muito decotada.

- Perfeito! – seus lábios vermelhos por causa do batom formaram um sorriso. Domingo fará uma semana que a Dríope se tornou uma sobrevivente, não acho que vítima é o mais adequado para chamá-la, ela está lidando tão bem com a situação. Mas me pergunto se ela está se segundo e se em qualquer hora ela explodirá.

Seguimos até o ponto do bondinho, que logo passou. As outras garotas da casa resolveram ir almoçar no shopping com alguns faunos amigos do namorado de Pan, Edgar. Eu sempre quis ir num shopping, carregar várias sacolas, passar pelas vitrines das lojas e admirar os produtos, assim como sempre via na televisão de mamãe.

Olhei pela janela alguns casais de ninfas e faunos passaram abraçados ou de mãos dadas, o meu pensamento foi direto para Hades, seria quase impossível esse tipo de situação conosco. Veja bem, eu não sou pessimista, mas tento ser o mais realista possível para não me decepcionar; Hades fica a maior parte do tempo trabalhando no submundo e eu não sei se conseguiria demonstrar tantos sentimentos em público. Apesar da minha mãe controladora e protetora, ela nunca foi de afetos físicos e eu não a julgo, sempre que uma ninfa me abraçava em casa eu me sentia um pouco desconfortável. Talvez seja de família.

- Perséfone, está sonhando acordada? Vamos perder o ponto. – Dríope estalou os dedos na frente dos meus olhos quando estávamos no quarteirão da entrada do elevador para o submundo.

Descemos do bondinho e seguimos os nossos caminhos, cada passo que eu dava em direção a escada principal as minhas mãos suavam mais e as batidas do meu coração ficavam mais fortes e rápidas. Eu sou grata por Dríope não ficar me fazendo perguntas sobre ontem, eu também não estou pronta para dividir o que tem entre mim e Hades. Até porque eu não sei o que temos, é muita coisa em pouco tempo, minha mãe sempre falou que o que vem fácil vai fácil e eu não quero que isso aconteça conosco.

Ao sentar na minha cadeira, eu tentei olhar discretamente para a janela de Hades, mas, como sempre, estava com a cortina tampando. Então comecei a fazer o meu trabalho, os números estavam um pouco abaixo da média, não sei se poderia ficar feliz ou preocupada por Thanatos poder estar deixando de fazer o trabalho dele direito.

- Nem vai dar bom dia para o seu chefe? – dei um pequeno pulo na minha cadeira por estar um tanto concentrada demais nos números de óbito. Olhei para cima para encarar um Hades um tanto quanto sorridente, ele vestia o mesmo conjunto de sempre. Mas quando ele cruzou os braços pude notar o volume de músculo por baixo. Não, ele não estava usando uma camiseta habitual, com certeza era uma mais justa.

- Bom dia, eu achei que o meu chefe apreciaria que eu começasse o meu trabalho o quanto antes. – provoquei tentando conter o sorriso malicioso que queria percorrer, quase falhei.

- Acho que o seu chefe preferiria que você fizesse horas extras do que não dar um beijinho de bom dia.

- Beijinho? Acho que o meu chefe ainda não aprendeu o que é profissionalismo. – desisti de conter o sorriso, o que fez com que o dele se alargasse um pouco mais. Hades estava diferente hoje, ele tinha chamas em seu olhar. Literalmente. Mas não eram chamas iguais as que eu vi quando ele bravejou com Thanatos, eram chamas mais vermelhas e menores, porém mais intensas.

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