Capítulo V

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Esperei Hades por pouco tempo, até que escutei um som metálico vinda da lateral da casa, aonde tinha uma rampa, e de lá veio um automóvel vermelho de quatro rodas, duas portas e... achatado, meu mais novo chefe estava sentado na cadeira da esquerda, ele parou na minha frente.

- Perséfone? - eu deveria estar com um olhar incrédulo pelo tom de voz dele. 

- Todos os carros são achatados? - perguntei em transe pela cor do carro.

Hades gargalhou.

- Não, esse é um modelo esportivo. Entre pelo outro lado.

Assim, dei a volta pela frente do carro e peguei numa maçaneta preta, seitei-me na poltrona almofadada, fechei a porta e fiquei segurando o ar até que Hades estralou os dedos na frente dos meus olhos.

- Você não tinha visto um carro antes? - eu neguei com  a cabeça. - Fico feliz em ser o primeiro. - a sua fala saiu como se quisesse insinuar várias coisas, mas ele só olhou para frente e passou a língua pelo lábio inferior. - O que você gosta de comer? 

- Qualquer coisa. - respondi analisando o interior escuro do carro mesmo não entendendo o que cada peça significava. - Eu tinha trazido uma romã, mas ela sumiu... Eu não trouxe bolsa, então eu posso ter deixado ela cair em algum lugar. - falei meio confusa, porque não é normal você perder um alimento que está em suas mãos.

Hades me olhou de um jeito divertido.

- Você é sempre engraçada? - ele colocou a costa de sua mão na boca para tampar o sorriso - Tem uma cobra no prédio, ela adora roubar os alimentos.

Eu pisquei várias vezes. Uma. Cobra.

- Ela anda livremente? Ela pode me machucar? E se a imortalidade não for páreo para o veneno de uma cobra do submundo? - Hades começou a rir, eu agarrei o seu braço tremendo. - E se ela me machucar? - eu tinha pavor de cobras desde que uma jiboia de Dafne escapou e começou se enrolar em mim enquanto eu estava dormindo. Por sorte, a sua dona veio e a repreendeu, e a cobra simplesmente fez uma cara de inocente e volto para o seu canto.

Hades colocou a sua mão esquerda sobre as minhas, que estava ainda apertando o seu braço direito.

- Eu nunca deixaria você se machucar, minha doce Perséfone. - ele passou a sua mão em minha bochecha, o que me acalmou e a minha consciência voltou, piscamos e o transe foi quebrado, ele se afastou ao mesmo tempo em que eu retornava as minhas mãos sobre o meu colo  e fiquei cabisbaixa durante o período de silêncio que deve ter durado uns dois minutos, até que ele tossiu. - Acho melhor você colocar o cinto de segurança.

- Desculpa?- eu já tinha falado que eu nunca vi um carro. Sem pestanejar, Hades se debruçou sobre mim, assim pude sentir bem o cheiro de menta vindo de seus cabelos, ele prendeu a fivela entre nós.

Agora, com as duas mãos em um negócio redondo com um miolo, ele pisou em algo e o carro começou a se mover,o que me fez agarrar o meu assento.

- Então você irá começar os estudos amanhã? - o ar entre nós estava pesado, claramente ele queria que isso mudasse.

- Sim, você estudou lá?- eu queria interagir também para que a tensão não fosse a minha culpa.

Hades riu, as suas risadas era suaves mas precisas.

- Enquanto a universidade foi criada, eu já estava com mais de 25.000 anos. - corei por ter perguntado algo tão bobo, por ter esquecido quem ele era e por não ter ficado com a boca fechada; eu preferiria ser a culpada da tensão entre nós do que parecer uma tonta. Mas Hades deve ter lido a minha mente porque continuou:  - Eu já fui convidado a lecionar lá, mas o meu lugar é aqui.

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