Um delicioso cheiro de panquecas se espalha pela casa, incentivando toda a família Clearwater a levantar da cama. Sue é a primeira a se levantar, trocando-se rapidamente para averiguar que milagre acontecia em sua casa, já que era a única que cozinhava ali e não era ela que estava preparando o café da manhã.
― O que está fazendo fora da cama, rapazinho? – pergunta, cruzando os braços e franzindo a testa ao ver Lucian na cozinha. – Volte para o quarto e vá se deitar agora mesmo!
― Eu já estou melhor, Sra. Clearwater...
― O que está fazendo aqui? – pergunta Leah enfurecida, entrando na cozinha com os cabelos ainda desalinhados, interrompendo-o. – Volte para o quarto agora mesmo.
Leah marcha em direção a ele, agarrando-o pela mão e o puxando de volta para o seu local de repouso. Somente ao adentrar o cômodo, é que a quileute se dá conta do que fizera e sente o aperto quente ao redor dos seus dedos. Ela encara os olhos arregalados do lobo, que não entendia a motivação de seu comportamento e, ao mesmo tempo, sentia uma corrente de eletricidade invadir-lhe o corpo fazendo seu coração acelerar.
As mãos unidas formavam uma conexão perfeita, quanto mais tempo ficava perto de Leah, mais Lucian tinha certeza de que ela era o eixo de sua vida. Leah pressiona os lábios, segurando o sorriso que queria brotar em seus lábios, ouvir as batidas aceleradas do coração dele lhe trazia uma sensação boa, algo que não sentia há muito tempo. A situação também poderia ser encarada como engraçada, pois, quem imaginaria que um lobisomem tão experiente se agitaria por um ato tão simples? Mas Leah sentia mais acalento do que graça, em toda aquela situação, e não ousou rir dele em nenhum momento.
― Agora vá se deitar – manda, de maneira estranhamente gentil, apontando para a cama. – Se quiser me levar para sair, terá que estar 100% recuperado... A não ser que não queira – cogita, dando um sorriso maroto e colocando as mãos na cintura.
Lucian abre a boca surpreso. Ela estava se convidando para um encontro? Ele não conseguia acreditar na mudança repentina do clima entre eles, e no comportamento de Leah, que tão de repente o abordava. O cherokee vinha desejando convidá-la para sair há dias, e quando a oportunidade finalmente aparece, nem sequer parecia real.
― Está falando sério? – pergunta ele, incrédulo.
― Mais sério que minha própria existência – afirma, empurrando Lucian de volta para a cama. – Porém, determino uma condição.
― E qual seria?
Leah o obriga a se deitar e o encara seriamente, deixando crescer o clima de suspense. Ela se aproxima do rosto dele de repente, fazendo-o se perder no escuro de seus olhos e prender a respiração de forma inconsciente. Agora que sabia do que ele gostava, a quileute percebeu que poderia exercer mais poder do que imagina sobre ele, o que seria... Divertido!
― Conquiste-me, se for capaz! – desafia, erguendo-se e partindo em direção à cozinha.
Lucian sorri. Estava feliz, Leah estava nitidamente o provocando, mexendo com o seu imprinting e isso o deixa muito feliz, pois significava que ela não era avessa a ideia de ficarem juntos ou de tê-lo por perto. Ele estava conseguindo se aproximar de seu coração, mas não fazia ideia de como havia dado aquele importante passo. Respirando fundo, o cherokee deixa seu corpo relaxar e se esparramar pela cama, enquanto suas narinas se enchiam do cheiro da quileute, que estava impregnado em todo o quarto.
― Eu sou capaz – sussurra para si mesmo, sorrindo abobalhado –, tenho certeza!
Levou mais dois dias para que o rapaz se recuperasse por completo e Sue o deixasse andar livremente pela casa. E durante esse tempo, Lucian e Leah acostumaram-se com a presença um do outro, apesar de dificilmente manterem uma conversa por mais de dois minutos. Ela lhe trazia café na cama, pela manhã, o buscava furiosa todas as vezes que ousava fugir do quarto e o obrigava a tomar o xarope cherokee, que logo depois descobriu não ter um gosto bom. Já Lucian, apenas a observava entrar e sair do quarto, admirava seus momentos de fúria quando fugia do seu repouso e, quando ninguém estava por perto, fuçava as coisas de Leah.
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Leah
Hayran Kurgu"Você está designado para a pessoa que lhe dá as melhores chances de continuar os genes lupinos [...] Se eu fosse boa nisso, Sam teria sido designado para mim. Mas eu não sou. [...] Claro que ninguém jamais me levaria em consideração" (Leah, Amanhec...
