18:20pm - Salão Comunal dos Monitores-Chefe
Narradora.
"Você olha para mim e chora tudo dói, eu te abraço e sussurro mas tudo pode curar." RUPI KAUR
A atmosfera harmoniosa e amigável que pairava na sala comunal dos monitores-chefe não envolvia a todos os presentes. Um Draco Malfoy carrancudo e emburrado se encontrava escorado na porta da cozinha observando sua colega de dormitório e seu parceiro, que considerava um grande pateta, sorrindo radiantes. Em sua concepção, pessoas obtusas viviam numa bolha de alegria e contentamento inquebrável a qual ele secretamente invejava. Seus colegas sonserinos estavam se amigando com pessoas que ele considerava completas bobocas. O que será que estava acontecendo, afinal? O mundo bruxo estava sendo ameaçado, alunos estavam sendo retirados da escola por seus pais e seus colegas sorriam e festejavam, exceto por Harry, que não estava presente (para felicidade de Draco).
Ele deveria ter escutado a Hermione no Três Vassouras e não ter permitido festinha alguma, assim não estaria se sentindo tão só e desolado. Estaria aproveitando a companhia de um bom vinho dos elfos e fazendo seus deveres à sós, deitaria no sofá velho e confortável da sala comunal e planejaria inúmeras formas de se livrar da tarefa de Comensal da Morte.
Num ímpeto de raiva e impaciência, foi até a sala de estar.
- Quero todo mundo fora, agora! - expulsou, gritando e puxando Zabini violentamente do sofá. Este o olhava chocado murmurando xingamentos.
- O que deu em você, Malfoy? Foi você quem aceitou isso e agora que expulsar todo mundo? - perguntou Hermione aborrecida, levantou do sofá e parou em sua frente com os braços cruzados.
- Olha, não estou me sentindo bem e preciso ficar só agora, não estou no clima para festinha. - respondeu Draco, sua voz mais baixa e hesitante. Sua maneira de falar desconcertou Hermione, normalmente, ele seria bruto e grosseiro, mas o seu tom de voz demonstrava que estava sendo sincero. As pessoas ao redor olhavam perplexas e iam deixando os aposentos. Os dois ainda se olhavam fixamente, mas esse transe foi interrompido por Córmaco McLaggen, que pigarreou chamando a atenção da garota. Embaraçada, Hermione deu um sorriso fraco ao seu namorado, e disse baixinho:
- Acho melhor você ir agora, Marc. Está tarde e eu vou descansar.
A garota o acompanhou até a passagem, enquanto isso, Draco gestionava com a varinha e ia arrumando a bagunça que foi feita.
- O que você está sentindo? Não acha melhor ir até a enfermaria? Madame Pomfrey pode te examinar... - sugeriu Hermione apreensiva. Os copos sujos de hidromel levitavam até a cozinha, Malfoy se virou para olhá-la.
- Não é necessário. Um pouco de descanso me fará bem. Mas obrigada pela preocupação. - tranquilizou-a e a menina não conseguiu disfarçar seu espanto pelo agradecimento, arregalando os olhos. Malfoy percebeu e achou divertido. - Às vezes eu uso um pouco da educação que minha mãe me deu.
Ela riu educadamente e entrelaçou seus dedos num gesto de nervosismo. O silêncio era constrangedor e nenhum dos dois se movera um centímetro.
- Como eu ia dizendo... - Draco começou, quebrando o gelo. - Vou para meu quarto descansar.
Hermione observa Draco subir suas escadas e faz o mesmo. Em seu quarto, troca suas vestes por pijama e se despeja em sua cama. A garoa fina bate nas vidraças da janela fazendo com que o cansaço envolva o seu corpo frágil, fazendo-a dormir rapidamente.
Ao que pareceram minutos, Hermione foi acordada com o que pareciam gritos, pegou sua vassoura na escrivaninha e desceu correndo as escadas. Mais uma vez, a menina fora acordada com os gritos do Draco. Ela seguiu até seu quarto e escancarou a porta. Ele estava deitado em sua cama, seus gritos de dor denunciavam que ele estava tendo um pesadelo bastante desagradável. Fazendo um gesto com a varinha, da sua ponta saiu um jato de água, que despertou Draco de sua agonia.
- Me perdoe, Draco... - se desculpou, enquanto o ajudava a levantar. - Você estava sofrendo muito... e eu, eu não sabia o que fazer...
Ela o olhou apreensiva e ele permaneceu calado, estava atordoado e seus olhos mantiveram fechados. Respirou fundo e encarou a menina preocupada.
- Poxa, Granger. Você veio até aqui só para me ajudar? - perguntou surpreso, ela o olhou confusa. Draco sentiu uma onda de calor irradiar seu corpo, o fato de que a menina se preocupava e tentou ajudá-lo provocou uma sensação de conforto e companhia que há muito tempo não sentia. Ele sorriu envergonhado e ela olhou para suas mãos apoiadas em seu colo.
- Você quer alguma coisa? Uma água? - ofereceu, ajeitando a alça de sua camisola que caiu, na pressa, nem pensou em vestir o seu hobe. Malfoy seguiu os dedos finos e magros da garota com o olhar, a camisola que vestia deixava seu colo exposto e não pôde deixar de notar na pele delicada da garota, mais uma vez, os dois ficaram imersos em um transe, se olhando.
Draco Malfoy não podia entender, desde que conheceu Hermione, a tratara feito um lixo repugnante, que em suas convicções e crenças, ela realmente era. Mas desde que começaram a dividir esse dormitório, ela tem estendido sua mão quando ele precisou. Hermione sempre aparecia quando ele estava afundado em sua escuridão, quando ele mais precisava.
- Vou na cozinha buscar um copo de água para você... - avisou Hermione, e antes que ele pudesse protestar, ela saiu do quarto. Um simples gesto com a varinha traria o copo de água até o quarto, ela estava mesmo desesperada para sair dali...
Voltou, sem graça, depois de cinco minutos, com o copo de água na mão. Quando se aproximava de sua cama, a menina, que estava descalça, escorregou com uma pena jogada no chão. O copo se transformou em vários cacos de vidro, atordoada, ela abaixou para pegar, acabou cortando sua mão.
- Saia daí, Granger! Que ideia de trasgo de catar caco de vidro com a mão... - exclamou Malfoy, levantando apressado e empunhando a varinha para juntar os cacos de vidro. Desacautelado, acabou por pisar em um pedaço minúsculo de caco de vidro, cortando a sola do seu pé. Arrumou a bagunça com os cacos de vidro e se sentou na cama ao lado de Hermione.
- Acho que não há necessidade de incomodar Madame Pomfrey com ferimentos tão bobos... - disse tentando descontrair, olhou para seu lado e viu que Hermione olhava o pé dele com uma expressão estranha. Ela o fitou e mostrou-o sua mão ensangüentada.
- Veja: meu sangue é tão puro quanto o seu.
E pela primeira vez, Draco Malfoy admitiu que Hermione Granger estava coberta de razão.
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Ojesed - Dramione (EDITANDO)
FanfictionE se tudo que você acreditasse e julgasse como a verdade fosse colocado à prova? Você é capaz de refletir e questionar suas crenças? Quem será capaz de refletir a luz de uma outra pessoa? Essa é a história de um amor que iluminou a mais obscura era...
