O dia inteiro, onde quer que Changkyun ia, Jooheon ia atrás, como não havia nenhum paciente em estado grave e nenhuma emergência na UTI, não foi um problema, tirando o fato que era estranho ter alguém o observando enquanto ele trabalhava. Estava quase no final de seu expediente, ele estava atendendo um paciente que havia se recuperado de uma cirurgia nos pâncreas semana passada. Chang o examinou e lhe deu alguns remédios para dor. Jooheon esperava do lado de fora do quarto hospitalar, quando Lim saiu do quarto se deparou com uma cena engraçada e fofa. Jooheon estava sentado em uma cadeira azul estofada de espera, tinha os braços cruzados e as pernas estendias, sua cabeça pendia para o lado e ele babava enquanto dormia. Chang conteve um riso, ele se aproximou e o cutucou no braço.
— Jooheon. Hey, acorda. — Abanou a mão na frente de seu rosto, mas ele continuou dormindo.
Lim pegou o celular e tirou uma foto, a cena era cômica demais para não registrar. Lee Jooheon Nomura, Kobun do chefe da quarta família da Yakuza, estava dormindo em uma cadeira de espera enquanto babava. Chang fez mais uma tentativa de o acordar, dessa vez cutucou sua bochecha.
— Jooheon, acorda.
— Huum? — Se remexeu e abriu os olhos, meio confuso. — O que foi?
— Você estava dormindo. — Falou contendo um riso. — E babando.
Jooheon secou a baba com o dorso da mão. — Quanto tempo eu dormi?
Deu de ombro. — Não muito. Eu já estou terminando aqui, por que você não vai comprar um café para você? — Sugeriu.
— Boa ideia. — Se levantou e massageou o pescoço. — Eu te espero lá embaixo, então.
Chang anuiu com a cabeça, concordando, e Jooheon foi para o elevador. Lim pegou o celular e visualizou a foto tirada, deu um risinho curto e guardou o aparelho no bolso, voltando ao trabalho.
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Jooheon havia passado a noite anterior toda acordado, foi dormir só depois das quatro da madrugada, tudo isso porque precisava terminar de revisar a papelada atrasada. Ele havia mandado mensagem para Shownu. Seu pai havia escalado Shownu para a missão de ir atrás de Kwangji, mas Jooheon precisava ir junto. Depois de falar por Skype com Shownu e ele lhe contar tudo que descobriu com Zhang, Jooheon só sentia-se mais motivado em descobrir o que estava acontecendo e depois do Son ter lhe dito que a maleta continha informações sobre Jooheon e assassinato... bem, ele não queria pensar no prior, não queria pensar que seus pais estavam realmente mortos, mas era inevitável a dúvida, não conseguiu nem pregar os olhos direito, ele calculou que não dormiu mais do que três horas.
Lee resolveu acompanhar Chang no trabalho, como seu último dia na Coreia antes de ir atrás de Kwangji, ele achou que seria uma boa ideia assegurar a segurança do menor, afinal, depois de amanhã Chang estaria sozinho. Quanto ao porque dele estar ajudando tanto o garoto, nem ele mesmo sabia ao certo, mas sentia essa necessidade. Desde a noite anterior em que teve aquela discussão com Chang, ele passou a pensar do porquê de se preocupar, até então era uma questão de princípio, de dever, mas ele começou a duvidar um pouco disso. Quando ele caiu na piscina, todas as lembranças dolorosas voltaram à tona, um trauma que começou antes mesmo da tortura que sofreu nas mãos de Yang Fai Lin. Ele se lembrava de seus cinco anos. Ele estava no banco detrás do carro, seu pai dirigia enquanto sua mãe, que estava ao seu lado no banco, cantarolava a canção que passava na rádio. Jooheon não conseguia se lembrar para onde iam e pouco se lembrava dos rostos dos pais, mas o que ele nunca esqueceu foi o que aconteceu depois. Por algum motivo, seu pai havia acelerado o veículo, sua mãe estava inquieta ao seu lado e tentava o acalmar dizendo que estava tudo bem, que ficaria tudo bem, mas não ficou. Um carro vermelho acelerava ao lado do veículo do pai, ele batia na lateral do carro enquanto seu pai dirigia tentando escapar do atentado. O Lee já se via chorando no banco do carona, sua mãe tentava inutilmente o acalmar, até o momento em que o carro bateu mais uma vez na lateral do carro, seu pai perdeu o controle, o veículo derrapou na pista em alta velocidade, bateu no parapeito na estrada e despencou barranco abaixou até a água. Sua mãe o abraçou, com a intenção de o proteger, quando o carro caiu no rio, a água começou a entrar pelas janelas e aberturas no automóvel, ele estava desesperado. Seu pai estava sangrando e sua mãe estava arranhada. Ela desprendeu seu cinto de segurança com dificuldade, a água já invadia o carro por completo e os pequenos pulmões de Jooheon. Sua mãe abriu a porta do caro e o empurrou para fora, mas os pais ainda estavam presos aos cintos. Jooheon estava desesperado e sem saber o que fazer, não sabia nadar. Seus pais estavam afundando enquanto ele se debatia inutilmente na água, com seu último fôlego antes de desmaiar, ele viu o carro sumir na escuridão do rio profundo, começou a cair na inconsciência, mas estava com tanto medo. Não queria morrer, só tinha cinco anos. A última visão que teve antes de desmaiar, foi a luz da lua iluminado a água, mas ninguém estava vindo o salvar, ele estendeu a mão, querendo alcançar a superfície, querendo ajuda, mas não foi o suficiente, ele estava se afogando. Estava morrendo. Estava sozinho.
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Black X White
Hayran KurguLim Changkyun é um médico cirurgião jovem e talentoso, levava uma vida monótona até o dia em que um de seus pacientes, em quem acabara de realizar uma cirurgia a menos de duas horas, acordou subitamente, causando escândalo no hospital e, minutos mai...
