Capítulo 36
A sua visão era o azul do teto. Dentro de si batalhavam sentimentos diversos como raiva, tristeza e medo.
Seu corpo estava deitado na cama confortável e coberto por lençóis limpos cheirando a amaciante de primeira qualidade. Era o que Renata poderia oferecê-lo na tentativa de proporcioná-lo uma boa noite de sono naquele dia caótico. Contudo, Bruno estava ansioso e triste demais para dormir.
Matheus olhava-o com piedade. Por um momento, não sentia mais raiva do primo pela traição, a qual foi vítima. Ver Bruno mergulhado na tristeza o comovia. Por isso, cedeu a sua cama, sem reclamar, para o primo naquela noite e dormiu num colchão inflável no chão.
_ Você quer que apague a luz ou deixe acesa?
_ Tanto faz._ Bruno respondeu virando para o lado o oposto de Matheus.
Rose estava dormindo no quarto que Bruno ficara hospedado há alguns meses.
Assim que recebeu a ligação de Bruno informando a tragédia, Renata pediu ao patrão, que também era seu amigo, para poder ir à delegacia.
Ela conhecia o desvio de caráter do irmão, mas não imaginava que Gustavo fosse capaz de ir tão além nas suas maldades. Ela sabia que ele era homofóbico, machista e mesquinho, mas não imaginava que era um estuprador e assassino.
Preocupada com a cunhada e o sobrinho, levou-os para a sua casa.
_ Lá na comunidade ele não vai subir. Tenho muitos amigos policiais, que moram por perto. Na minha casa vocês estarão mais seguros.
Contudo, antes de ir para casa, Renata atendeu a um pedido de Rose e a levou à delegacia da mulher para que ela pudesse registrar uma ocorrência contra o ex marido por violência doméstica.
Ao vê o filho chorando desesperado, Rose sentiu um ódio tão forte por Gustavo, que não mais temia pela sua vida. Para ela a única coisa que importava era a segurança e a felicidade de Bruno.
Decidiu denunciar Gustavo para acrescentar as acusações e assim ele fosse preso por todos crimes que cometeu.
Na delegacia, Rose foi informada que deveria ir ao Instituto médico legal para fazer uma perícia e depois teria que procurar um fórum para dar entrada num pedido de proteção preventiva. Vestida de coragem, Rose estava disposta a se submeter a tudo o que fosse necessário para libertar a si e a Bruno do perigo chamado Gustavo.
Ainda em choque, Bruno não esboçava nenhuma reação que não choro e silêncio.
Para ajudar, Renata ligou para a redação onde trabalha informando o ocorrido.
Solidário com o acontecido, o editor chefe informou que tinha um amigo que trabalha como editor numa emissora de TV.
_ Diga para o Bruno que vou falar com o meu amigo, com o caso sendo exibido no telejornal e a foto do pai dele sendo exibida na TV, será mais fácil para a polícia localizá-lo.
Mas eles vão querer que o Bruno, a mãe dele e a moça que estava com eles dêem entrevistas. Isso vai ajudar a comover a população.
_ Muito obrigada. O meu sobrinho não está em condições de falar agora e eu e a minha cunhada estamos desde cedo na rua. Fomos ao hospital, depois para a delegacia comum prestar depoimento, em seguida à delegacia da mulher. Estamos indo para a minha casa agora. Estamos todos exaustos. Essa entrevista ficará para outro dia.
_ Sem problemas, dona. A senhora manda uma força aí para Bruno?
_ Mando sim. Muito obrigada mesmo.
Bruno não conseguiu comer nada naquela noite. Marília caprichou no jantar para tentar oferecer um pouco de conforto, mas o jornalista nem tocou na comida.
_ Obrigado, Marília, mas eu estou sem fome. Vocês se importam se eu for dormir agora?
_ De jeito nenhum, meu bem. Eu já arrumei a cama do Matheus. Você dorme lá e a sua mãe dorme no seu quarto. Qualquer coisa pode nos chamar._ disse Renata num tom amoroso.
Bruno deitou na cama chorando. As palavras acusadoras de Olívia fervilhavam na sua cabeça.
_ Você é o responsável por toda essa tragédia! Você sabia que o seu pai é um bandido e mesmo assim arrastou o Jonas para isso! O meu irmão poderia ter morrido por culpa sua!
_ Olívia, eu sei que você está nervosa e tem todos os motivos do mundo para está, mas você está sendo injusta com o Bruno._ disse Cinthia.
_ Injusta é o caralho! Você também é culpada! Eu te conheço. Garanto que você quis pagar de heroína e incentivou o Jonas a participar disso. Agora ele está lá dentro passando por uma cirurgia para retirar a bala. Se alguma coisa acontecer com o meu irmão eu nunca mais vou perdoar vocês.
Rafael tentava acalmar Olívia, mas a jovem estava muito agitada.
_ Eu não mereço nada disso que está acontecendo com a minha família. É só tragédia, atrás de tragédia! Tudo culpa sua, Bruno! Desde que você se aproximou da minha família levou os meus irmãos para a desgraça. Primeiro a Gabriela e agora o Jonas!
Bruno retirou-se da presença de Olívia. Correu para o lado externo do hospital com dores no peito, chorando trêmulo. Sentia o peso da culpa esmagar a sua alma.
_ Olívia, nem eu e nem o Bruno tivemos culpa de nada. Você está sofrendo. Isso é inegável, mas você não tem noção do que o Bruno e a mãe dele passaram e estão passando. Você precisa se acalmar e raciocinar.
_ Cale a boca, Cinthia! Some da minha vista, antes que eu ponha a mão na sua cara.
Cinthia se retirou não por medo de Olívia, mas por respeito a ela. Foi até onde estava Bruno, que estava sentado num banco de baixo de uma árvore, com a cabeça apoiada no ombro da mãe.
A jovem acendeu um cigarro e ofereceu aos dois, que recusaram.
_ Meu filho, se acalme. Eu vou chamar um médico para te dar um calmante.
_ Não precisa, mãe. Eu não quero ficar calmo. Tenho que ir à delegacia prestar depoimento. Eu não quero fazer isso dopado.
_ E o rapaz? Como está?_ Rose perguntou a Cinthia.
_ Segundo os médicos, ele está fora de perigo. A bala não acertou nenhum órgão vital... acho que atingiu o ombro.
_ Viu, meu filho? O seu namorado vai ficar bem. O pior já passou.
Bruno balançou a cabeça negativamente.
_ Tudo isso é culpa minha. O Jonas poderia está morto agora.
_Ei! Ei!Ei! Não diga isso! A Olívia está nervosa e tá falando besteiras. Você não tem culpa de porra nenhuma. Se tem um culpado nessa merda toda esse culpado é o Gustavo. Foi ele quem estuprou a Gabriela e atirou no Jonas. E sem contar nas monstruosidades que fez com a sua mãe e contigo. Não é justo que depois de tudo que você passou, ainda fique se torturando por uma culpa que é só dele.
_ A moça tem razão, meu amor. Você não tem culpa de nada. Não se torture. Aquele desgraçado vai pagar por tudo que fez. Eu liguei para a sua tia. Nós duas vamos à delegacia de mulheres. A sua amiga me convenceu a denunciar o seu pai.
'Eu te prometo que a partir de agora vai ser diferente. Eu vou fazer de tudo para te manter protegido. Eu vou cuidar de você, meu filho.'
_ Bruno, vai ficar tudo bem. A Olívia é uma boa mulher. Ela só está nervosa, mas quando o Jonas sair daqui e tudo estiver bem, ela vai retirar tudo que disse. Eu a conheço, sei que ela é gente boa pra caralho.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Borboletas sempre voltam
RomantikJonas é um adolescente que aos dezessete anos, que conhece o seu grande amor Bruno, um jovem jornalista cinco anos mais velho. Os dois se apaixonam e vivem um lindo romance, que encoraja Jonas a assumir a sua sexualidade para a família e decide s...
