Thomas

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Alguns dias se passam. Pelos meus cálculos, é semana de prova no colégio de Cliverland, acho que a secretaria não ligou para os meus pais para falar sobre as minhas faltas porque acha que estou viajando com eles... Menos mal. Não me canso de olhar para o papel que tem o número de telefone da Lynn, agora estou esperando o momento certo para ligar para ela. Em um sábado, estou na cozinha, preparando um sanduíche enquanto Sammy está debaixo da bancada de mármore branco. Depois que devoro o delicioso sanduíche de presunto, queijo e alface, pego meu celular, vejo Sammy brincando com a própria pata e pergunto.

-O que eu faço, Samara? Será que eu ligo para Lynn?

Ela não presta a atenção em mim, mas balança o rabo várias vezes, isso quer dizer 'Liga pra ela, idiota!'. Encontro o número de Lynn na minha agenda e ligo para ela. Chamou, chamou, chamou... Não atendeu. Fiquei frustado, claro, mas decido esperar uns três minutos para ligar de volta. Parece que os minutos se transformam em horas, não consigo esperar tanto tempo e trinta segundos depois, ligo de novo. No quinto toque, Lynn atende.

-Alô?

-Lynn, sou eu, o Thomas.

-Thomas! -sua voz fica muito animada. -Você está bem?

-Daquele jeito, mas estou bem... E... E você?

-Estou bem, estou estudando para as provas mensais.

-Ah... -não consigo esconder minha frustração, com certeza Lynn reparou nisso.

-Por que seu tom de voz mudou?

-Não mudou não.

-Thomas...

-Tá, é que eu... Eu queria que você... Viesse para minha casa.

Ficamos em silêncio por uns segundos, mordo meu lábio inferior e espero Lynn me dar um fora.

-Lynn?

-Oi?

-Você está me ouvindo?

-Estou, é que... Eu estava colocando minhas canetas no estojo.

-Quer... Quer dizer que...

-Quer dizer que em meia hora, eu vou estar na sua casa.

Lynn desliga o celular. Coloco meu iPhone no bolso da calça, vou em direção à Sammy, pego suas patas de frente, deixando-a de pé, e danço com ela.

-Lynn vai me visitar, Sammy! -digo animado. -Se comporta, hein? Não vá assustar ela.

Solto Sammy, subo a escada e vou para o meu quarto. Me olho no espelho, essas veias horríveis ainda permanecem no meu corpo, visto uma camisa polo azul-escuro e ponho um pouco de perfume. Em seguida, saio do meu quarto, desço a escada e me sento no sofá com Sammy do meu lado. Espero impacientemente Lynn, o tic-tac do relógio suíço que fica em cima da TV me irrita, acaricio Sammy para me acalmar, mas não adianta, a ansiedade e a impaciência estão me dominando.

Minhas veias começam a pulsar, suspiro profundamente várias vezes e meu corpo relaxa lentamente. Vinte e nove minutos se passam, começo a contar os 'tic-tac' do relógio e quando falo o número sessenta, a campainha toca. Eu e Sammy vamos em direção à porta, a abro e vejo Lynn sorrindo para mim. Ela está usando uma regata verde, uma saia jeans e um par de sapatilhas brancas com pequenos laços nas pontas e seu cabelo está preso por um rabo de cavalo. Na minha opinião ela está linda e antes que pudesse elogiá-la, Sammy pula em sua direção, Lynn fica um pouco surpresa com a hospitalidade, mas trata Sammy com amor, até acaricia seu corpo.

The CurseOnde histórias criam vida. Descubra agora