Sherlock abriu os olhos devagar, mas foi forçado a fechá-los de novo quando a luz queimou suas retinas. Um gemido escapou de seus lábios secos. Havia uma espécie de névoa cobrindo seus pensamentos, impedindo que seu raciocínio trabalhasse.
— Sherlock? – Uma voz chamou, ele tinha a sensação de que devia conhecê-la, mas os pensamentos não se organizavam o suficiente para isso – Sherly? – O apelido arrancou outro gemido do detetive. Ele odiava aquela abreviação. – Você pode abrir os olhos, eu fechei as cortinas.
Sherlock voltou a abrir os olhos com cuidado, a luz estava mais suportável dessa vez. Seu olhar se voltou para a figura em pé ao lado da sua cama, o rosto estava meio embaçado no início, mas aos poucos foi ganhando foco.
— Mcrof? – Sherlock franziu a testa ao ouvir sua própria voz.
— Sim – O homem mais velho parecia mais tenso que o normal. Por algum motivo Sherlock sentiu raiva, ele ainda não conseguia se lembrar o que tinha acontecido, mas tinha quase certeza de que Mycroft tinha algo a ver com isso.
O detetive se esforçou para se sentar, ele teve que fechar os olhos quando a vertigem o atingiu e só voltou a abri-los quando sentiu que o quarto havia parado de girar.
Ao mexer o braço, sentiu uma picada que chamou sua atenção para a linha intravenosa que o conectava com um saco de fluídos e o que ele imaginou ser uma bomba de morfina. Isso explicava a dificuldade de raciocínio.
Seu olhar se voltou para o próprio corpo e ele percebeu que estava usando uma camisola de hospital, tinha os dois pulsos envolvidos em bandagens e um curativo visível sob a manga curta da camisola.
Não era a primeira vez que Sherlock acabava no hospital, mas ele morava com um médico agora. John cuidava de todos os seus "ferimentos de batalha", mesmo que reclamasse sobre não receber para isso e que Sherlock "Devia fazer um maldito plano de saúde". Um sorriso involuntário apareceu em seus lábios ao pensar no típico discurso de John.
Aparentemente se lembrar do médico era o gatilho necessário para que suas lembranças voltassem com força.
— John – O nome saiu engasgado por causa de sua garganta seca. Ele se livrou da linha presa em seu braço e se levantou antes que Mycroft pudesse impedir. No momento em que tentou dar o primeiro passo, no entanto, suas pernas, dormentes por causa da morfina, cederam e ele caiu no chão com um baque surdo.
— Sherlock – Havia uma ponta de preocupação na voz de Mycroft que o detetive nunca tinha ouvido antes, mas não importava. Tudo o que importava era que Mycroft o havia traído.
— Não encoste em mim – Sherlock rosnou enquanto se esforçava para se pôr em pé sozinho.
Mycroft se afastou surpreso ao mesmo tempo que uma enfermeira entrava no quarto. Sherlock a reconheceu imediatamente, era uma amiga da senhora Hudson, Henrietta Tewell. A mulher de meia idade aparecia sempre aos finais de semana para jogar Poker.
— Senhor Holmes – Exclamou Henrietta. O chamado atraiu o olhar dos dois homens no quarto, mas ela ignorou Mycroft e foi até Sherlock. – Que demônio te possuiu para tentar sair da cama assim? – O detetive piscou surpreso com a abordagem, mas deixou que ela o ajudasse a levantar e se sentar na cama. – E você, – A mulher continuou com um olhar irritado na direção de Mycroft – Por que não o impediu de fazer algo tão estúpido?
— Eu... – Mycroft começou, mas foi interrompido.
— Pensei que estaria familiarizado com o conceito de pergunta retórica. – Henrietta parecia ter sido contaminada pela antipatia da senhora Hudson por Mycroft. – Agora, Senhor Holmes – Continuou, se voltando para seu paciente. – Deite-se e eu vou arrumar seu IV.
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The Devil's Game (Concluída)
Fiksi PenggemarUm novo jogo começa, e dessa vez, não é Moriarty quem está movendo as peças. Sherlock, como de costume é chamado por Lestrade para ajudar a Polícia com os novos casos. Quando essa aventura coloca a vida de John em risco, ele precisa deixar seu orgul...
