- Por que você não me avisou que iríamos jantar com Hades? – Ariadne me encara como se quisesse me matar, e aposto que ela queria. Estávamos descendo o elevador para o submundo, aonde encontramos o Caronte e demos uma moeda para que ele aceitasse transportar a minha amiga.
- Você vai amar, Hades cozinha muito bem. – eu disse ignorando a sua carranca, eu juro que dava para perceber uma aura negra em sua volta, mas eu estava animada por nós duas. Seguimos pelo prédio e o atravessamos direto para o seu fundo, consequentemente era a frente da casa de Hades. Já no gramado do quintal eu senti um perfume de comida no ar, mas ainda não conseguia distinguir do que era.
- Vamos entrar logo, está cheirando muito bem. – meu estômago roncou em concordância, quando eu fui dar mais um passo em direção a casa toda iluminada, eu fui jogada no chão e um peso enorme estava me prendendo nele.
- Cérbero! – distingui a voz de Hades se aproximando. Logo o peso saiu sobre mim e pude observar Hades me olhando de cima, ele ofereceu a mão para me levantar e eu a aceitei. O cão estava de pé com um olhar triste, então fui acariciá-lo.
- Quanto tempo, meu amiguinho!- eu disse enquanto ele abanava o rabo. Fiquei ereta novamente, estiquei o meu braço em direção a Ariadne.
- Essa é Ariadne, ela mora comigo. – sorri para que ela aproximasse a cumprimentasse Hades.
- Muito prazer, espero que eu tenha feito uma comida que você goste. – diz o anfitrião. – Que tal entrarmos? Um amigo meu apareceu de surpresa durante a tarde então resolvi fazer um jantar.
Seguimos em direção a casa, o cão passou pela porta, logo em seguida foi Ari, quando era a minha vez, senti Hades colocando sua mão em minha lombar, o que me fez ficar um pouco nervosa, olhei para ele, que se aproximou de mim e disse baixinho, quase em tom de confidência:
- O que te fez desistir da festa? – assim que fez a pergunta, ele se afastou.
- Só estava cansada. – sorri e dei de ombros, adentrando o local, aonde o perfume de comida estava mais intenso.
Um homem mais baixo do que Hades, mas com certeza mais alto do que Eros, estava sentado em um dos bancos vermelhos da ilha da cozinha beliscando uns queijos em cubos que estavam em um prato com azeite. Ele tinha uma pele mais parda, seus cabelos castanhos eram encaracolados como se fossem uvinhas, que caiam pelo seu rosto. Pela cor rosada de suas bochechas, deduzi que ele já havia bebido bastante álcool.
Ele se levantou de seu assento, sua barriga delatava que não se exercitava igual Hades ou os outros deuses que eu já conhecia, mas ainda era magro (só que com um buchinho causado pela bebida) por todas as suas características eu já sabia quem ele era: Dionísio! Era bem estranho pensar que Hades tinha uma amizade com ele, já que o primeiro era, basicamente, a personificação de festas e o Hades era... bem, ele era o deus do submundo que não se enturmava com ninguém.
- Boa noite, lindas damas. – ele fez uma reverência exagerada. – Estão servidas?
A noite passou tranquila, apesar de algumas inconveniências de Dionísio (como as cantadas que ele dava em minha amiga) que acabara dormindo no sofá após ter bebido a metade do estoque de vinho sozinho. Após muita insistência, cedi para que Hades nos desse uma carona, nos despedimos, mas eu notara algo estranho em seu beijo do boa noite.
...
Quando eu cheguei no trabalho na segunda-feira a atmosfera estava mais pesada, comentei com Dríope mas ela falou que era coisa de minha cabeça. Subi as escadas e os meus passos ecoavam pelo corredor, de longe pude perceber um burburinho vindo da sala de Hades, que tinha a porta aberta e, encostado no batente, Thanatos jazia rígido.
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Amores olimpianos
RomanceA história gira em torno da jovem deusa de 18.000 anos Perséfone, que cresceu isolada de outros deuses e começa uma nova jornada em sua vida. Ela conta de seu ponto de vista suas opiniões e observações sobre os deuses olimpianos, inclusive seus prob...
