Deveria ser de uma da manhã quando consegui escapar de casa após esperar meia hora a última garota ir dormir, caminhei até a esquina em que Eros tinha me mandado que estaria. De longe já conseguia avistar o carro rosa esportivo (palavras de Hades) que estava estacionado com as luzes apagadas. Sorrateiramente, abri a porta do acompanhante e entrei.
- Você demorou demais. – Eros disse, ele deveria estar esperando por uns quinze minutos.
- É difícil sair sem chamar atenção em uma casa lotada de garotas. – não conseguia vê-lo por causa que a luz de dentro do carro permanecera desligada, mas consegui perceber o seu olhar irritado me fuzilando.
- Eu não quero saber disso, eu só quero saber quem fez aquilo com Dríope. – ele disse rapidamente, tão rápido que o meu cérebro quase não processou.
- Oi? – eu estava incrédula, como ele poderia saber que algo aconteceu com Dríope?
- Não se faça de sonsa, por que raios todos pensam que podem me enganar? – ele aumenta um pouco o seu tom.
- Em primeiro lugar, eu não estou me fazendo de sonsa; em segundo lugar, eu não penso isso de você. Eu apenas... O que você realmente sabe sobre Dríope? – questionei-o, ainda estando confusa.
- Desculpa pela minha mini explosão, mas... Minha mãe me deixa um pouco louco às vezes, enfim... Eu sou deus do Amor, certo? – assinto. –Eu não me limito ao amor, eu também sei que está com coração partido, eu sei os tipos de amor e os tipos de dores que afligem o coração de alguém.
- E o que você viu nela?
- Dor, arrependimento, culpa... perda. Eu sei que podem significar muitas coisas, mas quando unidas em um coração significa que alguém que te amava fez uma coisa muito horrível para você, eu só vi esse tipo de situação com um mortal que o marido a agredia tanto fisicamente, quanto psicológica e sexualmente. E eu só soube disso porque presenciei uma vez que isso aconteceu, eu estava invisível, vagando pela Terra para fazer as pessoas se amarem mais, e eu adentrei nessa casa e a cena era horrível. Ela já estava morta por dentro, não sei o que houve depois, mas não acho que ela seguiu em frente. – eu estava um pouco atordoada com toda aquela informação. – Perséfone, me diga quem fez isso com Dríope?
- Eu não posso, Eros. – balbuciei, eu estava em choque. Dríope estava escondendo tanto a sua dor que está se autodestruindo. – Eu não tenho o direito de te dizer, mas posso tentar protegê-la.
- Se você não contar, eu te levarei para Apolo e ele irá adivinhar. – ameaçou.
- Não! Apolo, não! – quase gritei, talvez tenha sido o temor em minha voz ou o lampejo de desespero que passou em meus olhos naquele momento, não sei, mas Eros me olhou como se entendesse tudo.
- Perséfone, você contou para Ártemis? – ele se recostou em seu assento.
- Não, nem imagino como ela reagiria.
- Nós não podemos deixar a situação assim.
- Hades também acha. – ele se virou para mim, eu já sabia que tinha falado demais.
- Hades sabe?
- Nós chegamos bem na hora... – a cena veio em minha cabeça, se eu quem apenas viu a cena após o ocorrido ainda estava sensível, imagina a minha amiga.
- Aquele desgraçado tem que pagar. – concluiu Eros.
- E como faremos isso sem expor Dríope?
- Darei um jeito, não se preocupe.
- Você já está me preocupando. – retruquei, afinal era a verdade.
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Amores olimpianos
RomansaA história gira em torno da jovem deusa de 18.000 anos Perséfone, que cresceu isolada de outros deuses e começa uma nova jornada em sua vida. Ela conta de seu ponto de vista suas opiniões e observações sobre os deuses olimpianos, inclusive seus prob...
